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Moçambique: Situação em Memba está "controlada"

18 de novembro de 2025

Comandante do Exército moçambicano garante que a situação em Memba está “controlada” após novos ataques, assegurando que as FDS perseguem os extremistas responsáveis pela violência que atingiu várias localidades.

Autoridades da Marinha moçambicana patrulham costa moçambicana (Foto de arquivo)
Autoridades não têm mãos a medir ataques provocados por elementos associados ao grupo extremista Estado IslâmicoFoto: Camille Laffont/AFP

O comandante do Exército de Moçambique, major-general André Mahunguane, disse esta terça-feira (18.11) em Nampula que a situação no distrito de Memba está "controlada", após vários ataques, garantindo que os militares estão em perseguição aos extremistas.

"A situação está controlada. Neste momento há um grupo de terroristas entre os postos administrativos de Chipene e Mazula, que se encontram em declive de algumas montanhas, mas esse grupo está sendo perseguido pelas Forças de Defesa e Segurança (FDS)", disse André Mahunguane, em declarações aos jornalistas, avaliando a situação no terreno.

"Ao nível da vila [sede de Memba] a situação está calma e controlada", acrescentou, garantindo que as FDS iniciaram nos últimos dias a perseguição, sem registo de mortes ou danos materiais recentes. "Por uma razão muito simples: eles sabem que quando queimam uma casa, é sinal para nós perseguirmos", explicou.

Na mesma ocasião, o comandante do Exército apelou à população para manter a vigilância e informar as FDS sobre qualquer movimento suspeito: "Temos que ser vigilantes, temos que informar as FDS com  alguma antecedência".

As autoridades governamentais da província de Nampula confirmaram hoje o assassínio de pelo menos três pessoas no distrito de Memba, em ataques nos últimos dias atribuídos a supostos extremistas oriundos de Cabo Delgado.

"Os ataques concentraram-se inicialmente no posto administrativo de Mazula, nos dias 14 e 15 [de novembro], e avançaram, ontem, dia 17, para a sede do distrito de Memba, incluindo as localidades de Chipene e Baixo Pinta", afirmou hoje, em conferência de imprensa, o secretário de Estado na província de Nampula, Plácido Pereira.

Acrescentou que, durante estas ações, os atacantes incendiaram 101 casas de populares, viaturas, uma moageira e "raptaram alguns cidadãos". "Presentemente contabilizam-se três mortos, mas ainda não são dados definitivos", disse ainda Plácido Pereira. 

"Ataques terroristas não têm nada a ver com Islão"

02:21

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De acordo com o secretário de Estado, aproximadamente 200 famílias foram acolhidas no distrito vizinho de Eráti, também em Nampula, que dista 106 quilómetros de Memba, e outras 40 em Nacarôa, a 76 quilómetros de distância, havendo também deslocados em Nacala-a-Velha e Nacala Porto.

A instabilidadelevou ainda à suspensão de vários projetos públicos em Memba, incluindo a construção de um centro de saúde e o sistema de abastecimento de água do distrito.

128 mil pessoas em fuga

A ONU estimou que cerca de 128 mil pessoas tenham fugido, numa semana, das povoações de Lúrio e Mazula, no distrito de Memba, na província de Nampula, após ataques de grupos extremistas.

De acordo com um relatório de atualização do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA, na sigla em inglês), os ataques coordenados de grupos armados não Estatais desde o dia 10 de novembro intensificaram-se nos distritos de Memba e Eráti, na província de Nampula.

Segundo a agência da ONU, os primeiros relatos indicam que algumas casas - e uma escola - foram incendiadas, propriedades foram saqueadas e civis mortos, feridos ou sequestrados: "estão em curso deslocamentos populacionais, estima-se que 80% da população de Lúrio e Mazula (aproximadamente 128.000 pessoas) tenha fugido para áreas de mata próximas ou para outros distritos".

Elementos associados ao grupo extremista Estado Islâmico reivindicaram a autoria de pelo menos dois ataques na província moçambicana de Nampula, provocando a morte de cinco cristãos.

Na reivindicação, feita através dos canais de propaganda do grupo, refere-se que num dos ataques a uma aldeia "capturaram e mataram quatro cristãos a tiro" e que queimaram uma igreja. Noutro local assumiram que mataram um cristão e queimaram duas casas.

Em causa está crescente atividade insurgente, desde finais de setembro - cerca de 370 casas queimadas em diferentes aldeias em ataques anteriores -, no distrito de Memba, na fronteira com Cabo Delgado.