1. Ir para o conteúdo
  2. Ir para o menu principal
  3. Ver mais sites da DW

Moçambique: Sem subsídios, chapas param em Maputo e Matola

28 de julho de 2026

Filas, passageiros a caminhar e contestação dos transportadores marcaram a manhã em Maputo e Matola. A FEMATRO admite atrasos nos subsídios, mas garante que os pagamentos estão a ser feitos de forma gradual.

Moçambique: Chapa em Nampula
Chapas paralisam parcialmente em Maputo e Matola devido a atrasos nos subsídiosFoto: Sitoi Lutxeque/DW

A manhã desta segunda-feira (27.07) marcada por perturbações no transporte público em Maputo e Matola, depois de os transportadores semicolectivos de passageiros terem paralisado parcialmente a atividade em protesto contra os atrasos no pagamento dos subsídios estatais destinados a compensar a subida dos preços dos combustíveis.

A paralisação provocou longas filas nas paragens e obrigou muitos passageiros a percorrerem vários quilómetros a pé.

Em declarações à DW, o vice-presidente da Federação Moçambicana das Associações dos Transportadores Rodoviários (FEMATRO), Castigo Nhamate, afirmou que a paralisação se registou apenas em duas rotas para o centro de Maputo e garantiu que a circulação já foi normalizada.

Nhamate assegurou ainda que os subsídios estão a ser pagos de forma gradual. Ainda assim, mais de metade dos cerca de cinco mil operadores licenciados nos municípios de Maputo, Matola, Boane e Marracuene continua sem receber os valores acordados com o Governo.

Atrasos do Governo levam chapas à paralisação Foto: Sitoi Lutxeque/DW

Castigo Nhamate (CN): O transporte está a circular. É verdade que, nas primeiras horas de hoje, houve alguma agitação, sobretudo no transporte em duas rodas. No entanto, graças ao trabalho de sensibilização que temos vindo a realizar desde a semana passada, a situação regressou à normalidade.

DW África: Uma das questões levantadas pelos transportadores nesta paralisação tem a ver com o pagamento dos subsídios. Alegam que o Governo não está a cumprir os pagamentos acordados. O que tem a dizer sobre esta reclamação?

CN: O Governo está a pagar. Está a fazê-lo de forma gradual, aos poucos, mas está a pagar. É diferente dizer que os pagamentos estão a ser feitos de forma faseada e afirmar que o Governo não está a pagar. Penso que isso deve ficar claro. O Governo está a pagar. Neste preciso momento, enquanto falamos, estão a entrar valores nas contas dos transportadores.

Agora, concordarmos ou não com o modelo de pagamento é uma questão que continuamos a discutir com o Governo. A negociação com o Governo é um processo. Os operadores não esperavam que a solução surgisse de imediato e de uma só vez. Levámos as nossas preocupações à mesa das negociações. A nossa proposta assenta na manutenção do subsídio e na revisão da tarifa. Entretanto, o diálogo continua.

DW África: Quanto está a ser pago? Quanto foi negociado com o Governo para cada operador?

CN: Os valores negociados foram definidos em função da lotação de cada viatura.

Crise dos transportes em Maputo aproxima estranhos

08:31

This browser does not support the video element.

DW África: No caso específico de um chapa de 15 lugares, qual é o valor pago?

CN: No caso específico de um chapa de 15 lugares, o valor pago é de cerca de 35 mil meticais por mês.

DW África: Outra questão frequentemente levantada é a de que os 35 mil meticais são insuficientes, tendo em conta os custos operacionais de um chapa. O que tem a dizer sobre isso?

CN: Essa é uma preocupação que também faz parte das nossas negociações. Os 35 mil meticais foram calculados apenas com base no aumento do preço do gasóleo. Contudo, qualquer pessoa sabe que os custos operacionais não se limitam ao combustível. Há também despesas com óleos lubrificantes, baterias e outros consumíveis, que igualmente sofreram aumentos na sequência da subida dos preços dos combustíveis.

É precisamente por essa razão que surgiu a proposta de revisão da tarifa como alternativa.

DW África: Qual poderá ser o reajuste? Que valores estão a ser considerados?

CN: Não vou avançar quaisquer números nesta fase, porque continuam a ser apenas propostas. As negociações com o Governo ainda estão em curso e estamos a trabalhar nesse sentido.