Maduro declara-se inocente perante tribunal de Nova Iorque
5 de janeiro de 2026
Dois dias depois de ter sido detido em Caracas, o líder venezuelano deposto declarou-se esta segunda-feira inocente das acusações federais de tráfico de drogas feitas pelos EUA, durante a sua primeira audiência num tribunal norte-americano.
"Sou inocente. Não sou culpado. Sou um homem decente, o Presidente do meu país", respondeu Nicolás Maduro ao juiz, ao ser questionado sobre como se declarava.
O tribunal leu um resumo das acusações, incluindo alegações de uma "conspiração de narcoterrorismo". Maduro, de 63 anos, disse que não tinha lido a acusação e que não tinha sido informado dos seus direitos. "Eu não conhecia esses direitos", disse através de um intérprete.
O juiz explicou que uma declaração de inocência seria apresentada em nome de Maduro. Questionado novamente sobre a sua defesa, Maduro disse: "Sou inocente. Não sou culpado de nada do que é mencionado aqui."
Após a declaração de Maduro, o juiz voltou-se para a sua esposa, Cilia Flores, e pediu-lhe que confirmasse a sua identidade. "Sou a primeira-dama da República da Venezuela", disse Flores, através de um intérprete, antes de apresentar a sua declaração. "Inocente. Completamente inocente", disse a esposa de Maduro ao tribunal.
A próxima audiência foi marcada para 17 de março.
Alemanha quer explicações dos EUA
Um porta-voz do Governo alemão disse hoje que Berlim ainda está à espera de respostas de Washington após o ataque à Venezuela.
Os EUA devem "explicar à comunidade internacional em que base as ações que testemunhámos nos últimos dias devem ser julgadas, e isso ainda não aconteceu", disse o vice-porta-voz do Governo, Sebastian Hille.
Esta segunda-feira (05.01), o ministro dos Negócios Estrangeiros da Alemanha, Johann Wadephul, defendeu a resposta cautelosa do chanceler Friedrich Merz ao ataque dos EUA à Venezuela, dizendo que era uma situação complicada.
Por um lado, "foi removido um governante responsável por um regime violento de violações dos direitos humanos", disse Wadephul à rádio alemã Deutschlandfunk, lembrando também o envolvimento chinês, iraniano e russo na região.
"Portanto, geopoliticamente, também temos interesse, e os EUA têm interesse, em resistir a isso e prestar atenção", disse Wadephul. Ainda assim, o direito internacional e a integridade territorial devem ser respeitados, acrescentou.
Conselho de Segurança da ONU reúne-se a pedido da Colômbia
O Conselho de Segurança das Nações Unidas convocou, para esta segunda-feira, uma reunião de emergência para discutir o ataque dos EUA à Venezuela e o sequestro do Presidente Nicolás Maduro.
A reunião foi convocada pela Colômbia e apoiada pela China e pela Rússia, ambos grandes apoiantes da Venezuela. A Colômbia também enfrentou ameaças do Presidente dos EUA, Donald Trump, que acusou o homólogo Gustavo Petro de tráfico de drogas. Petro rejeitou as ameaças e disse a Trump para "parar de difamá-lo".
O secretário-geral da ONU, António Guterres, apelou ao "respeito pelos princípios da soberania, independência política e integridade territorial dos Estados", de acordo com as declarações lidas em seu nome pela subsecretária-geral Rosemary DiCarlo na reunião do Conselho de Segurança sobre a Venezuela.
"Estou profundamente preocupado com a possível intensificação da instabilidade no país, o potencial impacto na região e o precedente que isso pode criar para a forma como as relações entre os Estados são conduzidas", afirmou Guterres.