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PAIGC denuncia "intromissão sistemática" de militares

Lusa
8 de abril de 2024

O PAIGC denunciou hoje a "intromissão sistemática" de alguma liderança das Forças Armadas na vida política e condenou a sua atitude "de defesa do Presidente da República".

Guinea Bissau PAIGC  Parteizentrale 2010
Foto: Moussa Balde/epa/picture alliance

Em comunicado à imprensa, o Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) denunciou esta segunda-feira (08.04) a "intromissão sistemática" de alguma liderança das Forças Armadas na vida política e condenou a sua atitude "de defesa do Presidente da República".

O PAIGC, que liderou a coligação vencedora das eleições de junho de 2023 e cujo Governo foi demitido pelo Presidente da República, Umaro Sissoco Embaló, lamentou situações que têm acontecido nos últimos dez anos que considera de intromissão e discursos tendenciosos caucionadores das decisões tomadas pelo chefe de Estado, "mesmo em colisão frontal" com a Constituição da República e demais leis.

"Como se não bastasse essa postura anti republicana nos últimos anos, a instrumentalização das Forças Armadas [tem-se] acentuado com alimentadas denúncias de tentativas de golpe de Estado, não sendo capaz de apresentar evidências como, aliás, aconteceu com os casos de 1 de fevereiro de 2022 e 1 de dezembro de 2023 até hoje com contornos por esclarecer e provas por apresentar", refere o PAIGC no comunicado.

O partido lembra que foi da sua iniciativa a criação das Forças Armadas Revolucionárias do Povo (FARP), há 60 anos, mas das quais teve de se desvincular em virtude da abertura do país ao multipartidarismo.

Para o PAIGC, é inaceitável que alguma liderança das Forças Armadas esteja ultimamente com uma atitude deliberada de defesa unicamente da alegada legitimidade de Umaro Sissoco Embaló, "ignorando explicitamente os eleitos do povo" no parlamento e o Governo.

Umaro Sissoco Embaló, Presidente da Guiné-BissauFoto: Michel Euler/AP/picture alliance

Tentativa de golpe de Estado?

O partido recorda que aqueles órgãos também resultaram do "veredito popular" dos guineenses.

 "O PAIGC exige o distanciamento das Forças Armadas da presidência da República", exorta-as à observância do seu papel de guardiãs das instituições da soberania e responsabiliza-as pela integridade física dos dirigentes do partido.

O partido, liderado por Domingos Simões Pereira, ex-primeiro-ministro e atual presidente do Parlamento, entretanto dissolvido por Umaro Sissoco Embaló, desde dezembro passado, justifica as suas preocupações com as recentes declarações do vice-chefe do Estado-Maior das Forças Armadas.

O general Mamadu 'Nkrumah' Turé visitou na semana passada algumas unidades militares do país para denunciar alegadas informações que apontavam para "mais uma tentativa de golpe de Estado" em curso.

Na ocasião, o general Turé apontou os nomes de alguns elementos militares e do ex-primeiro-ministro e vice-presidente do PAIGC, Geraldo Martins, como alegados orquestradores da conjura.

Um dos militares apontados, o general Bauté Yamnta Na Man, vice-chefe do Estado-Maior do Exército, negou categoricamente que esteja envolvido em qualquer tentativa de golpe de Estado e desafiou o Estado-Maior General das Forças Armadas a exigir provas a quem o acusou.

O general Na Man prometeu avançar com uma queixa-crime contra o autor da denúncia que envolve o seu nome.

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