Há um novo surto de ébola na República Democrática do Congo (RDC), confirmou o Centro Africano de Controlo e Prevenção de Doenças (Africa CDC). Já foram registados 246 casos suspeitos e 65 mortes na província de Ituri.
O atual surto de ébola na RDC surge cerca de cinco meses depois de o anterior, que fez 43 mortes, ter sido declarado encerradoFoto: Baz Ratner/REUTERS
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O Centro Africano de Controlo e Prevenção de Doenças (Africa CDC), o principal organismo de saúde pública do continente, confirmou esta sexta-feira o novo surto de ébola na província de Ituri, numa zona remota da RDC, com 246 casos suspeitos e 65 mortes registadas até ao momento.
As mortes e os casos suspeitos foram registados principalmente nas zonas de saúde de Mongwalu e Rwampara, informou o Africa CDC num comunicado.
"Foram notificadas quatro mortes entre os casos confirmados em laboratório. Também foram notificados casos suspeitos em Bunia, aguardando confirmação", revelou a agência.
Face à atual situação, realiza-se hoje uma reunião de emergência "de alto nível" organizada pelo Africa CDC entre a RDC, o Uganda, o Sudão do Sul e vários parceiros internacionais "para reforçar a vigilância transfronteiriça, a preparação e os esforços de resposta ao surto", afirmou.
O Congo volta a lutar contra o pesadelo do Ébola
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Vírus altamente contagioso
O vírus do ébola é altamente contagioso e pode ser transmitido através de fluidos corporais, como vómito, sangue ou sémen. A doença que provoca é rara, mas grave e, muitas vezes, fatal.
Esta febre hemorrágica altamente contagiosa já matou cerca de 15.000 pessoas em África nos últimos 50 anos.
O atual surto surge cerca de cinco meses depois de o anterior surto de ébola no país ter sido declarado encerrado, após 43 mortes.
O surto de ébola mais mortífero na RDC, entre 2018 e 2020, causou a morte de quase 2300 pessoas.
As cicatrizes invisíveis do ébola
O ébola já matou mais de 5 mil pessoas na África Ocidental, mais de metade delas na Libéria. Houve liberianos que perderam a família inteira.
Foto: DW/Julius Kanubah
Ausentes da fotografia
Faltam três pessoas nesta foto de família, diz Felicia Cocker, de 27 anos. O vírus do ébola matou o seu marido e dois dos seus cinco filhos: "A vida tem sido muito dura. Não tenho mais ninguém que me possa ajudar."
Foto: DW/Julius Kanubah
Autoridades falharam
Stephen Morrison perdeu sete irmãos e uma irmã. Ele diz que a culpa do alastramento da doença na Libéria é a falta de informação e os rituais fúnebres tradicionais. "Os meus familiares começaram a morrer depois do falecimento de um idoso", conta. "Na altura, não sabíamos que era ébola. Por todo o lado se negava o surto."
Foto: DW/Julius Kanubah
Um depois do outro
"Eu e três crianças – fomos os únicos a sobreviver", conta Ma-Massa Jakema. Antes da epidemia ela vivia com 13 familiares. O vírus matou a sua irmã mais velha e o seu irmão mais novo, seis sobrinhas e sobrinhos, além de outros parentes afastados. "Morreu tanta gente, é horrível", diz Jakema.
Foto: DW/Julius Kanubah
Futuro incerto
"Não sei como vai ser agora", diz Amy Jakayma. "Primeiro morreu a minha tia, depois o meu marido e os meus filhos. A minha vida está virada do avesso – perdi a família inteira."
Foto: DW/Julius Kanubah
Desespero
Massah S. Massaquoi chora ao lembrar os familiares que morreram infetados com o vírus do ébola. "É difícil viver assim. Eu sobrevivi – fui uma das únicas a sobreviver na minha família mais próxima. Agora estou a viver com o meu avô." Massah perdeu o filho, a mãe e o tio.
Foto: DW/Julius Kanubah
Discriminação
Princess S. Collins, de 11 anos, mora na capital liberiana, Monróvia. Sobreviveu ao ébola mas o vírus roubou-lhe a mãe, o tio e o irmão. Mas agora "os vizinhos começaram a apontar para nós e a chamar-nos de 'doentes com ébola'".
Foto: DW/Julius Kanubah
Ébola também destrói futuros
Mamie Swaray (esq.) tem 15 anos de idade. Na verdade, ela devia estar na escola, mas o tio morreu infetado com o vírus do ébola e, por isso, não tem mais ninguém que lhe possa pagar as propinas escolares. Swaray sobreviveu ao ébola mas agora o seu futuro é incerto.
Foto: DW/Julius Kanubah
"Vontade de Deus"
Oldlady Kamara vive no bairro de Virginia, na zona ocidental de Monróvia. 17 membros da sua família morreram infetados com o vírus do ébola, incluindo o seu marido. "É horrível mas não posso fazer nada contra. É a vontade de Deus", diz Kamara. Ela contraiu ébola mas está muito grata por ter sido tratada num centro de saúde.
Foto: DW/Julius Kanubah
Obrigada aos médicos
Bendu Toure acaba de ter alta do centro de tratamento. O seu corpo conseguiu combater o vírus. Ela contraiu o ébola a partir da sua irmã. Toure cuidou dela até ela morrer. O seu irmão também faleceu. Apesar de tudo, Toure está bastante grata aos médicos: "Estou tão contente por poder sair daqui. Todos os dias tinha de assistir a mortes."