1. Ir para o conteúdo
  2. Ir para o menu principal
  3. Ver mais sites da DW

Niassa: Mega-fábrica cria emprego, mas suscita críticas

25 de fevereiro de 2026

No distrito de Nipepe, Niassa, uma empresa mineira construiu casas para famílias reassentadas. O projeto pretende melhorar as condições de vida, mas o processo faseado de reassentamento gerou críticas na sociedade civil.

Moçambique Nipepe 2026 | Fábrica de grafite na província de Niassa
Foto: Conceição Matende/DW

Situada no distrito de Nipepe, na localidade de Muichi, província do Niassa, a fábrica de processamento de grafite conta com um investimento avaliado em 200 milhões de dólares, cerca de 170 milhões de euros. Com duas linhas de produção, tem capacidade para processar 200.000 toneladas concentrado de grafite por ano.

A unidade industrial é administrada pela mineradora chinesa DH Mining Development Limited, concessionária da mina Muichi. Wu Tao, presidente do conselho de administração da empresa, afirma que durante o processo de construção foram seguidos todos os procedimentos para garantir o bem-estar da comunidade.

"O projeto construiu 125 casas em Nipepe e 16 em Maua, duas novas escolas e instalações públicas básicas de apoio - como centro de saúde e posto policial - proporcionando aos residentes locais um ambiente de vida segura", referiu à DW.

A fábrica trouxe mudanças significativas para a população local, com a melhoria das habitações e a criação de 800 novos postos de trabalho, segundo a direção.

Famílias a precisar de ajuda

Domingos Yahaya é um dos reassentados pela empresa exploradora de grafite. "Estou feliz. Antes eu vivia lá em Muichi, vivia numa casa de capim e de matope. Lá ainda existem pessoas que não têm casas, peço ajuda para essas famílias", frisou.

Fábrica providenciou habitação às famílias dos trabalhadores, mas fê-lo de forma faseada, o que gerou descontentamento na população localFoto: Conceição Matende/DW

Entretanto, Faustino Nacera, membro da sociedade civil, fez saber que a metodologia usada para o reassentamento das famílias gerou insegurança em parte da população.

"A única surpresa que todos tiveram, partiu até dos membros do Governo, foi este reassentamento faseado. Eles não sabiam que o reassentamento seria de forma faseada. Isso foi surpresa para eles. Mas foi esclarecido, seriam construídas algumas casas e, mais tarde, seria reassentada outra parte da população. Então, foi essa conclusão que chegámos. Mas as indeminizações foram feitas”, admitiu.

Na ocasião da inauguração, o Presidente da República de MoçambiqueDaniel Chapo, pediu aos investidores para que garantam a sustentabilidade económica, social e ambiental dos empreendimentos.

"Moçambique quer investimento sim, mas quer investimento responsável, transparente e comprometido com a proteção da vida, da natureza e da dignidade do trabalhador e das comunidades locais”, disse na altura.

A fábrica de processamento de grafite anunciou que pretende expandir os postos de trabalho para dois mil trabalhadores num futuro próximo, sem avançar data. 

Moçambicanos afastados das minas em Cabo Delgado

02:10

This browser does not support the video element.

Saltar a secção Mais sobre este tema