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Moçambique apreende 40.000 litros de combustível desviado

7 de maio de 2026

Combustível seria vendido no mercado informal em Niassa e será destinado a instituições públicas, numa altura de crise de abastecimento e subida dos preços no país.

Symbolbild Mosambik | Tankvorgang mit Flagge von Mosambik
Foto: AKlion/Depositphotos/IMAGO

As autoridades moçambicanas recuperaram mais de 40.000 litros de combustível desviado para venda no mercado informal na província de Niassa, devendo ser revertido a favor do Estado para atender as necessidades das instituições.

"Conseguimos recuperar 40.000 litros de combustível que estavam a ser desviados do sistema formal para serem vendidos no informal", avançou o secretário do Estado na província de Niassa, Silva Fernando Livone, citado hoje pela comunicação social.

O mesmo responsável garantiu que não há "rutura de 'stock' nos combustíveis", que operações de inspeção prosseguem e que os autores dos desvios serão "responsabilizados". 

Moçambique enfrenta há várias semanas dificuldades no abastecimento de combustíveis, com postos encerrados por todo o país e filas generalizadas, bem como limites na compra de gasóleo ou gasolina e redução na oferta de transportes, na sequência do conflito no Médio Oriente.

Recuperados 40 mil litros de combustível ilegal

Segundo o governante daquela província do norte de Moçambique, os 40.000 litros foram recuperados quando eram transportados num camião-cisterna, que "deveria abastecer uma gasolineira e foi desviado para o mercado negro [informal] durante a noite". 

O proprietário do veículo foi interpelado e colocado sob custódia judicial, quando tentava vender o produto, que foi apreendido. 

"Recuperámos esses 40.000 litros", que irão ser revertidos a favor do Estado, e destinados "a instituições sensíveis como a Polícia da República de Moçambique [PRM], o setor da Saúde e outras que precisam de combustível", anunciou o governante. 

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Em outras operações, que envolveram o Serviço Nacional de Investigação Criminal (Sernic), foram apreendidas em residências particulares várias quantidades de combustível armazenadas em galões de 20 litros, num total de "mais ou menos 400 litros", avançou o mesmo responsável.

"Foram recuperados e, naturalmente, o proprietário foi levado sob custódia", apontou.

Livone indicou que foi agendada uma reunião com proprietários de gasolineiras para se apurar a extensão e motivações do açambarcamento dos combustíveis, agravado pela limitação na disponibilização do produto nos postos de abastecimento, que, considerou, "uma questão de má-fé".

"É mesmo uma questão de má-fé de atender pouco as pessoas para deixar longas filas e as pessoas ficarem estressadas e começarem a praticar atos de corrupção. Porque depois, mais tarde, a pessoa volta à meia noite e pede que lhe seja vendido, mesmo por 200 meticais, um litro (2,66 euros)", acrescentou o secretário, prometendo medidas severas para conter a situação.

Subida do dos preços

Em Moçambique, a partir de hoje, o gasóleo sobe 45,5% e a gasolina 12,1%, anunciou o Governo, justificando a revisão em alta dos combustíveis com os preços os praticados a nível internacional.

"Há mais de dois meses que o Governo tem estado a acompanhar com atenção a evolução do conflito no Médio Oriente e, como é de conhecimento geral, este conflito desencadeou a subida de preços de combustíveis a nível internacional e no continente africano", disse o presidente do Conselho de Administração da Autoridade Reguladora de Energia (Arene), Paulo da Graça, em declarações aos jornalistas, ao fim do Conselho de Ministros, em Maputo.

Um litro de gasolina passa a custar 93,69 meticais (1,23 euros), face aos anteriores 83,57 meticais (1,10 euros). O preço do gasóleo passa de 79,88 meticais (1,06 euros) para 116, 25 meticais (1,54 euros), o petróleo de iluminação de 66,86 meticais (0,87 cêntimos de euros) para 97,56 meticais (1,29 euros), o gás de cozinha de 86,05 meticais (1,14 euros) para 87,82 meticais (1,15 euros) por quilograma e o gás natural veicular de 41,11 meticais (0,54 cêntimos de euros) para 52,73 meticais (0,69 cêntimos) por litro.

O Governo já tinha admitido que era inevitável o aumento dos preços dos combustíveis, face aos impactos no abastecimento provocados pelo conflito no Médio Oriente, onde transitam cerca de 80% das importações de combustíveis de Moçambique.

 

Nota editorial: Uma versão anterior deste artigo utilizou imagens meramente ilustrativas associadas à empresa Specialized Transport. Esclarecemos que a empresa não está envolvida nas alegadas irregularidades relacionadas com o combustível mencionadas nesta notícia. [Atualizado às 10:47]

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