Moçambique pede proteção para nacionais na África do Sul
5 de maio de 2026
O Governo moçambicano condenou hoje os atos xenófobos na África do Sul, que contrariam a tolerância e convivência pacífica na África austral, assumindo contactos diplomáticos para assegurar a proteção de nacionais naquele país vizinho.
"O Governo repudia e condena de forma veemente os ataques de xenofobia que estão a ocorrer no país vizinho, a África do Sul, contrariando os valores e espírito de tolerância e de convivência pacífica e harmoniosa entre irmãos do Continente Africano e da SADC [Comunidade de Desenvolvimento da África austral], em particular", disse a primeira-ministra de Moçambique, Maria Benvinda Levi, no parlamento.
Ao responder a perguntas de deputados, a governante disse que o executivo tem vindo a manter contactos diplomáticos com as autoridades sul-africanas para garantir a segurança e proteção de moçambicanos que se encontram naquele país.
"As nossas missões diplomáticas e consulares acreditadas na África do Sul estão a acompanhar a situação e a providenciar assistência consular a todos nossos compatriotas, com o envolvimento ativo das lideranças comunitárias moçambicanas", disse Levi.
Dados oficiais apontam que 30.000 cidadãos moçambicanos residem e trabalham na África do Sul, sobretudo no setor das minas.
Executivo condena xenofobia
O Governo moçambicano pediu vigilância calma e serenidade dos moçambicanos, apelando a que não se avance com retaliação face à violência, referindo que tais atos podem ter efeitos nefastos para a estabilidade económica, social e política dos países.
O Presidente moçambicano, Daniel Chapo, viaja hoje para a África do Sul para abordar soluções para uma "convivência pacífica" após ações xenófobas no país vizinho, anunciou anteriormente o Governo.
A África do Sul tem registado manifestações e tensões sociais visando a migração, sendo que, no início do mês, uma marcha contra a imigração culminou em ataques a negócios de estrangeiros na província do Cabo Oriental, este do país.
As tensões xenófobas são um problema recorrente na África do Sul. Inúmeras comunidades de imigrantes foram repatriadas pelos próprios países, como Moçambique ou a Nigéria, e a África do Sul foi alvo de duras críticas internacionais por xenofobia.
Os incidentes mais graves dos últimos tempos ocorreram no final de 2019, com 18 estrangeiros mortos, segundo dados da organização Human Rights Watch.