1. Ir para o conteúdo
  2. Ir para o menu principal
  3. Ver mais sites da DW
ConflitosÁfrica do Sul

Pelo menos 130 nigerianos pedem repatriação na África do Sul

4 de maio de 2026

Pedidos surgem após vaga de ataques xenófobos, incluindo mortes de cidadãos nigerianos. Abuja exige justiça, convoca o embaixador sul-africano e acompanha violência e discurso de ódio contra migrantes.

Ataques xenófobos forçam pedidos de repatriação
Ataques xenófobos forçam pedidos de repatriaçãoFoto: Emmanuel Croset/AFP

Pelo menos 130 cidadãos nigerianos na África do Sul pediram a repatriação deste país devido aos crescentes atos xenófobos contra migrantes africanos, informou a ministra dos Negócios Estrangeiros da Nigéria, Bianca Odumegwu-Ojukwu.

"Estão a ser feitas diligências para recolher os dados dos nigerianos na África do Sul para voos de repatriação voluntária para aqueles que solicitam ajuda para regressar a casa. Até ao momento, 130 requerentes registaram-se devidamente na nossa missão", publicou Odumegwu-Ojukwu domingo à noite na rede social X, num momento de rejeição de grupos sul-africanos contra a migração irregular.

Pelo menos dois nigerianos morreram em incidentes separados que envolveram agentes de segurança sul-africanos: Amamiro Chidiebere Emmanuel faleceu a 25 de abril, espancado por militares sul-africanos em Port Elizabeth e Nnaemeka Matthew Andrew também morreu após confronto com membros da Polícia Metropolitana de Tshwane.

Além disso, na publicação, Odumegwu-Ojukwu fez referência às imagens que circulam em meios de comunicação e redes sociais nas quais se mostram violência, massacres e assassínios "xenófobos seletivos de estrangeiros", bem como manifestações caracterizadas por retórica xenófoba, discursos de ódio e declarações incendiárias contra os migrantes.

 "Isto é totalmente condenável e inaceitável. A Embaixada da Nigéria acompanha de perto as investigações sobre estes lamentáveis incidentes e a Nigéria exige que se faça justiça nestes casos", declarou a ministra. 

Ódio e violência contra migrantes na África do Sul

04:50

This browser does not support the video element.

Supervisionar a situação "com muita atenção"

Embora o Governo sul-africano tenha rejeitado este tipo de ações, o Presidente da Nigéria, Bola Tinubu, ordenou supervisionar a situação "com muita atenção", especialmente face às manifestações convocadas na África do Sul entre 04 e 08 de maio. 

"A Nigéria é um país que participou ativamente na luta pela libertação da África do Sul, um facto que deve ser transmitido às novas gerações sul-africanas. As vidas e os negócios dos nigerianos na África do Sul não devem continuar em risco", acrescentou Odumegwu-Ojukwu. 

No sábado, o ministério dos Negócios Estrangeiros nigeriano convocou o embaixador da África do Sul no país para lhe transmitir preocupação a esse respeito, e a 23 de abril o Governo ganês fez o mesmo. 

As tensões xenófobas são um problema recorrente na África do Sul e, frequentemente, têm resultado em ondas de protestos violentos e distúrbios, especialmente nos bairros mais vulneráveis.

Os incidentes mais graves dos últimos tempos ocorreram no final de 2019, com 18 estrangeiros mortos, segundo dados da organização Human Rights Watch (HRW).

Inúmeras comunidades de imigrantes foram então repatriadas pelos seus próprios países, como Moçambique ou a Nigéria, e a África do Sul foi alvo de duras críticas internacionais por xenofobia. 

Vencer a xenofobia na África do Sul

05:17

This browser does not support the video element.

 

 

Saltar a secção Manchete

Manchete

Saltar a secção Mais artigos e reportagens da DW