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Luanda: Polícia impede marcha pela libertação de ativistas

28 de março de 2026

Polícia angolana impede realização de uma marcha pela libertação de ativistas em Luanda e detém dois manifestantes, diz organizador do protesto.

Protestos em Luanda (2025)
A marcha em Luanda acabou por não se concretizar devido à intervenção policial (foto de arquivo)Foto: Manuel Luamba/DW

A marcha prevista para Luanda, em Angola, tinha início marcado no Largo de São Paulo, um dos principais pontos da capital, onde os manifestantes se iriam concentrar. No entanto, acabou por não se realizar devido à intervenção das autoridades.

Pouco depois das 10h00 (09h00 em Lisboa), observava-se no local um forte dispositivo policial, incluindo unidades da polícia de intervenção, embora já não se registassem concentrações de manifestantes. O ativista do movimento cívico e da Unidade Nacional para a Total Revolução de Angola (UNTRA), Bento Fernando, afirmou que o objetivo da iniciativa era contestar a prisão preventiva de vários ativistas, após contactos com as respetivas famílias.

"Há um silêncio enorme (...) Até agora temos o general Nila sem nenhuma acusação formal, já há oito meses", disse, sublinhando que o prazo legal da prisão preventiva, fixado em três meses, já foi ultrapassado, razão pela qual pretendiam manifestar-se através de uma "manifestação cívica e pacífica".

"Infelizmente não chegamos a sair porque Polícia Nacional estava aí de prontidão", lamentou, acrescentando que houve uma tentativa de diálogo com as autoridades, mas sem sucesso, uma vez que estas alegaram a existência de uma outra atividade partidária [da UNITA, maior partido da oposição] e que a dos ativistas que não teria sido previamente comunicada.

Bento Fernando rejeitou essa justificação, considerando tratar-se de questões distintas, e sublinhou que foi entregue há dois meses uma carta ao Governo Provincial de Luanda a informar sobre o protesto, sem que tenha havido qualquer resposta.

"Nós viemos aqui apenas cumprir aquilo que é o nosso dever cívico, mas infelizmente fomos impedidos", afirmou, acrescentando que dois ativistas foram detidos e exigindo a sua libertação imediata.

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08:55

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"Manifestar não é um crime"

O ativista manifestou ainda descontentamento com a atuação da Polícia Nacional, defendendo que "manifestar não é um crime". "Acredito que a nossa polícia deve entender que quanto mais parar uma manifestação, mais feios vão ficar na foto", disse.

"Nós não queremos dar essa imagem da polícia (...) de uma polícia que dá medo, que o país é um país que não permite manifestações pacíficas, não. Por isso é que nós escrevemos mesmo para a Polícia Nacional, para que eles viessem e nos acompanhassem, não vierem para nos prender. Isso é complicado", desabafou.

Questionado sobre a possibilidade de novas manifestações, disse não ter grandes expectativas de sucesso, considerando que este tipo de atuação "tem sido uma rotina, infelizmente".

"Nós gostaríamos que a Polícia revesse esse lado, porque é feio, as pessoas saem das suas casas no seu pleno direito, não mataram, não roubaram, são marchas básicas para exigir alimentação, é complicado então o que nós estamos a ver aqui", afirmou, acrescentando que algumas pessoas chegaram a concentrar-se no local, mas que foram "corridos".

Durante a permanência da Lusa no local, juntaram-se outros ativistas, ligados à União Nacional para a Vanguarda do Voto nas Ruas, que apelaram à mobilização e entoaram palavras de ordem como "temos de lutar para libertar os nossos irmãos" e "quem devia estar preso são os dirigentes do MPLA".

Os manifestantes exibiam uma faixa alusiva à visita do Papa, com a imagem de Leão XIV e dos ativistas detidos - Osvaldo Kaholo, Serrote de Oliveira (general Nila), André Miranda, Soba D'Samba e Arlindo Kalupeteka -, acompanhada de uma mensagem em que expressam a esperança de que a visita do Papa contribua para a libertação dos presos políticos em Angola.

O protesto acabou por ter curta duração, tendo a polícia dispersado os manifestantes, que foram posteriormente aconselhados por Bento Fernando a abandonar o local.