Serviço de Investigação Criminal de Moçambique anunciou esta quarta-feira que Nini Satar, condenado pelo homicídio do jornalista Carlos Cardoso, chegou ao país, após ser capturado a 25 de julho na Tailândia.
PGR tem dois processos nos quais Nini Satar foi constituído arguido
.Foto: Getty Images/AFP/L. Venace
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"O que posso assegurar é que o senhor Momad Assif, mais conhecido por Nini Satar, encontra-se no território moçambicano", disse Leonardo Simbine, porta-voz do Serviço Nacional de Investigação Criminal (Sernic), em conferência de imprensa. Já foi encaminhado para a penitenciária de máxima segurança em Maputo, conhecida como "B.O.".
Nini Satar foi capturado em cumprimento de um mandado internacional, emitido pelo Tribunal Judicial da Cidade de Maputo, na sequência da revogação da sua liberdade condicional.
As investigações para a sua captura foram levadas a cabo pelas autoridades moçambicana e tailandesa, segundo o Sernic.
Arguido em dois processos
A Procuradoria-Geral da República (PGR) tem dois processos nos quais Nini Satar foi constituído arguido.
O primeiro corre na 10.ª secção da PGR na cidade de Maputo, relativo à revogação da sua liberdade condicional, tendo de cumprir os restantes 12 anos da pena a que foi condenado.
O outro é referente ao seu envolvimento em casos de raptos, no qual é indiciado.
Nini Satar foi condenado pelo homicídio de Carlos Cardoso (na foto) em 2000Foto: Caminho
Na altura da sua captura, Nini estava na posse de um passaporte falso, em nome de Sahime Mohammad Aslam. "Estamos a investigar para saber em que circunstâncias obteve o passaporte e há quanto tempo", disse o porta-voz do Sernic.
A imprensa sul-africana avança que Nini Satar está envolvido em casos de raptos também na vizinha África do Sul, mas as autoridades moçambicanas não confirmam e aguardam por uma comunicação formal do país vizinho.
"Nós acompanhamos pela imprensa essas informações. De momento, houve algumas trocas de informações, mas de forma informal. Nós estamos à espera de uma confirmação formal sobre o que se está a passar naquele país, que é para podermos tomar os devidos procedimentos", salientou o porta-voz.
O preço de fazer valer a verdade, justiça, conhecimento ou até posições diferentes costuma ser a vida em Moçambique. A RENAMO é prova disso, no pico da tensão com o Governo da FRELIMO perdeu dezenas de membros.
Foto: BilderBox
Mahamudo Amurane: Silenciada uma voz contra corrupção e má governação
O edil da cidade de Nampula foi morto a tiros no dia 4 de outubro de 2017. Insurgia-se contra a má gestão da coisa pública e corrupção no seu Município. Foi eleito para o cargo de edil através do partido MDM. Embora mais de sessenta pessoas já estejam a ser ouvidas pela justiça não se conhecem os autores do crime.
Foto: DW/Nelson Carvalho Miguel
Jeremias Pondeca: Uma voz forte nas negociações de paz que foi emudecida
Foi alvejado mortalmente a tiro por homens desconhecidos no dia 8 de setembro de 2016 em Maputo quando fazia os seus exercícios matinais. O assassinato aconteceu numa altura delicada das negociações de paz. Pondeca era membro da Comissão Mista do diálogo de paz, membro do Conselho de Estado, membro sénior da RENAMO e antigo parlamentar. Até hoje a polícia não encontrou os autores do crime.
Foto: DW/L. Matias
Manuel Bissopo: O homem da RENAMO que escapou por um triz
No dia 4 de janeiro de 2016 foi baleado depois de uma conferência de imprensa do seu partido na Beira. Bissopo tinha acabado de denunciar alegados raptos e assassinatos de membros do seu partido e preparava-se para se deslocar para uma reunião da força de oposição quando foi baleado. A polícia moçambicana até hoje não encontrou os atiradores.
Foto: Nelson Carvalho
José Manuel: Uma das caras da ala militar da RENAMO que se apagou
Em abril de 2016 este membro do Conselho Nacional de Defesa e Segurança em representação da RENAMO e membro da ala militar do principal partido da oposição foi morto a tiro por desconhecidos à saída do aeroporto internacional da Beira. A questão militar é um dos pontos sensíveis nas negociações de paz. Os assassinos continuam a monte.
Foto: DW/J. Beck
Marcelino Vilanculos: Assassinado quando investigava raptos
Era procurador foi baleado no dia 11 de abril de 2016 à entrada da sua casa, na Matola. Marcelino Vilanculos investigava casos de rapto de empresários que agitavam o país na altura. O julgamento deste assassinato começou em outubro de 2017.
Foto: picture-alliance/Ulrich Baumgarten
Gilles Cistac: A morte foi preço pelo conhecimento divulgado?
O especialista em assuntos constitucionais de Moçambique foi baleado por desconhecidos no dia 3 de março de 2015 na capital Maputo. O assassinato aconteceu após uma declaração que fortaleceu a posição da RENAMO de gestão autónoma na sua querela com o Governo da FRELIMO. Volvidos mais de dois anos a sua morte continua por esclarecer.
Foto: A Verdade
Dinis Silica: Assassinado em circunstâncias estranhas
O juiz Dinis Silica também foi morto a tiro por desconhecidos, em 2014, em plena luz do dia, quando conduzia o seu carro na capital moçambicana. Na altura transportava uma avultada quantia de dinheiro, cuja proveniência é desconhecida. O juiz da Secção Criminal do Tribunal Judicial da Cidade de Maputo investigava igualmente casos de raptos. Os assassinos continuam a monte.
Foto: picture-alliance/dpa/U. Deck
Siba Siba Macuacua: Uma morte brutal em nome da verdade
O economista do Banco de Moçambique foi atirado de um dos andares do prédio sede do Banco Austral no dia 11 de agosto de 2001. Na altura investigava um caso de corrupção na gestão do Banco Austral. Siba Siba trabalhava na recuperação da dívida de milhões de meticais, resultante da má gestão do banco. Embora tenha sido aberta uma investigação sobre esta morte ainda não há esclarecimentos até hoje.
Foto: DW/M. Sampaio
Carlos Cardoso: O começo da onda de assassinatos
Considerado o símbolo do jornalismo investigativo em Moçambique, Carlos Cardoso foi assassinado a tiros a 22 de novembro de 2000. Na altura investigava a maior fraude bancária de Moçambique. O seu assassinato foi interpretado como um aviso claro aos jornalistas moçambicanos para que não interferissem nos interesses dos poderosos. Devido a pressões internacionais o caso chegou a justiça.