Ossufo Momade: "Querer assaltar o poder não é a nossa regra"
27 de março de 2026
Depois de uma ausência inicial da reunião de generais e oficiais superiores da RENAMO, em Manica, o líder do partido chegou ao evento acompanhado da sua equipa e de polícias, deixando claro o nível de tensão que a segunda maior força da oposição em Moçambique vive.
"Não é altura aqui de alguém dizer que «vou ser presidente», isto não vai acontecer aqui na RENAMO. Nós lutamos por uma democracia, temos de fazer acontecer essa democracia, temos. Querer assaltar o poder não é a nossa regra, não é nosso vocabulário. Assaltar, fazer golpe, não senhor!", afirmou Ossufo Momade.
Há mais de um ano que uma grande parte dos membros do partido exige reiteradamente a saída de Ossufo Momade da liderança da perdiz. Os descontentes, na sua maioria desmobilizados da guerra dos 16 anos, chegaram até a tomar as delegações do partido em algumas partes do país.
Para quando o congresso?
Mas Momade, que foi escolhido segundo os regulamentos do partido, não cede à pressão e garante que só sairá da liderança após o congresso, que ainda não tem data marcada, momento em que uma nova votação interna para o novo líder vai acontecer.
Porém, os descontentes do partido acusam a cúpula de tentar postergar, com más intenções, todos os procedimentos que visam preparar o congresso. Esta sexta-feira (27.03), Momade se distanciou das acusações afirmando: "Ninguém recusou a realização do congresso, ninguém".
Ossufo Momade, que não terá aceite debater a crise com os seus detratores internos nos últimos meses, apreciou, entretanto, o encontro desta quinta e sexta-feira (26 e 27.03) em que participaram nomes sonantes da RENAMO, como Manuel Bissopo, André Magibiri e Alfredo Magumisse, afirmando que "é falando que a gente se entende".
Momade acusado de afundar a RENAMO
Ossufo Momade, que é visto por muitos moçambicanos como incapaz de liderar a RENAMO e até acusado de ter afundado o partido, viu a sua formação ser rebaixada do estatuto de maior força da oposição, lugar que ocupou por mais de 30 anos.
O líder condenou ainda o que considera ser "linchamento de caráter" no seio da formação e acusou "os irmãos de mancharem a imagem do partido nos tribunias", em alusão à António Muchanga que interpôs uma providência cautelar contra a RENAMO pela sua suspensão da formação. Momade entende que essas querelas internas ameaçam os objetivos do partido, principalmente no contexto das eleições que se avizinham.
Momade pediu, por isso, "disciplina e união interna" e dirigiu-se particularmente aos seus contestatários: "Apelo para os irmãos abandonarem as delegações, que impedem o pleno funcionamento." "Chega de favorecer o inimigo!", exigiu Momade.
"O nosso destino é ser alternativa de governação e coloquemos os superiores interesse do nosso partido acima dos interesse pessoais, porque juntos somos mais fortes", exigiu.
Ficou decidido no encontro a realização do Conselho Nacional ao longo do primeiro semestre deste ano, e neste encontro se deverá marcar a data para o esperado Congresso Extraordinário ou Ordinário.