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Navio retido em Moçambique por suspeita de fraude na carga

22 de agosto de 2025

Governo moçambicano impede partida de navio rumo à China por suspeitas de exportação ilegal de madeira. Empresa nega irregularidades e acusa o Estado de extorsão.

Moçambique Beira 2025 | Madeira ilegal apreendida no porto
Suspeita de exportação ilegal leva Governo a travar navio no Porto da BeiraFoto: Arcénio Sebastião/DW

O Governo de Moçambique travou a partida do navio Africa Two, da companhia CMA, que estava prevista para as 13 horas da última quinta-feira (21.08), na sequência de uma ordem judicial emitida após um pedido de providência cautelar apresentado pela AQUA — Agência Nacional para o Controlo de Qualidade. Aconteceu no porto da cidade da Beira, centro de Moçambique.

A medida surge após denúncias sobre um alegado esquema de exportação ilegal de madeira em touro e em viga, formatos cuja exportação está proibida no país desde 2017.

O processo de descarregamento e reverificação da mercadoria terminou ao início da noite. De acordo com Arsénio Chelengo, chefe do Departamento Central de Fiscalização da AQUA, não foi detetada madeira em touro nos 111 contentores inspecionados. No entanto, outras incongruências referidas na denúncia serão analisadas nas próximas horas.

"A existência de madeira em touro foi, para já, descartada. Seguiremos agora para uma nova fase, que consiste na análise da legalidade do processo de exportação", afirmou Chelengo.

A madeira em causa tem origem nas províncias de Inhambane, Tete, Zambézia e Sofala.

Navio retido em Moçambique por suspeitas de fraudeFoto: Arcénio Sebastião/DW

Licença suspensa e empresa moçambicana sob investigação

A empresa responsável pela exportação, Safe Timber, encontra-se com a licença de exportação de madeira nativa suspensa desde 6 de agosto, por decisão do ministro da Agricultura, Ambiente e Pescas. Caso se confirmem irregularidades, esta poderá ser a última operação autorizada.

A suspensão foi motivada por discrepâncias significativas entre os relatórios de inspeção e os dados de processamento da madeira em processos anteriores.

"É fundamental verificar se há coerência entre o produto e o que está descrito nos documentos. Se são peças de mobiliário, pranchas ou outro tipo de produto, e se a espécie indicada corresponde à que observamos fisicamente nos contentores", sublinhou Chelengo.

Em comunicado, a Safe Timber alegou ter sido notificada com sete dias de atraso e acusou o Governo de extorsão e de violação dos procedimentos administrativos. No final da operação de reverificação, a empresa recusou prestar declarações.

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