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Nuclear: Aumenta a tensão entre o Irão e os EUA

Amós Fernando com AP, Reuters, AFP
23 de fevereiro de 2026

Os discursos sobem de tom: EUA ameaçam atacar o Irão caso este não aceite um novo acordo nuclear e Teerão, por sua vez, diz que em nome da autodefesa responderá a qualquer ataque. Analistas apontam risco de conflito.

Mar Arábico, 2026 | Um F/A-18E Super Hornet descola do porta-aviões USS Abraham Lincoln
Foto: Daniel Kimmelman/US Navy/AFP

Os Estados Unidos e o Irão têm prevista para a próxima quinta‑feira (25.02) uma nova ronda de negociações sobre o programa nuclear iraniano, em Genebra. A confirmação foi dada este domingo (22.02) pelo ministro dos Negócios Estrangeiros de Omã, país que tem feito a mediação entre as duas partes.

Na rede social X, o chefe da diplomacia de Omã afirmou que as conversações foram marcadas "por um impulso positivo”, e que há vontade para avançar na finalização de um acordo. O último diálogo entre as partes tinha acontecido na última terça-feira (17.02).

Mas este anúncio surge num momento de forte tensão entre o Irão e os Estados Unidos. A Administração Trump insiste que está preparada para lançar ataques limitados caso Teerão não aceite um novo acordo nuclear. Washington reforçou a sua presença militar no Médio Oriente com dois porta‑aviões, aviões de combate e sistemas adicionais de defesa aérea.

O conselheiro de Donald Trump para o Médio Oriente, Steve Witkoff, disse à Fox News que o Presidente continua perplexo com a posição iraniana.

"O Presidente pergunta por que razão o Irão ainda não cedeu, apesar da pressão e do poder naval que temos na região. Se dizem que não querem uma arma nuclear, porque não dizem claramente o que estão dispostos a fazer? É difícil levá‑los a esse ponto”, reconhece.

Conselheiro do Presidente dos EUA para o Médio Oriente, Steve WitkoffFoto: Evelyn Hockstein/AFP

Irão ameaca responder

Teerão, por seu lado, mantém a postura. Diz que não cederá a pressões externas e que não se sente intimidado pelo reforço militar norte‑americano. O ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros, Abbas Araghchi, afirmou à CBS que o Irão responderá a qualquer ataque.

"Se os EUA nos atacarem, isso é um ato de agressão. A nossa resposta será autodefesa, legítima e justificável", garante.

E o chefe da diplomacia acrescenta: "Os nossos mísseis não podem atingir território americano, por isso teremos de atingir bases norte‑americanas na região. Isso é um facto.” Ainda assim, Araghchi insiste que a diplomacia continua a ser o melhor caminho.

"Se querem resolver a questão do programa nuclear pacífico do Irão, a única via é a diplomacia. Já provámos isso no passado. Há uma boa oportunidade para uma solução em que todos ganhem, e essa solução está ao nosso alcance. Não há necessidade de reforço militar”, conclui.

Ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros, Abbas AraghchiFoto: Jean Marc Ferré/MAXPPP/picture alliance

Riscos de conflito

Apesar do otimismo oficial, vários analistas alertam que as hipóteses de um acordo negociado estão a diminuir e que o risco de um conflito militar está a aumentar.
Países vizinhos do Irão — e também Israel — consideram neste domingo (22.02) maior probabilidade de um confronto do que um entendimento, sublinhando que a mobilização militar norte‑americana na região é comparável à que antecedeu a invasão do Iraque em 2003.

Fontes israelitas dizem que o Governo de Telavive acredita que as negociações entre Washington e Teerão chegaram a um impasse. Israel está a preparar‑se para uma eventual operação conjunta com os Estados Unidos, embora ainda não exista decisão final.

Se isso acontecer, será a segunda vez em menos de um ano que forças norte‑americanas e israelitas atacam alvos iranianos, depois dos bombardeamentos de junho passado contra instalações militares e nucleares.

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