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Xenofobia: Moçambique preparado para reintegrar vítimas?

10 de setembro de 2026

Após ataques xenófobos na África do Sul, milhares de moçambicanos regressam sem emprego nem habitação. À DW, a economista Teresa Boene alerta que o páis não está preparado para os reintegrar.

Vítimas da xenofobia na África do Sul regressando
Retornados da África do Sul enfrentam futuro incertoFoto: Rodger Bosch/AFP

Milhares de moçambicanos que regressaram da África do Sul na sequência de uma onda de xenofobia continuam sem ser reintegrados no sistema de habitação e no mercado de trabalho. Entre os retornados estão sobretudo jovens, numa altura em que o país já enfrenta dificuldades para responder ao desemprego juvenil.

A economista Teresa Boene lembra que Moçambique não consegue, neste momento, responder à procura interna por emprego e, por isso, não vislumbra soluções a curto prazo para a reintegração dos cidadãos que regressam da África do Sul.

Mesmo que o Executivo de Daniel Chapo avance com a atribuição de subsídios ou com a criação direta de postos de trabalho, a economista considera que essas medidas dificilmente serão concretizadas.

"Mas essas opções, para mim, não são validas porque já sabemos que o Estado está, neste momento, a enfrentar uma situação de liquidez e está numa situação em que não pode atribuir subsídios ou criar empregos", afirmou Teresa Boene.

Setor privado é apontado como parte da solução

A economista defende que uma das formas de reintegrar os moçambicanos vítimas de xenofobia passa pelo reforço da atuação do setor privado, apesar das dificuldades que as empresas enfrentam, incluindo a escassez de divisas.

"Olhar para a estabilidade macroeconómica para que o setor privado possa as expandir suas atividades e possa contratar mais trabalhadores. Um setor privado dinâmico com certeza ele poderá absorver este aumento da mão de obra", defendeu Teresa Boene.

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O Governo já anunciou algumas medidas para responder ao regresso massivo de moçambicanos vítimas de xenofobia. O porta-voz do Conselho de Ministros, Inocêncio Impissa, afirma que os retornados estão a ser registados para permitir o levantamento das suas competências e experiências profissionais.

"Têm muita experiência de trabalho na África do Sul em diferentes áreas, mas não têm nenhum certificado. O que estamos agora a fazer é trabalhar com a nossa instituição de formação profissional para, uma vez comprovada a competência técnica a ser criticada, e esse certificado é válido para a contratação internacional, entre outras contratações", explicou Inocêncio Impissa.

Certificação profissional não garante emprego

Apesar da iniciativa do Governo, Teresa Boene considera que a certificação das competências dos retornados pode não ser suficiente para assegurar a sua integração no mercado de trabalho. A economista recorda que existem, em Moçambique, muitos jovens com formação técnica e superior que continuam desempregados.

"A vinda de moçambicanos com experiencia, por si só, não constitui uma oportunidade. Há a necessidade de criar postos de trabalho para que a experiencia dos moçambicanos que cá chegam seja de mais valia. Há necessidade de se criar oportunidades - não só para os que estão no país, mas também para os que regressam ao país", advertiu Teresa Boene.

O antigo bastonário da Ordem dos Advogados de Moçambique, Carlos Martins, defende que o país deve criar empregos para todos os jovens, como forma de reduzir a emigração e prevenir novas crises sociais.

"Devemos começar a pensar também em nós próprios, o que devemos fazer para que os nossos concidadãos deixem de emigrar. Criar melhores condições aqui em Moçambique, isso é importante. Não podemos culpar os outros quando nós também temos responsabilidades", afirmou Carlos Martins. 

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