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Moçambique procura alternativas para importar combustíveis

6 de maio de 2026

O Governo apela à compreensão dos cidadãos enquanto negocia novas parcerias internacionais para garantir o fornecimento de combustíveis e reduzir os impactos da crise no país.

A crise provocada pelo conflito no Médio Oriente já está a causar escassez nos postos de abastecimento, filas e limitações na compra de gasolina e gasóleo em várias regiões do país.Foto: Sitoi Lutxeque/DW

O Governo moçambicano anunciou hoje que procura fontes alternativas paraimportação de combustíveis, face ao conflito no Médio Oriente e ao bloqueio no estreito de Ormuz, apelando à compreensão dos cidadãos perante a crise.

"Como alternativa temos estado a trabalhar com outros países para vermos a possibilidade de realizar acordos e parcerias entre Governos para o fornecimento de combustíveis. Esta é uma situação recente e há um trabalho que está em curso ao nível do Governo no sentido de buscar estas fontes alternativas juntos de outros países produtores de combustíveis", disse o ministro da Economia, Basílio Muhate, ao responder, no parlamento, a perguntas dos deputados.

O secretário de Estado do Tesouro e Orçamento moçambicano, Amílcar Tivane, disse anteriormente que cerca de 80% das importações de combustíveis de Moçambique transitam pelo estreito de Ormuz, vindos do Médio Oriente, que entretanto tem a transitabilidade condicionada face à guerra dos Estados Unidos/Israel contra o Irão.

Moçambique enfrenta há várias semanas dificuldades no abastecimento de combustíveis, com postos encerrados por todo o país e filas generalizadas, bem como limites na compra de gasóleo ou gasolina e redução na oferta de transportes, na sequência do conflito no Médio Oriente, enquanto o Governo procura fontes alternativas com "preços competitivos", segundo o ministro.

Aos deputados, Basílio Muhate explicou que desde começou o problema de transitabilidade no estreito de Ormuz, Moçambique tem recorrido às refinarias que não se encontram naquela região e que usam rotas marítimas que não atravessam o referido estreito, pedindo "compreensão" aos moçambicanos diante da crise destes produtos.

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"Queremos apelar à colaboração de todos. Falta de combustíveis afeta a ambulância, o transporte, as famílias que precisam de comida, portanto, afeta um pouco de todos nós. Não é uma situação que está sob o nosso total controlo, há um esforço que é necessário de fazer como Governo, estamos a fazer a nossa parte, mas queremos pedir a colaboração na serenidade e união dos moçambicanos", disse o ministro da Economia.

O Governo já admitiu que é inevitável o aumento dos preços dos combustíveis, face aos impactos no abastecimento provocados pelo conflito no Médio Oriente.

Na terça-feira, o executivo avançou que estuda subsidiar o transporte público de passageiros para evitar impactos da crise de combustíveis nas populações, admitindo que a falta de divisas limita importações destes produtos em pouco tempo.

"A venda de combustível informal tornou-se uma grande oportunidade, de tal forma que a afluência popular aos postos de abastecimento com bidons de cinco a 20 litros é visível em todo o lado. A título de exemplo, os postos que vendiam 40 mil litros por semana, hoje estão a vender os mesmos 40 mil litros em menos de 24 horas. A logística de distribuição não está preparada para o abastecimento às bombas todos os dias. Os navios estão a descarregar, mas a disponibilidade de divisas também limita a importação para períodos reduzidos", explicou anteriormente o ministro Basílio Muhate.

Hoje, os empresários moçambicanos consideraram "nefastos" os impactos da crise dos combustíveis ao limitar a mobilidade de funcionários e bens para o funcionamento das empresas, pedindo explicações sobre a escassez generalizada nos postos de abastecimento. 

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