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Moçambique: Chapo vê estabilização, analista teme agitação

Silaide Mutemba em Maputo
18 de dezembro de 2025

O Presidente Daniel Chapo diz que Moçambique vai continuar a pagar no próximo ano o preço dos protestos pós-eleitorais. Analista lembra que, além de danos materiais, houve também muitas mortes.

Presidente da República de Moçambique, Daniel Chapo, durante uma cimeira da União Africana, em fevereiro de 2025
Presidente moçambicano, Daniel ChapoFoto: Amanuel Sileshi/AFP

O Presidente da República considera que os protestos pós-eleitorais, entre outubro de 2024 e março deste ano, afetaram a capacidade do Estado de investir em setores considerados prioritários, como água, energia, saúde e educação.

Durante o informe à Nação, Daniel Chapo classificou os protestos como "violentos, ilegais e criminosos" e afirmou que o Governo foi obrigado a redirecionar recursos, inicialmente destinados ao desenvolvimento, para a reconstrução de infraestruturas públicas e privadas, face a prejuízos de 27,4 mil milhões de meticais.

Mas o analista Dércio Alfazema sublinha que os valores anunciados pelo Governo não devem ser encarados como definitivos: "Além dos danos materiais, também houve danos humanos. Essa é uma situação que deve ser devidamente esclarecida."

Estabilização em Moçambique?

Durante o informe desta quinta-feira, Daniel Chapo destacou "sinais de estabilização da nação moçambicana", com reformas, combate às desigualdades, diálogo nacional e a "aproximação real entre o Estado e os cidadãos."

Ainda assim, o jornalista e analista político Luís Nhachote defende cautela: "Eu vejo isso como algo complexo, porque a agitação social continua a se refletir numa série de coisas", afirma.

"O povo continua a não ser prioridade"

05:09

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"Na memória dos moçambicanos, esta imagem de medo e de terror continua. As ações do governo devem ser visíveis", acrescenta Nhachote.

Chapo prometeu a criação de uma nova arquitetura financeira pública, para impulsionar o crescimento económico, a industrialização e a inclusão financeira. Segundo o Presidente, estas iniciativas visam preparar o país para um ciclo prolongado de crescimento e modernização.

Dércio Alfazema considera que "essa nova arquitetura económica é urgente, uma vez que o país precisa de criar condições e buscar parcerias estratégicas para criar capacidade de gerar renda e receitas para o Estado."

Crime organizado continua a ser desafio

No que diz respeito ao combate ao crime organizado, incluindo os raptos, o Presidente apontou avanços no esclarecimento de casos, apresentando-os como indicadores de maior eficácia da ação governativa.

Para Alfazema, o informe de Chapo reconheceu a complexidade do fenómeno: "Há indicadores muito claros e específicos que dão uma nota positiva e satisfatória para a governação neste tema sobre o crime organizado, tendo em conta que os casos de rapto vêm sendo esclarecidos," considera.

O jornalista Luís Nhachote, por sua vez, entende que o Estado moçambicano continua a enfrentar limitações significativas na capacidade de resposta, num contexto marcado por redes criminosas que teriam capturado o Estado.

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