Moçambique estenderá Corredor Ferroviário de Nacala
20 de dezembro de 2025
Moçambique, Malaui, Zâmbia e República Democrática do Congo assinaram um memorando para estender o Corredor Ferroviário de Nacala, visando reforçar a integração regional, facilitar o comércio e garantir ligação.
Defensores alegam que projeto será um exemplo de cooperação africana e de visão estratégica Foto: Madalena Sampaio
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"Este é o caminho para que o Porto de Nacala se afirme como motor de integração regional e catalisador de desenvolvimento económico partilhado", disse o ministro dos Transportes e Logística de Moçambique, João Matlombe, durante a 10.ª Reunião do Comité de Gestão do Corredor de Desenvolvimento de Nacala, realizada em Maputo.
O encontro contou com a presença dos ministros responsáveis pelos transportes e logística dos quatro países signatários e o entendimento prevê o desenvolvimento de uma linha férrea com cerca de 2.400 quilómetros - ligando Chipata, na Zâmbia, a Serege, na República Democrática do Congo, atravessando o Malaui e Moçambique.
Segundo os signatários, o projeto pretende consolidar o Corredor de Nacala como um eixo estratégico de integração regional, assegurando aos países do interior um acesso eficiente ao Porto de Nacala, no norte de Moçambique.
"Este projeto será um exemplo de cooperação africana e de visão estratégica partilhada", afirmou Matlombe, acrescentando que "o Porto e o Corredor de Nacala não são apenas infraestruturas físicas. São símbolos de esperança, progresso e integração regional".
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"Oportunidade"
O ministro moçambicano sublinhou que estas infraestruturas "representam a oportunidade de mostrar ao mundo" que a "região pode ser exemplo de cooperação e desenvolvimento económico real".
Segundo João Matlombe, os quatro países devem mobilizar financiamento de forma conjunta e identificar parceiros estratégicos para a construção da linha férrea e das infraestruturas logísticas associadas ao longo do corredor.
"O próximo passo deverá ser a assinatura de um acordo no primeiro trimestre de 2026 que nos permita identificar um parceiro estratégico para a construção da linha férrea e das facilidades logísticas ao longo do corredor", disse Matlombe, considerando que esse momento será "decisivo para transformar a nossa visão em ação e para consolidar a integração regional".
Em agosto de 2025, o Presidente moçambicano, Daniel Chapo, destacou o "enorme potencial" do Corredor Logístico de Nacala para dinamizar o comércio em África, enquanto em 2023 o então Presidente Filipe Nyusi assinou acordos com o Malaui e a Zâmbia para intensificar a utilização conjunta desta infraestrutura, considerada crucial para países sem acesso ao mar.
Nampula tornou-se, desde o início dos ataques terroristas em Cabo Delgado, uma das "terras prometidas" para os refugiados. Muitos deslocados querem agora fixar ali residência, mas há dificuldades por falta de espaço.
Foto: Sitoi Lutxeque/DW
Dificuldades em acolher mais pessoas
Muitos deslocados querem fixar residência em Nampula, uma cidade desenvolvida e calma no norte de Moçambique. No entanto, sentem fortes dificuldades devido à falta de terras disponíveis. O Governo local tenta encontrar soluções, que muitas vezes não são as que os habitantes mais gostam.
Foto: Sitoi Lutxeque/DW
Há novas construções em zonas de risco
O fluxo populacional que a cidade de Nampula está a conhecer nos últimos anos, principalmente desde os conflitos em Cabo Delgado, tem contribuído para o aumento da construção de habitações em locais de risco. Até 2017, a cidade contava com mais de 700 mil habitantes, mas atualmente, de acordo com fontes do município, estima-se que sejam cerca de 900 mil.
Foto: Sitoi Lutxeque/DW
Vende-se terreno: uma violação da lei que é ignorada
Em Moçambique, de acordo com a lei, a terra não pode ser vendida. Os terrenos são propriedade do Estado e cabe ao mesmo atribuí-los aos cidadãos. No entanto, as vendas ocorrem com regularidade. Em Nampula, em todos os bairros, incluindo os que estão em expansão, os terrenos são vendidos com um olhar indiferente por parte das instituições que velam pela legalidade.
Foto: Sitoi Lutxeque/DW
“Conflito por terras” entre mortos e vivos
A procura de espaço para viver está a originar o aumento de conflitos. Na zona do Muthita, no bairro de Mutauanha, a população invadiu áreas de reserva para construção de diversas infraestruturas do município. Esta imagem mostra uma disputa de terra num cemitério comunitário, entre os mortos e os cidadãos que o invadiram, tirando o sossego dos defuntos.
Foto: Sitoi Lutxeque/DW
Naphutha: um rio resistente
O Rio Naphuta é fundamental no abastecimento de água da população do bairro de Mutauanha. Contudo, a sua existência é cada vez mais difícil. O rio sofre uma forte pressão humana, devido às construções de moradias e alterações climáticas.
Foto: Sitoi Lutxeque/DW
Moradores unem esforços e abrem estrada
Na Unidade Comunal Muthita, no bairro de Mutauanha, os moradores decidiram unir-se. Recorrendo a enxadas, ancinhos, entre outras ferramentas de trabalho agrícola, decidiram abrir estradas. Embora de dimensões reduzidas, estes caminhos em terra batida permitem a mobilidade de viaturas pequenas.
Foto: Sitoi Lutxeque/DW
Terras “sem ninguém”
A cidade de Nampula é a maior do norte de Moçambique. Na sua área ainda permanecem vastas terras férteis e intactas. Contudo, muitos cidadãos preferem ignorá-las devido à falta de condições mínimas. Em algumas destas zonas não ocupadas têm sido feitas delimitações de terrenos, mas a distribuição dos mesmos não tem sido frequente.
Foto: Sitoi Lutxeque/DW
Nem tudo é negativo
A lotação da cidade moçambicana de Nampula não está apenas a criar pesos negativos. Os bairros de expansão da cidade estão também a conhecer novas e melhores moradias. Há nestes bairros luz e água. No entanto, a oferta desta última, por parte do Fundo de Investimento e Património do Abastecimento de Água (FIPAG), não dura as 24 horas do dia.
Foto: Sitoi Lutxeque/DW
Fábricas consomem mais terras
O “boom” populacional na cidade não está a travar o desenvolvimento. Nos últimos anos, a cidade tem vindo a conhecer um aumento de novas infraestruturas económicas e vários investimentos que consomem extensas terras. Ao longo da Estrada Nacional número 1, desde a entrada até à saída da cidade, há novas construções de indústrias a surgirem.