Novos ataques do Irão e EUA ameaçam cessar-fogo
28 de junho de 2026
"Esses ataques selvagens, que constituem uma violação flagrante do parágrafo 4 do artigo 2 da Carta das Nações Unidas, bem como uma violação expressa da primeira cláusula do Memorando de Entendimento para acabar a guerra, demonstram que o regime americano não concede o menor valor nem credibilidade aos seus compromissos", denunciou o ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano num comunicado.
Ao condenar os ataques aéreos lançados pelo Exército dos Estados Unidos na noite deste sábado (27.06) contra várias instalações de monitorização e vigilância situadas na costa sul do país, o ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão sustentou que "o não cumprimento dos acordos faz parte da natureza" de Washington.
Da mesma forma, lembrou as responsabilidades do Conselho de Segurança da ONU e do secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, para preservar a paz e a segurança internacionais e reiterou que a República Islâmica defenderá "a soberania nacional e a integridade territorial do Irão" face à "agressão militar dos Estados Unidos", de acordo com o artigo 51 da Carta da ONU.
As novas acusações de Teerão ocorrem depois de os Estados Unidos terem lançado no sábado uma segunda série de bombardeamentos desde sexta-feira contra múltiplos objetivos militares iranianos. Uma ofensiva que ocorreu em resposta a um ataque com drones atribuído ao Irão contra um petroleiro que navegava pelo estreito de Ormuz. Consequentemente, o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a acusar Teerão de violar o acordo de cessar-fogo
Mais tarde, a Guarda Revolucionária iraniana respondeu ao bombardeamento americano com o lançamento de drones e mísseis contra alvos no Kuwait e no Bahrein. Teerão assegurou que teve como alvo "bases americanas".
Controlo do Estreito de Ormuz
Já este domingo (28.06), o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano avisou os Estados Unidos de que Teerão tem controlo absoluto sobre o Estreito de Ormuz nos próximos 30 dias de negociações.
"O estreito de Ormuz permanecerá sob total supervisão e gestão do Irão durante os próximos 30 dias e, assim que todos os obstáculos forem removidos, a capacidade total da via navegável será restaurada", disse Abbas Araqchi à chegada ao Iraque, esta manhã.
A responsabilidade pelo estreito, acrescentou, cabe à República Islâmica do Irão.
"Nenhuma outra parte ou Estado está envolvido. Isto é perfeitamente claro no memorando de entendimento, e qualquer intervenção ou ação unilateral só irá piorar a situação e atrasar a reabertura do estreito", vincou.
Acordo entre Líbano e Israel
Abbas Araqchi exigiu ainda que EUA pressionem Israel a retirar-se do Líbano.
"Infelizmente, a entidade sionista continua os seus ataques aéreos no Líbano. Os Estados Unidos devem cumprir a sua responsabilidade, obrigar Israel a cessar os seus ataques e a retirar-se das áreas que ocupa no Líbano, pois esta é a primeira cláusula do memorando", apontou Abbas Araqchi eà chegada ao Iraque, esta manhã.
O acordo assinado na sexta-feira entre o Líbano e Israel apenas menciona uma "retirada gradual" condicionada à verificação do desarmamento do Hezbollah, algo que o grupo armado não tem intenção de fazer, entendendo ser uma manobra israelita para deixar o país indefeso.