A Mozal, maior indústria moçambicana, está em regime de manutenção e conservação desde domingo (15.03), prevendo gastar 52,4 milhões de euros com a suspensão da fundição, incluindo no despedimento dos trabalhadores.
Com a Mozal a entrar na fase de manutenção e conservação, espera-se agora que mais empresas comecem a fecharFoto: DW/R. da Silva
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A fundição, uma das maiores em África - com mais 1.000 trabalhadores diretos e 4.000 indiretos -, está desde ontem sem produção. A South32 referiu hoje que prevê gastar 60 milhões de dólares (52,4 milhões de euros), incluindo na "rescisão de contratos", custando só a manutenção, anualmente, cinco milhões de dólares (4,4 milhões de euros).
"Nos últimos seis anos, envolvemo-nos extensivamente com o Governo da República de Moçambique, com a Eskom [sul-africana que compra energia a Moçambique e a vendia à fundição] e com outras partes interessadas, mas não conseguimos garantir um fornecimento de energia suficiente e acessível para a Mozal para além de março de 2026", disse Graham Kerr, diretor executivo da australiana South32 (que detém 63,7% da fundição), citado numa informação divulgada hoje pela empresa.
"Embora este não seja o desfecho que desejávamos, orgulhamo-nos da história e da contribuição significativa que a Mozal deu à comunidade local e à economia moçambicana nos seus 25 anos de operação", acrescentou Kerr..
Pelo menos cinco empresas já encerraram e dezenas de outras podem paralisar as atividades no Parque Industrial de Beluluane, sul de Moçambique, devido à suspensão da Mozal, segundo a empresa que gere aquela infraestrutura.
"Nós estimamos um universo de 25 empresas que prestam bens e serviços à Mozal. Já fomos comunicados que a maioria destas empresas, em função da paralisação das atividades na Mozal, também estão a considerar acionar os mecanismos na mesma proporção", disse à Lusa Onório Manuel, diretor-geral da Mozparks, entidade que gere aquele parque industrial, o maior do país, a 20 quilómetros de Maputo.
Complexo nos arredores da capital Maputo concentra a maior parte das indústrias do país e é uma grande fonte de receitas. Mas muitas fábricas são criticadas por contribuírem para o agravamento dos níveis de poluição.
Foto: DW/R. da Silva
Avenida das Indústrias
Nesta avenida, há indústrias que foram o sustentáculo da economia de Moçambique no tempo do socialismo. São empresas que acabaram falindo pelas circunstâncias do tempo, daí foi atribuída a esta via o nome de Avenida das Indústrias.
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Parque industrial de Beluluane
A região de Beluluane é onde está o maior parque industrial de Moçambique. Esta zona abriga igualmente a maior indústria de processamento de alumínio, a multinacional Mozal. A empresa faz parte dos chamados "megaprojetos" em Moçambique.
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A gigante do alumínio
Instalada em Beluluane, a Mozal é a maior indústria na Matola. A empresa de alumínio é responsável por parte significativa do total das exportações de Moçambique. Pela sua grandeza, a Mozal consome uma boa parte da energia elétrica gerada no país.
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Impacto
Apesar de gerar muitas receitas, a Mozal e continua a ser duramente criticada por causa da poluição que causa ao meio ambiente. Apesar de estar longe de residências, o impacto das suas atividades faz-se sentir na vida da população.
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Nos trilhos
A Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM) desempenha um papel de sacramental importância no transporte de carga diversa a partir e para o porto da Matola. Em passagens de nível, os guardas devem estar atentos para evitar qualquer tipo de acidente, pois os comboios – muitos longos – passam quase que com frequência.
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Transporte de mercadorias
À saída do parque industrial de Beluluane, vimos este camião a transportar lingotes, produto final do alumínio, dirigindo-se para o porto de Maputo, de onde o produto será exportado. São muitos os camiões que saem e entram na zona industrial de Beluluane.
