O grande duelo nas presidenciais de São Tomé e Príncipe
14 de julho de 2026
De um lado está Carlos Vila Nova, de 66 anos, empresário e atual Presidente da República. Eleito em 2021 com o apoio da Ação Democrática Independente (ADI), candidata-se agora como independente, depois de se afastar da direção do partido que o levou ao poder.
A rutura política com Patrice Trovoada marcou o seu mandato. Em janeiro de 2025, Carlos Vila Nova demitiu o Governo chefiado pelo então primeiro-ministro, alegando a necessidade de garantir o normal funcionamento das instituições do Estado.
A decisão abriu uma crise política e dividiu a ADI.
Com o slogan "Primeiro o Meu País", Vila Nova apresenta-se como o candidato da estabilidade, da unidade nacional e da continuidade. Defende que um segundo mandato lhe permitirá consolidar o trabalho iniciado há cinco anos.
A sua candidatura é apoiada pela maioria dos partidos políticos em São Tomé e Príncipe, incluindo o Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe/Partido Social Democrata (MLSTP/PSD), maior partido da oposição, que decidiu não apresentar um candidato próprio.
Nito D'Abreu é apoiado por Patrice Trovoada
Do outro lado está Nito D'Abreu, de 42 anos. Licenciado em Relações Internacionais, deputado e líder parlamentar da ADI, apresenta-se como o candidato da renovação política e aposta na juventude como motor de mudança.
Durante a crise que levou à demissão do Governo de Patrice Trovoada, Nito D'Abreu foi uma das principais vozes da ADI contra a decisão do Presidente da República, defendendo a continuidade do Executivo.
A sua candidatura conta com o apoio da direção da ADI, liderada por Patrice Trovoada, e de partidos aliados, como o Movimento de Cidadãos Independentes - Partido Socialista (MCI-PS), Partido de Unidade Nacional (PUN) e o Movimento Verde para o Desenvolvimento do Príncipe.
Além de uma disputa entre dois candidatos, estas eleições refletem também a rutura entre Carlos Vila Nova e Patrice Trovoada, antigos aliados políticos. Para alguns analistas, o resultado da votação a 19 de julho servirá também para medir a influência que cada um continua a exercer na política são-tomense.
Concorrem ainda às eleições presidenciais o jurista Miques João e o economista Eugénio Tiny. O antigo primeiro-ministro Jorge Bom Jesus, apesar de ter anunciado a desistência da candidatura, continuará a constar do boletim de voto, por ter formalizado a retirada fora do prazo previsto na lei.