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Nhonga, a nova tendência de negócios que preocupa

27 de outubro de 2025

Em Moçambique, jovens recorrem ao sistema de "Nhonga" para ligar fornecedores e clientes em várias áreas. Especialistas alertam para riscos legais e económicos e defendem a regulamentação da prática pelo Governo.

Symbolbild Korruption
Foto: Dreamstime/Imago

Em Moçambique, está a ganhar força um modelo de negócios conhecido como Nhonga. Baseado em intermediários — chamados nhonguistas —, este sistema liga fornecedores e clientes em várias áreas comerciais, sem que os agentes possuam os produtos. A remuneração é feita através de comissões por vendas concluídas.

A prática movimenta diferentes tipos de produtos, desde eletrodomésticos e eletrónicos até imóveis, e surge como alternativa para muitos jovens num contexto de desemprego crescente. Contudo, especialistas alertam para riscos económicos e legais.

O economista Firmino Chirrime considera que a ausência de enquadramento jurídico pode abrir espaço para burlas, evasão fiscal e lavagem de dinheiro. "A legislação apresenta lacunas que dificultam o controlo de práticas como corrupção, financiamento ao terrorismo e fuga de capitais", afirmou à DW.

Chirrime sublinha ainda que a atividade é volátil e pode pressionar a economia formal. "Embora ofereça oportunidades, acarreta riscos e ainda há muitos aspetos pouco claros", acrescentou.

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Nhonga movimenta mercado sem regulação

Na província do Niassa, o comerciante Francisco Vasco defende que a segurança depende da credibilidade dos intermediários. "O cliente deve sempre verificar a reputação do nhonguista antes de comprar. Quando há confiança, todos saem a ganhar", explicou.

Contudo, casos de burla têm manchado a imagem do setor. "Nem todos os nhonguistas são burladores, mas há quem desapareça com o dinheiro", lamenta Abubacar Maxuda, intermediário em Lichinga.

A Organização dos Trabalhadores Moçambicanos (OTM) afirma não reconhecer oficialmente a atividade e apela à sua formalização para garantir proteção laboral e legal. "Precisamos de informações concretas sobre o que fazem e se o trabalho é legal", disse o secretário-geral da OTM, Alexandre Munguambe.

Especialistas defendem que o Governo deve regulamentar e fiscalizar o sistema Nhonga, integrando-o como prestação de serviços formal, o que poderia gerar receita fiscal e maior proteção aos consumidores. Enquanto isso, a prática continua a expandir-se em várias cidades, ocupando o espaço deixado pelo desemprego e pela fragilidade do setor formal.

O termo Nhonga também é conotado com corrupção e por isso mal visto. 

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