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Movimentos cívicos alertam para subversão na Guiné-Bissau

27 de janeiro de 2026

Frente Popular e Firkidja de Pubis estão preocupados com "evolução drástica" da subversão constitucional e exigem que militares abandonem instituições do Estado. População espera conhecer resultados eleitorais de 2025.

O general Horta N'Tam 8ao centro) rodeado de líderes militares após a tomada de posse em Bissau, em 27.11.2025
"Exigimos a saída imediata dos militares das instituições do Estado, a tomada de posse do Presidente eleito e a libertação de todos os detidos", diz Djoseph Júnior, membro do movimento Firkidja de PubisFoto: Patrick Meinhardt/AFP

Os movimentos cívico-políticos Frente Popular e Firkidja de Pubis  dizem estar empenhados na luta pela conquista e defesa das liberdades democráticas na Guiné-Bissau, rejeitaram categoricamente, através de um comunicado conjunto, o decreto presidencial que fixa 6 de dezembro para a realização de novas eleições gerais. Segundo as organizações, o documento não tem respaldo legal e representa apenas uma "manobra de fuga para a frente” por parte das atuais autoridades militares.

Djoseph Júnior, membro da Firkidja de Pubis, pede à comunidade internacional para agir: "Apelamos à comunidade internacional a adoção de sanções que favoreçam o regresso à ordem democrática na Guiné-Bissau. Exigimos a saída imediata dos militares das instituições do Estado, a tomada de posse do Presidente eleito e a libertação de todos os detidos."

No comunicado, as organizações denunciam ainda o desaparecimento de dois dirigentes do Movimento Revolucionário Pó de Terra, Vigário Luís Balanta e Davide Agostinho Fanda. De acordo com o documento, os dois líderes estão desaparecidos há quase uma semana, desde a convocação da última manifestação da sociedade civil no dia 20 de janeiro.

Entretanto, completaram-se ontem dois meses desde o último golpe de Estado, que interrompeu o processo eleitoral e deu início a um novo ciclo de instabilidade política e governativa. O golpe foi assumido pelo Alto Comando Militar, que atualmente lidera o país através de um governo de transição previsto para durar 12 meses. Na semana passada, as autoridades militares anunciaram a marcação de novas eleições gerais, decisão que tem sido fortemente contestada por figuras políticas e sociedade civil.

Guineenses rejeitam novas eleições

Entretanto, os guineenses rejeitam um novo escrutínio e continuam a exigir a divulgação dos resultados das últimas eleições, realizadas em novembro passado. Para muitos, novas eleições representam um "desperdício de recursos públicos".

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"Temos de repensar o nosso país e olhar para o futuro, mas também queremos conhecer os resultados das últimas eleições", disse um guineense à DW. "Acabámos de sair de eleições. Realizar novas eleições agora seria um desperdício dos recursos dos guineenses", considera outra cidadã.

"No mínimo, deveria ser criado um governo inclusivo, com a participação de todos os partidos, para garantir transparência. Se formos a eleições nestas condições, voltaremos à mesma situação", conclui outro cidadão ouvido pela DW.

Regresso dos militares aos quartéis

Como solução para a atual crise social e política, cidadãos ouvidos pela DW apelam ao regresso dos militares aos quartéis e defendem que ainda é possível a Comissão Nacional de Eleições (CNE) divulgar os resultados das últimas eleições. "A melhor solução é os militares regressarem aos quartéis e permitirem que os civis governem. Mesmo havendo transição, deve ser uma transição civil, sem participação militar", defendem.

"Acredito que ainda é possível a CNE divulgar os resultados das últimas eleições, que é o desejo de todos os guineenses", disse outro guineense à DW.  "A situação da Guiné-Bissau vai de mal a pior porque estamos já há dois meses depois das últimas eleições e não temos nenhum resultado que poderia ser benéfico para os cidadãos guineenses", remata outro eleitor.

Os cidadãos reconhecem que, com o golpe militar, o país atravessa um momento particularmente difícil, marcado pelo aumento da vulnerabilidade social e dos desafios económicos.

O analista político Paulino Quadé alerta que a situação pode tornar-se insustentável: "Ir a eleições nestas condições a sociedade está a admitir a militarização da nossa democracia. Quem irá dirigir efetivamente o processo eleitoral não será a Comissão Nacional de Eleições (CNE), mas sim os quartéis. A CNE será apenas uma máscara neste processo."

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