"Pessoas estão formatadas para modelo único"
7 de março de 2026
Em Moçambique, Eduardo Abdula, governador de Nampula, e que é carinhosamente tratado por Tio Salim, tem estado no centro de uma polémica, após um órgão de comunicação social nacional o ter acusado, nas redes sociais, de estar a armazenar os apoios recebidos para as vítimas de calamidades e terrorismo na sua residência protocolar, bem como de receber em audiência figuras de alto nível em hotéis em vez de o fazer no seu gabinete oficial.
À DW, o governante Eduardo Abdula diz que não roubou nada e que tais ações em nada acarretam custos para o Estado.
"Governador com medo do seu povo é melhor demitir-se"
"O que as pessoas estão é formatadas para ter um modelo único de ser e estar. Eu vim a pé de casa [para o hotel, onde também recebeu a equipa da DW] e veio só um assistente para me acompanhar", começa por dizer Eduardo Abdula, que accrescenta que "o governador que tem medo do seu povo é melhor demitir-se".
"Querem acabar comigo, acabem, mas enquanto eu estiver nesta posição, a minha missão é servir o povo sem discriminação racial, religiosa e política. Tenho dito isso sempre e vou continuar. Não preciso de levar sequer um quilograma de arroz ou açúcar, porque isso não me faz falta, graças a Deus", diz.
O assunto está a criar alvoroço em Nampula.
Vários cidadãos partiram em defesa do governador, considerando que a notícia é uma tentativa de manchar a sua reputação.
Guidion Duarde diz à DW que se o governador "deixou [os produtos doados na sua residência], é por uma questão de melhor controlo, porque lá ele presencia todas as saídas e entradas e não há risco de roubo ou furtos".
"Se deixasse num armazém ou noutro sitio, teria de confiar em qualquer pessoa e essa pessoa poderia desviar", acrescenta o mesmo cidadão.
Também o ativista social Sismo Eduardo diz entender a conduta do governante.
"Temos dois cenários aqui: um relacionado à falta de confiança, que em algum momento é aliada em algumas exigências dos doadores, porque eles podem estar a exigir que os produtos sejam guardados pelo governador. E a sua residência tem maior controlo e seguranças".
"Tentativas de difamação"
Também na opinião do Conselho Empresarial da Província de Nampula, tais informações não passam de tentativas de difamar o governador. O seu presidente, Shakeel Ahmad, reitera a sua total confiança em Tio Salim.
"Reafirmamos a nossa confiança total no governador da província de Nampula, reconhecendo a sua entrega e capacidade de inclusão e transparência na sua governação, não existe nenhuma dúvida que Tio Salimo está a fazer um trabalho espetacular", disse.
Sobre as audiências em hotéis e na sua residência oficial, o ativista social Sismo Eduardo comenta que "o gabinete [na sua residência protocolar] não foi feito para [o governador] se sentar e conversar com a sua mulher ou cozinheiros, por isso se chama gabinete [na residência] protocolar", disse.
Críticas
Já o académico e docente universitário Tomás Castelo tem outro entendimento.
"Os atos governamentais acontecem dentro do protocolo do Estado, isto é, devem acontecer num lugar próprio e na hora própria. Se realmente estivermos numa situação em que os documentos são tratados na rua, isso é uma questão que pode manchar a própria figura do Estado", critica.