Mulher guineense ainda enfrenta "desafios extremos"
30 de janeiro de 2026
Desde que a Lei da Paridade foi aprovada na Guiné-Bissau, em 2018, as críticas e denúncias sobre as condições da mulher intensificaram-se. A legislação prevê uma participação mínima de 36% das mulheres na esfera de tomada de decisões a nível nacional.
No entanto, a aprovação da Lei da Paridade não alterou a realidade. A situação da mulher guineense é marcada por sobrecarga de trabalho doméstico, familiar e económica, pouco tempo para o descanso, autocuidado e lazer.
Muitas mulheres trabalham no setor informal e são obrigadas a permanecer várias horas no trabalho, para garantir o sustento.
Claudina Viegas, vice-presidente da Liga Guineense dos Direitos Humanos (LGDH), diz que a realidade da mulher na Guiné-Bissau está longe da almejada, embora destaque algumas potencialidades:
"A situação da mulher na Guiné-Bissau é marcada por desafios extremos. Estamos a falar de uma realidade marcada por desigualdades persistentes. Mas também não podemos negligenciar os potenciais de transformação, todo o esforço, toda a resiliência, a potência transformação e força da mulher guineense."
Condições precárias
Segundo um relatório recentemente divulgado pelo projeto Observatório da Mulher, uma iniciativa das organizações da sociedade civil guineense, no país, a maior parte das mulheres vive em condições habitacionais precárias, com o acesso limitado à água, ao saneamento e eletricidade, enfrentando ainda a insegurança alimentar.
À DW, o sociólogo Ivanildo Paulo Bodjam alerta para a gravidade da situação.
"Se nós não conseguirmos dar à mulher o espaço na estrutura da tomada de decisão, na família e nas esferas das organizações da sociedade, vamos continuar a falhar na tentativa de identificar uma determinada aspiração do ponto de vista de desenvolvimento", afirma.
O sociólogo destaca o papel da mulher na família e no desenvolvimento do país.
"Podemos considerar a família como núcleo vital ou macroestrutura da determinada sociedade. E a mulher tem revelado as suas capacidades e competências na gestão desta macroestrutura essencial para a produção dos consensos nacionais e dos valores," pondera.
Baixa representatividade
Nas eleições legislativas de 23 de novembro do ano passado, só houve uma formação política dirigida por uma mulher que concorreu em alguns círculos eleitorais: trata-se do Movimento Social Democrático (MSD), liderado por Joana Cobde Nhanca.
Entre os candidatos a deputado em 29 círculos eleitorais, também houve poucas mulheres como cabeças de lista, nas 14 formações concorrentes. Quanto às presidenciais, nenhuma mulher se candidatou.
Para a vice-presidente da LGDH, Claudina Viegas, deve haver mecanismos, estruturas e políticas que garantam uma base sólida para as mulheres.
"Na educação, bolsas [de estudo] para mulheres, especificamente para meninas, transporte escolar para meninas, combate ao casamento infantil, alfabetização das mulheres e o seu envolvimento nas lideranças comunitárias," enumera.
O Dia da Mulher Guineense assinala-se todos os anos a 30 de janeiro, em homenagem à heroína da luta pela independência, Titina Silá, morta pela tropa colonial, nesse dia, em 1973.