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FutebolCabo Verde

Mundial2026: Cabo Verde qualifica-se pela primeira vez

13 de outubro de 2025

Cabo Verde tornou-se hoje o quarto país lusófono apurado para fases finais de Campeonato do Mundo de futebol, num lote liderado pelo Brasil, recordista de títulos e e acentuado por Portugal e Angola.

FIFA WM-Qualifikation Afrika 2026 | Kap Verde vs. Eswatini | Fans verfolgen Spiel in Fanzone
Foto: Queila Fernandes/AFP/Getty Images

No Estádio Nacional, na Praia, Dailon Livramento, aos 48 minutos, Willy Semedo, aos 54, e Stopira, aos 90+1, fabricaram o resultado para a equipa de Bubista contra o eSwatini, assegurando o primeiro lugar do grupo D, com 23 pontos, mais quatro do que Camarões, segundos posicionados, que hoje empataram 0-0 na receção a Angola. 

Os 'tubarões azuis' chegaram à 10.ª à derradeira ronda como líderes da 'poule' e pela frente tiveram uma seleção já sem chances de qualificação, que pouco quis jogar, preferindo defender em bloco baixo e parar o encontro várias vezes, nomeadamente através do guarda-redes Shabalala. 

Os primeiros 45 minutos acabaram por não ter grandes motivos de interesse, com a grande ocasião a pertencer aos cabo-verdianos, pelos pés do avançado do Casa Pia Dailon Livramento, que recebeu uma bola vinda de trás, mas, bem enquadrado, acabou por rematar ao lado da baliza.

Tubarões Azuis estão no Mundial de 2026Foto: Ebenezer Amoakoh/IMAGO/Samuello Sports Images

Se a primeira parte foi escassa em oportunidades, a segunda começou logo com o golo inaugural dos anfitriões, quando decorria o minuto 48, por intermédio de Dailon Livramento, que se redimiu do falhanço no primeiro tempo, beneficiando, desta vez, do ressalto na defensiva do Essuatíni para empurrar a bola à 'boca da baliza'. 

Pouco depois, surgiu o 2-0, que, praticamente, 'selou' a qualificação para a 23.ª edição do Campeonato do Mundo de futebol, que se realiza de 11 de junho a 19 de julho de 2026, nos Estados Unidos, Canadá e México.  

Um cruzamento do lado direito do ataque para o segundo poste foi recebido por Diney Borges, que, de cabeça, serviu de 'bandeja' Willy Semedo para o segundo dos 'tubarões azuis'.  

No período de descontos, e com a defensiva adversária muito mal posicionada, o jogador do Torreense Stopira, lançado na reta final, apareceu para anotar o terceiro de Cabo Verde, face às dificuldades dos visitantes em aliviar a bola da zona perigosa.  

Desta forma, Cabo Verde é o terceiro estreante a assegurar uma vaga entre as 48 seleções presentes no Mundial2026, juntamente com Jordânia e Uzbequistão, tornando-se na sexta nação africana apurada, depois de Marrocos, Tunísia, Egito, Argélia e Gana. 

"Não tenho palavras, é um momento gratificante. Essa vitória é de todos nós os combatentes que lutaram pela nossa liberdade, essa felicidade é de todos. O ambiente foi espetacular, todos lutaram para os nossos jogadores e a vitória tinha que ser essa para os povos sentirem alegria. O Mundial é depois", declarou Bubista.

Grande conquista

Com quase 525.000 habitantes dispersos por 10 ilhas, Cabo Verde é, para já, o segundo menor país em população a chegar a um Mundial, ficando apenas atrás da Islândia, que reúne cerca de 400.000 residentes e não passou da fase de grupos em 2018, na Rússia.

Os lusófonos poderão também tornar-se a mais pequena nação em área a disputar uma fase final, ao dispersarem-se por quase 4.000 quilómetros quadrados, abaixo dos 5.100 de Trindade e Tobago, presente em 2006 e eliminada ao fim de três partidas, na Alemanha.

O inédito acesso ao Campeonato do Mundo coroará um trajeto ascensional dos 'tubarões azuis' na última década, marcada pela maior competitividade e por quatro campanhas na Taça das Nações Africanas (CAN), metade das quais terminadas nos quartos de final (2013 e 2023), por entre afastamentos na primeira fase (2015) e nos 'oitavos' (2021), num histórico que terá nova interrupção em dezembro, devido à ausência da próxima edição.

Cabo Verde passa agora a ser o 14.º país africano em Mundiais, que já incluíram nos 22 torneios anteriores três nações de língua oficial portuguesa: Angola, participante em 2006, Brasil, único pentacampeão (1958, 1962, 1970, 1994 e 2002) e recordista de presenças, e Portugal, oito vezes apurado para fases finais e terceiro classificado na estreia, em 1966.

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Lusos e brasileiros mediram forças por duas vezes nesse contexto, ambas na terceira e última jornada da fase de grupos, com um triunfo da equipa das 'quinas' em 1966 (3-1), em Liverpool, em Inglaterra, e um empate em 2010 (0-0), em Durban, na África do Sul.

Dois golos de Eusébio - melhor marcador do Mundial1966, com nove tentos - e um de António Simões, contra outro de Rildo, permitiram a Portugal terminar a primeira fase com um pleno de vitórias e contribuir para o afastamento do Brasil, então bicampeão em título.

Os lusos rubricaram em Inglaterra a sua melhor presença, mas jamais voltaram ao pódio, ao contrário do 'escrete', que, além dos cinco troféus, foi segundo classificado em 1950, na primeira de duas edições que organizou, e 1998, e ficou em terceiro em 1938 e 1978.

Portugal aproximou-se dessa fasquia em 2006, ao ser quarto, numa campanha iniciada com uma vitória sobre Angola (1-0), em Colónia, na Alemanha, onde um golo de Pauleta decidiu o primeiro jogo em Mundiais dos 'palancas negras', arredados na fase de grupos.

Se o Brasil assegurou em junho uma vaga no Mundial2026, Portugal pode alcançar na terça-feira a nona qualificação, e sétima consecutiva, ao passo que a Angola já está arredada, tal como os também lusófonos Guiné-Bissau, Guiné Equatorial e Moçambique

Depois de identificar talentos na diáspora, que o deixa no 70.º lugar do ranking da FIFA - tinha evoluído de 182.º em 2000 para 27.º em 2014 -, Cabo Verde aproveitou a extensão de cinco para nove vagas diretas em África, mais uma via play-off, para fazer história.

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