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O que está na origem dos desmaios coletivos em Angola?

19 de maio de 2026

Os desmaios coletivos repetem-se em Angola, inquietando alunos, professores e autoridades. Numa escola que a DW visitou no Sumbe, os desmaios já se tornaram quase rotina. O que estará por trás deste fenómeno?

Alunos numa escola em Angola
Na província angolana do Cuanza-Sul, há relatos de casos do género desde 2011 (foto de arquivo)Foto: Nelson Camuto/DW

Começam muitas vezes com tonturas, falta de ar e, de súbito, os desmaios – não de uma, mas de várias alunas, praticamente ao mesmo tempo. Há mais de uma década que este fenómeno acontece, sem explicação aparente.

Uma aluna disse à DW que isso já lhe aconteceu várias vezes: "Às vezes sinto dor no peito e tonturas. Quando vou ao hospital, não me receitam nenhum medicamento. Quando me sinto sufocada e com arrepios significa que vou desmaiar."

Outra aluna conta que alguns desmaios parecem desencadear outros. "Surgiu um circuito de desmaios na escola. Eu peguei numa colega que estava a passar mal, ela acordou, mas depois eu caí também. Só sei que perco a respiração, as pernas ficam sem forças, tenho muitas tonturas e não consigo falar", explica.

Na província angolana do Cuanza-Sul, há relatos de casos do género desde 2011. Envolvem sobretudo alunas entre os 11 e os 18 anos de idade.

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Um fenómeno recorrente

No Liceu 14 de Abril, no Sumbe – onde estudam mais de seis mil alunos – os desmaios são um fenómeno recorrente. O diretor, Henriques Chambula, diz que acontecem ali com maior frequência do que noutras escolas da região.

"Todos os fenómenos que acontecem nas outras, aqui acontecem sempre a dobrar, triplicar, quadruplicar ou até quintuplicar. Esta questão dos desmaios é algo com que lidamos de diversas maneiras, até no sentido preventivo, antes de viralizarem. Já costumam acontecer, mas em casos isolados", esclarece.

Tanto professores, como pais e encarregados de educação procuram uma explicação para o fenómeno. Mas não há respostas definitivas – apontam-se apenas possibilidades.

As autoridades de saúde identificaram, num estudo sobres os desmaios coletivos nas escolas de Dande em 2019, que a maior parte das alunas afetadas tinha histórico de malária. Concluíam também, por exemplo, que muitas delas tinham familiares com antecedentes de desmaios e não almoçavam.

Faria Lucas, diretor clínico do Hospital Geral 17 de Setembro, no Sumbe, afirma que os desmaios podem ter causas físicas e emocionais. Mas seria preciso investigar cada caso em detalhe.

"Vemos mais casos em meninas, sobretudo em tempos de aulas e exames. Há fatores como desidratação, calor intenso, alimentação ou ansiedade que podem contribuir para este fenómeno. Mas são questões que devem ser investigadas", defende o profissional, que considera a situação preocupante. Este não é um fenómeno exclusivo de Angola.

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