Número de manifestantes mortos no Irão ultrapassa 2.500
14 de janeiro de 2026
De acordo com a Agência de Notícias dos Ativistas pelos Direitos Humanos, com sede nos Estados Unidos, 2.403 dos mortos eram manifestantes e 147 estavam ligados ao Governo. Segundo a vice-diretora da ONG, Skylar Thompson, 12 crianças foram mortas, juntamente com nove civis que não participavam nos protestos. "Este é um número extraordinariamente alto por si só. Uma morte já é demais, mas agora temos um número realmente alto", disse.
O número de detidos também aumentou para mais de 18.100. O número divulgado pela ONG supera em muito o número de mortos de qualquer outra onda de protestos ou distúrbios no Irão em décadas e faz lembrar o caos que envolveu a Revolução Islâmica de 1979 no país.
"São pessoas que estão a ser detidas arbitrariamente em instalações de detenção por vezes desconhecidas e que também estão a ser sujeitas a confissões forçadas. Documentámos um número sem precedentes de confissões forçadas nos últimos 16 dias, e um número de 97 confissões forçadas num período de tempo tão curto é extremamente preocupante", afirmou Thompson.
Internet restrita
A televisão estatal iraniana reconheceu ontem, pela primeira vez, um elevado número de mortes, afirmando que foram registados "muitos mártires". Um apresentador leu uma declaração que dizia que "grupos armados e terroristas" levaram o país "a entregar muitos mártires a Deus", embora sem detalhar qualquer número.
Os meios de comunicação social estatais noticiaram que pelo menos 121 membros das forças militares, policiais, de segurança e judiciais da República Islâmica morreram durante os protestos.
Com a internet praticamente restrita no Irão, avaliar o impacto das manifestações a partir do estrangeiro tornou-se mais difícil, apesar dos iranianos terem na terça-feira conseguido voltar a fazer chamadas internacionais.
"Nos últimos dias, enfrentámos um grande desafio. Trata-se de um bloqueio sem precedentes da Internet. Não se trata apenas da estrutura internacional da Internet, mas também de todos os canais de comunicação domésticos, incluindo linhas de telemóveis e até linhas fixas, o que realmente perturba e retarda o fluxo de informação. Reduz realmente a nossa informação ao mínimo."
Trump diz que "a ajuda está a caminho"
O Presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou esta terça-feira (13.01) que cancelou as negociações com as autoridades de Teerão e assegurou aos cidadãos iranianos que "a ajuda está a caminho". Através de uma publicação na Truth Social, Trump exortou os que denominou de "patriotas iranianos" a "continuarem a protestar" e a "tomar o controlo das instituições".
Trump não deu detalhes sobre o que envolve esta ajuda e questionado pelos jornalistas se teria em mente ataques aéreos para proteger os manifestantes, respondeu: "Nunca se sabe, não é? Até agora, o meu histórico tem sido excelente, mas nunca se sabe. Temos que tomar uma decisão, mas não posso, obviamente não posso dizer isso."
Em resposta, o governo Iraniano acusou os Estados Unidos de procurarem criar um pretexto para uma intervenção militar. Num comunicado publicado na rede social X, o poder iraniano descreve que "as fantasias e a política dos EUA em relação ao Irão estão enraizadas na mudança de regime", com sanções, ameaças, agitação orquestrada e caos servindo como modus operandi para criar um pretexto para a intervenção militar, prometendo que o "roteiro" de Washington "falharia novamente".
Em nova resposta ao poder iraniano, Donald Trump disse que não tem medo e deixou um recado: "Sim, o Irão disse isso da última vez que eu o destruí com a capacidade nuclear, que eles já não têm. É melhor comportarem-se."
O Irão está a ser agitado por uma vaga de protestos desde 28 de dezembro, iniciada em Teerão por comerciantes e setores económicos afetados pelo colapso do rial, a moeda iraniana, e pela elevada inflação, alastrando-se depois a mais de 100 cidades do país.