Foto: DW/R. da Silva
Abastecimento de gás
É neste local onde as botijas de gás são abastecidas para fornecer o produto à população não só da Matola bem como da capital Maputo e toda a zona sul. Aqui, o gás liquefeito é drenado para mais tarde fazer-se enchimentos para diversas empresas que fazem a distribuição. A imagem, como se pode ver, é obstruída pela nuvem de poeira que sai da vizinha empresa Cimentos de Moçambique.
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Cimento e poluição
A Cimentos de Moçambique é outra das empresas poluidoras na zona da Matola. Como se pode ver na imagem, a vegetação perdeu a sua cor por causa da poeira causada pelo fabrico de cimento. Aliás, a população que vive nas redondezas, por diversas vezes, queixa-se de problemas pulmonares.
Foto: DW/R. da Silva
Terminal de combustíveis
Este é um dos terminais de combustíveis no parque industrial da Matola. O produto que sai deste local se destina às bombas de combustíveis espalhadas pelas cidades de Maputo, Matola, Boane e a província de Maputo. Como se pode ver, há nuvens de poeira que também tiram a nitidez da imagem, já que este terminal fica próximo da Cimentos de Moçambique.
Foto: DW/R. da Silva
Tráfego intenso
A Estrada Nacional número 4 (EN4) está a ser alargada devido ao intenso tráfego rodoviário, principalmente de camiões de carga, que muitas vezes atrasa vários serviços. Como se pode ver na imagem, são agora três faixas de rodagem que permitem que o tráfego rodoviário flua sem períodos de abrandamento.
Foto: DW/R. da Silva
Fábrica de sabões e óleos
Apesar de produzir o detergente mais procurado no mercado nacional, o "sabão bingo", esta empresa não deixa de ser uma das que polui o ambiente. Bem em frente à empresa, há uma pequena drenagem de águas que não têm destino.
Foto: DW/R. da Silva
Residentes convivem com a poluição
Algumas residências que estão nas zonas industriais foram proibidas de ser construídas por se tratar de zonas impróprias para o efeito. Mas por causa da falta de espaços ou por insistência, muitas pessoas acabaram fixando as suas residências perto das indústrias e estão a pagar caro por isso.
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Limpeza industrial
A empresa Transporte e Serviços Gerais (TSG) tenta minimizar o impacto negativo da atividade industrial ao meio ambiente recolhendo resíduos industriais perigosos para destinos longe das pessoas. É uma empresa que presta serviços à Mozal e a outras que estão no parque industrial de Beluluane.
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Outros encerramentos
Com a Mozal a entrar na fase de manutenção e conservação, espera-se agora que mais empresas comecem a fechar, já que algumas destas fábricas tinham de continuar em operação até ao momento da paralisação da fundição, por fazerem "parte do processo em si de desligamento em segurança da Mozal", explicou.
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"Neste momento já contamos com uma média de cinco que já encerraram as atividades, aquelas que estavam muito mais ligadas à produção, porque existem empresas de manutenção da parte elétrica, manutenção industrial e por aí em diante", assinalou.
Com a saída da fábrica em Moçambique, prevê-se agora um impacto "nefasto" no ritmo de crescimento e desenvolvimento do parque, que estava, segundo o responsável, "muito acelerado e atraindo cada vez mais indústrias".
"Na cifra da indústria transformadora, no Produto Interno Bruto, [a Mozal] contribuía com uma média de 49%, ou seja, o PIB de Moçambique é de 16 mil milhões de dólares [13,8 milhões de euros], a indústria transformadora contribui em 10%. Estamos a falar de 1,6 mil milhões de dólares [1,3 milhões de euros] de contribuição da indústria, quase a metade disso, é a contribuição da Mozal, então, até o PIB de Moçambique, sobretudo, no setor social, vai decrescer", concluiu Onório Manuel.
A South32 considerou anteriormente "totalmente insustentável" a tarifa de energia proposta à fundição de alumínio Mozal, em Maputo, justificando assim o seu encerramento, sem descartar reativar a maior indústria moçambicana, se as condições mudarem.
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