Filas, passageiros a caminhar e contestação dos transportadores marcaram a manhã em Maputo e Matola. A FEMATRO admite atrasos nos subsídios, mas garante que os pagamentos estão a ser feitos de forma gradual.
Chapas paralisam parcialmente em Maputo e Matola devido a atrasos nos subsídiosFoto: Sitoi Lutxeque/DW
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A manhã desta segunda-feira (27.07) marcada por perturbações no transporte público em Maputo e Matola, depois de os transportadores semicolectivos de passageiros terem paralisado parcialmente a atividade em protesto contra os atrasos no pagamento dos subsídios estatais destinados a compensar a subida dos preços dos combustíveis.
A paralisação provocou longas filas nas paragens e obrigou muitos passageiros a percorrerem vários quilómetros a pé.
Nhamate assegurou ainda que os subsídios estão a ser pagos de forma gradual. Ainda assim, mais de metade dos cerca de cinco mil operadores licenciados nos municípios de Maputo, Matola, Boane e Marracuene continua sem receber os valores acordados com o Governo.
Atrasos do Governo levam chapas à paralisação Foto: Sitoi Lutxeque/DW
Castigo Nhamate (CN): O transporte está a circular. É verdade que, nas primeiras horas de hoje, houve alguma agitação, sobretudo no transporte em duas rodas. No entanto, graças ao trabalho de sensibilização que temos vindo a realizar desde a semana passada, a situação regressou à normalidade.
DW África: Uma das questões levantadas pelos transportadores nesta paralisação tem a ver com o pagamento dos subsídios. Alegam que o Governo não está a cumprir os pagamentos acordados. O que tem a dizer sobre esta reclamação?
CN: O Governo está a pagar. Está a fazê-lo de forma gradual, aos poucos, mas está a pagar. É diferente dizer que os pagamentos estão a ser feitos de forma faseada e afirmar que o Governo não está a pagar. Penso que isso deve ficar claro. O Governo está a pagar. Neste preciso momento, enquanto falamos, estão a entrar valores nas contas dos transportadores.
Agora, concordarmos ou não com o modelo de pagamento é uma questão que continuamos a discutir com o Governo. A negociação com o Governo é um processo. Os operadores não esperavam que a solução surgisse de imediato e de uma só vez. Levámos as nossas preocupações à mesa das negociações. A nossa proposta assenta na manutenção do subsídio e na revisão da tarifa. Entretanto, o diálogo continua.
DW África: Quanto está a ser pago? Quanto foi negociado com o Governo para cada operador?
CN: Os valores negociados foram definidos em função da lotação de cada viatura.
Crise dos transportes em Maputo aproxima estranhos
08:31
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DW África: No caso específico de um chapa de 15 lugares, qual é o valor pago?
CN: No caso específico de um chapa de 15 lugares, o valor pago é de cerca de 35 mil meticais por mês.
DW África: Outra questão frequentemente levantada é a de que os 35 mil meticais são insuficientes, tendo em conta os custos operacionais de um chapa. O que tem a dizer sobre isso?
CN: Essa é uma preocupação que também faz parte das nossas negociações. Os 35 mil meticais foram calculados apenas com base no aumento do preço do gasóleo. Contudo, qualquer pessoa sabe que os custos operacionais não se limitam ao combustível. Há também despesas com óleos lubrificantes, baterias e outros consumíveis, que igualmente sofreram aumentos na sequência da subida dos preços dos combustíveis.
É precisamente por essa razão que surgiu a proposta de revisão da tarifa como alternativa.
DW África: Qual poderá ser o reajuste? Que valores estão a ser considerados?
CN: Não vou avançar quaisquer números nesta fase, porque continuam a ser apenas propostas. As negociações com o Governo ainda estão em curso e estamos a trabalhar nesse sentido.
Desde o "chapa" ao "my love", passando pelo autocarro: andar de transportes em Chimoio, província de Manica, centro de Moçambique, significa correr riscos. Viaturas em péssimo estado e falta de fiscalização são rotina.
Foto: DW/B. Jequete
Latas em trânsito
É uma visão comum nas ruas da cidade de Chimoio: os dedos das mãos não chegam para contar as viaturas de transporte de passageiros que deveriam estar fora de circulação há muitas inspeções atrás. Mas os residentes não têm grande escolha e vêem-se forçados a andar em mini-autocarros como o da imagem - conhecidos por "chapas" - com portas que não fecham bem, pneus em mau estado e luzes avariadas.
