Movimentos apelam a desobediência civil na Guiné-Bissau
30 de novembro de 2025
A Frente Popular, o Movimento Revolucionário Po di Terra e o Firkidja di Pubis apelaram, através de um comunicado, à realização de uma greve geral e de ações de desobediência civil na Guiné-Bissau.
No texto, os movimentos afirmam que "chegou o momento de tomar uma posição firme" em defesa da "verdade eleitoral" e da "libertação dos presos políticos", acusando o atual cenário político de representar um "ataque à vontade popular", à Constituição e à ordem democrática. O comunicado critica ainda o Presidente Umaro Sissoco Embaló e o Alto Comando Militar, que consideram ter "traído o povo guineense".
A greve geral e a desobediência civil são apresentadas como formas de exigir quatro pontos: reposição da verdade eleitoral, reposição da ordem constitucional, libertação dos presos políticos e "fim da ditadura sissoquista".
Os movimentos pedem a adesão da população, defendendo que a paralisação será "um grito de unidade" e sublinhando que esta representa apenas "uma fase da resistência".
As eleições, que decorreram sem incidentes no passado dia 23, realizaram-se sem a participação do PAIGC e do seu candidato, Domingos Simões Pereira, excluídos da disputa e que declararam apoio ao candidato opositor Fernando Dias da Costa. Este último tinha reclamado vitória na primeira volta sobre o Presidente Embaló, candidato a um segundo mandato. A divulgação dos resultados oficiais estava prevista para 27 de novembro.
A tomada de poder pelos militares, que destituíram o Presidente cessante, Umaro Sissoco Embaló, e suspenderam o processo eleitoral, foi condenada pela comunidade internacional. A oposição denuncia a intervenção militar como uma manobra para impedir a divulgação dos resultados eleitorais.