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Moçambique e Angola com novos casos de tuberculose

Lusa | ar
13 de outubro de 2016

Moçambique e Angola estão entre os 20 países com maior incidência de tuberculose no mundo. Estima-se que cada um tenha registado mais de 80 mil novos casos da doença em 2015, revela relatório divulgado pela OMS.

Südafrika Tuberkulose Röntgen Bild
Foto: AP

O relatório global sobre a tuberculose, publicado esta quinta-feira (14.10.) pela Organização Mundial de Saúde (OMS), estima que em 2015 tenham surgido 10,4 milhões de novos casos de tuberculose no mundo e alerta que, embora a incidência e a mortalidade estejam a cair, é preciso acelerar o ritmo para se alcançarem os objetivos da estratégia para a eliminação da doença.

Com base em dados recolhidos junto de 202 países e territórios, que representam mais de 99% da população mundial e dos casos globais de tuberculose, o relatório destaca os 20 países com maior número absoluto de novos casos, a que junta os dez países que, não estando na lista anterior, têm maior proporção de novos casos na sua população.

Entre os 20 primeiros surgem Moçambique, com 154 mil novos casos em 2015, e Angola, com 93 mil novos casos.

A taxa de incidência, o número de novos casos em relação ao tamanho da população, é muito variável entre países, indo desde menos de 10 novos casos em cada 100 mil habitantes até mais de 500.

Moçambique com 551 novos casos em cada 100 mil habitantes
Entre os países com maior taxa de incidência está Moçambique, com 551 novos casos em cada 100 mil habitantes, taxa só superada pela República Popular Democrática da Coreia (Coreia do Norte), com 561 novos casos por 100 mil habitantes, o Lesoto, com 788, e a África do Sul, com 834.

O relatório cruza a lista dos 30 países com alta incidência de tuberculose com duas outras listas: a dos 30 países com mais novos casos de tuberculose multirresistente e a dos 30 países com mais novos casos de tuberculose associada ao HIV.

Centro de Saúde Eduardo Mondlane, em Chimoio, MoçambiqueFoto: DW/J. Beck

Há 48 países que estão pelo menos numa das três listas e 14 países que surgem nas três listas, dois dos quais são de língua portuguesa: Moçambique e Angola.

O Brasil está em duas - grande incidência de tuberculose e grande incidência associada ao VIH - e há ainda outro lusófono que surge apenas na lista dos países com mais tuberculose ligada ao HIV: a Guiné-Bissau.

Guiné-Bissau com novos casos de HIV

A OMS estima que a Guiné-Bissau tenha registado 6.600 novos casos de tuberculose em 2015 (369 em cada 100 mil habitantes), dos quais 40% (2.900) em pessoas com HIV positivo.

No total, cerca de mil pessoas seronegativas e 1.500 pessoas seropositivas morreram na Guiné-Bissau em 2015 por causa da tuberculose, taxas de mortalidade de 63 e 81 pessoas por cada 100 mil habitantes, respetivamente.

Angola
Em Angola, estimam-se 93 mil novos casos de tuberculose em 2015 (uma taxa de 370 em cada 100 mil), dos quais 28 mil são HIV positivos (30%) e 4.100 são casos de tuberculose multirresistente. No mesmo ano morreram no país, por causa da tuberculose, 11 mil pessoas com HIV negativo (45 em 100 mil habitantes) e 7,2 com HIV positivo (29 em 100 mil habitantes).

Sociedade civil angolana busca movimentar-se para discutir o combate ao HIV (julho de 2015)Foto: DW/N. Sul de Angola

O Brasil terá registado 84 mil novos casos de tuberculose em 2015: 52 mil homens, 24 mil mulheres e oito mil crianças, numa taxa de incidência de 41 novos casos em cada 100 mil habitantes. Destes, 13 mil (15%) são HIV positivo. 

Moçambique tem uma estimativa de 154 mil novos casos de tuberculose em 2015, dos quais 83 mil são homens, 56 mil são mulheres e 15 mil são crianças, com menos de 15 anos. Mais de metade dos novos casos (52%) são pessoas também infetadas com o HIV.

Estes números equivalem a uma taxa de incidência de 551 em 100 mil, uma das mais altas do mundo.

34 mil pessoas morreram em 2015 com HIV em Moçambique
Em 2015, morreram em Moçambique 21 mil pessoas sem HIV e 34 mil pessoas com HIV. A OMS alerta, no entanto, que os números estimados não correspondem necessariamente a casos notificados. Dos 10,4 milhões de novos casos estimados, apenas 6,1 milhões foram detetados e oficialmente notificados em 2015, o que representa uma diferença de 4,3 milhões.

Foto: picture alliance/Lonely Planet Images

Esta diferença reflete uma mistura de subnotificação de casos detetados (principalmente em países com grandes setores privados) e de subdiagnóstico (especialmente nos países com maiores dificuldades de acesso aos serviços de saúde).

Dez países, incluindo Moçambique, representam 77% da diferença total entre as notificações e as estimativas.

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