Foto: DW/B. Jequete
Sentar é arriscado
No interior dos veículos, o cenário é idêntico. Os assentos em grande parte dos chapas já viram melhores dias. Além do desconforto, a situação chega a colocar os passageiros em risco: há mini-autocarros em que vão sentados em ferros, mesmo em viagens mais longas. E subir e descer dos transportes é muitas vezes sinónimo de chegar ao destino com a roupa rasgada devido às más condições dos bancos.
Foto: DW/B. Jequete
Famoso...e empoeirado
Além do risco de acidentes, há também ameaças à saúde dos passageiros. Em muitos chapas, as janelas deixaram de ser de vidro há vários quilómetros. A fita-cola usada para "remediar" não é suficiente para travar a poeira e a poluição. E as viagens são feitas a respirar este ar impuro.
Foto: DW/B. Jequete
Remendos também nos transportes públicos
Os autocarros geridos pela autarquia também precisam de manutenção. O material escolhido para substituir este vidro foi a fita-cola, que serve também para remendar tejadilhos. Andar de autocarro público em época de chuva pode significar chegar molhado ao destino. E os passageiros questionam o trabalho de inspeção das autoridades, numa altura em que aumenta o licenciamento de viaturas obsoletas.
Foto: DW/B. Jequete
Uma frota degradada
Na paragem de transportes urbanos que fazem a rota Cidade-Bairro 5 e vice-versa, nenhum carro está em condições para o efeito. E todos passaram e passam de seis em seis meses a inspeção de viaturas e circulam sob o olhar dos agentes reguladores de trânsito. Alguns passageiros preferem andar a pé em vez de correrem riscos a bordo.
Foto: DW/B. Jequete
Verificar condições antes de arrancar
Os passageiros que continuam a arriscar viajar nos chapas degradados verificam as condições dos veículos antes de subirem a bordo. Se não oferecerem condições mínimas - especialmente no caso dos assentos - desistem e esperam pela próxima viatura.
Foto: DW/B. Jequete
Viagens de risco nos "my love"
Por falta de transportes em algumas rotas na cidade e na província, as viaturas de caixa aberta também fazem transporte de passageiros - uma atividade ilegal. Os chamados "my love" foram concebidos para o transporte de mercadorias. Não há qualquer tipo de segurança para as pessoas a bordo.
Foto: DW/B. Jequete
Sem condições? Sem problema
Engane-se quem pensa que não há fiscalização. Nenhuma viatura que faz o serviço de transporte de passageiros escapa às rondas dos agentes reguladores de trânsito. Mas a polícia fecha os olhos às más condições dos veículos e deixa passar os chapas, gerando muitas críticas entre a população, que questiona os critérios das autoridades. Em vez de sanções, só há extorsão, dizem os residentes.
Foto: DW/B. Jequete
Remendos para todos os gostos
São inúmeras as soluções encontradas pelos proprietários para manterem os chapas em funcionamento: se os fechos já não funcionam, usam-se cordas, arames ou correntes - mas há casos em que as portas caem nas vias, impedindo a circulação. Se o veículo já não tem ignição, faz-se uma ligação direta, contrata-se alguém para empurrar ou estaciona-se numa rampa - colocando os passageiros em risco.
Foto: DW/B. Jequete
Novos autocarros são gota no oceano
O Ministério dos Transportes acaba de alocar para a província de Manica dez autocarros para o transporte público. Destes, apenas três vão para Chimoio, uma cidade com 33 bairros e mais de 300 mil habitantes.
Foto: DW/B. Jequete
Ministro promete mais
O Ministro dos Transportes, Carlos Mesquita, viaja com o governador de Manica, à direita, e o presidente da autarquia de Chimoio, à esquerda, momentos depois de fazer a entrega dos autocarros às empresas privadas que gerem os transportes. Mas não há lugares para todos nesta viatura com capacidade para 88 passageiros. O ministro promete mais autocarros para a província de Manica.
Foto: DW/B. Jequete
À espera de novas viaturas e novas regras
Além de mais veículos, o Governo promete outras medidas para regular o setor. Até lá, os "my love", os chapas e os (poucos) autocarros - mesmo degradados - são a solução possível para os residentes de Chimoio e da província de Manica.