População diz que corpos e crânios de vítimas do ciclone Idai estão a surgir no distrito de Nhamatanda, na província de Sofala, centro de Moçambique. Moradores apelam às autoridades por uma solução.
Local onde a população diz estar a encontrar corpos em decomposiçãoFoto: DW/B. Jequete
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As autoridades locais alojadas nos centros de acomodação de John Segredo e Muda-Nunes afirmam que quando se deslocam para as suas zonas de origem à procura de algum mantimento, deparam-se com corpos e crânios em estado avançado de decomposição.
Os corpos que têm estado a ser descobertos pela população reassentada em Nhamatanda estão em colinas, escombros e outros cobertos de lama e capim, e seriam de vítimas do ciclone Idai, segundo os relatos.
Aqueles reassentados dizem ser triste o cenário que se vive naquele distrito, pois quando se deparam com os corpos e crânios, lembram-se do sofrimento vivido no dia 14 de março, quando viram milhares de pessoas serem arrastadas pelas águas enfurecidas pelo ciclone tropical Idai.
Paulo Chimica, responsável pelo centro de Muda-NunesFoto: DW/B. Jequete
Paulo Chimica, responsável pelo centro de acomodação de Muda-Nunes, disse que a situação é dramática, visto que alguns dos corpos foram arrastados de outras regiões e os funerais são realizados sem a presença de um familiar. "Pelo estado avançado de decomposição, é difícil identificar a família dos corpos e crânios que sempre vemos aqui em Nhamatanda", explica.
"Aqui, muita gente foi arrastada, porque todas as casas foram engolidas pelas águas e quem não subiu na árvore então não escapou, morreu. Até aqueles que também recorreram às árvores, pois alguns caíram por causa do tempo que se levou", relata o responsável de um dos centros de acomodação em Nhamatanda.
Corpos em decomposição expostos
Chimica acrescenta ainda que "até este momento, há corpos nos cantos dos rios que não foram sepultados". "Há vezes que deparamo-nos com esqueletos humanos e quando as autoridades governamentais são informadas sobre a descoberta de novos corpos, eles recolhem e enterram".
Paulo Chimica acrescenta que "há vezes em que nós, como responsáveis dos centros, mobilizamos alguns homens para enterrar os restos mortais". "Cada vez que enterramos um corpo, isso tende a diminuir, pois haviam muitos corpos soterrados nas baixas e nos leitos dos rios", conclui.
Nelito Jone, outro cidadão entrevistado pela DW África em Nhamatanda, diz que os corpos e crânios que são descobertos naquela região metem medo no seio da população reassentada, mas também semeia luto e dor para aquelas famílias que viram seus parentes serem arrastados pelas águas.
"Quando vamos às nossas baixas à procura de alguma coisa para comer - como espigas de milho, frutas, verduras e outros alimentos - encontramos sempre restos mortais. Para além dos restos mortais na região, há mau cheiro", revela.
"Assim que as chuvas pararem, queremos ir reconstruir nas zonas de onde cada um veio, mas com as ossadas que lá há, semeia-nos medo", afirma. E faz um apelo: "Pedimos às autoridades para fazerem algo visando acabar com os restos mortais arrastados pela fúria das águas provocadas pelo ciclone Idai".
Macomia: Uma das vilas mais destruídas pelo ciclone Kenneth em Moçambique
O distrito de Macomia é uma das vilas mais afetadas pela passagem do ciclone Kenneth em Cabo Delgado, província nortenha de Moçambique. Casas e infraestruturas do Estado foram destruídas ou parcialmente danificadas.
Foto: DW/A. Chissale
Cenário da destruição
A vila de Macomia, a norte da província de Cabo Delgado, em Moçambique, é uma das que mais regista prejuízos após a passagem do ciclone Kenneth, que chegou quinta-feira (25.04) à região. Em todos os bairros do distrito, o cenário é bem semelhante: casas bastante danificadas, pertences das vítimas espalhados e quase ninguém no local.
Foto: DW/A. Chissale
Árvores tombadas
Em todos os bairros há árvores, chapas de zinco que já foram telhados espalhadas por todo o lado, dobradas, prova de que foram arrancadas pela ventania.
Foto: DW/A. Chissale
Sem eletricidade
Além das árvores, também muitos postes de eletricidade foram tombados pelo ciclone Kenneth. O que piorou a situação dos residentes daquela localidade, que estão sem energia elétrica desde que a subestação elétrica que alimentava Macomia e outros quatro distritos também foi afetada pelo desastre.
Foto: DW/A. Chissale
Acesso prejudicado
As estradas que dão acesso ao distrito de Macomia estão bloqueadas por causa das árvores ou postes de energia que foram tombados, tal como esta na localidade de Chai. Também algumas pontes da região foram danificadas. Segundo o correspondente da DW África na região, Arlindo Chissale, a principal estrada que dá acesso à Tanzânia também está bloqueada.
Foto: DW/A. Chissale
"Mais de 60% das casas destruídas"
O correspondente da DW África, Arlindo Chissale, informou também que mais de 60% das residências de Macomia foram destruídas ou parcialmente danificadas após a passagem do ciclone Kenneth na região.
Foto: DW/A. Chissale
Maternidade danificada
Várias infraestruturas do Estado foram destruídas por árvores. Na foto, vê-se a maternidade da vila de Macombia parcilamente danificada.
Foto: DW/A. Chissale
Comando da polícia
Também o comando da polícia foi prejudicado após a queda de postes de eletricidade, fios elétricos e árvores. Também vê-se chapas de zinco espalhadas pelo vento. A polícia transferiu pelo menos 40 presos depois do ciclone, mas, por falta de comunicação, não há informação para onde os detentos foram levados.
Foto: DW/A. Chissale
Sede do Governo distrital
A sede do Governo local de Macomia teve o telhado parcialmente danificado. De acordo com o correspondente da DW no local, Arlindo Chissale, vários documentos foram danificados. Além deste edifício público, a bomba do principal posto de combustível da vila foi arrancada do chão, tal como o edifício de um dos principais bancos do distrito.
Foto: DW/A. Chissale
Difícil comunicação
Esta é a sede da rádio comunitária de Nacedje, em Macomia. O local também foi comprometido após a passagem do ciclone Kenneth. Outras infraestruturas de comunicação, tal como as antenas de telefonia móvel, também foram prejudicadas.