Por quanto tempo poderá o Irão continuar a guerra?
7 de março de 2026
O Irão preparou-se para uma longa guerra, ao contrário dos Estados Unidos, afirmou Ali Larijani, secretário-geral do Conselho Supremo de Segurança Nacional do país do Médio Oriente, no terceiro dia da guerra dos EUA e Israel contra o Irão.
Larijani reiterou o que outros funcionários da República Islâmica têm dito desde o início do conflito militar: "Vamos defender-nos, custe o que custar".
Desde 28 de fevereiro, os EUA e Israel têm conduzido uma ofensiva militar coordenada e massiva contra o Irão, visando principalmente os líderes iranianos, mas também instalações militares e governamentais.
Teerão respondeu lançando mísseis e drones contra alvos em Israel e nos países vizinhos do Golfo Pérsico, incluindo bases norte-americanas em toda a região.
Os Emirados Árabes Unidos afirmam que só eles, nos últimos dias, foram alvo de centenas de rockets e drones iranianos.
O comandante Brad Cooper, chefe do Comando Central dos EUA, disse que o Irão disparou mais de 500 mísseis balísticos e mais de 2.000 drones até quarta-feira, 4 de março. E acusou Teerão de atacar indiscriminadamente civis durante o processo.
"Não sabemos exatamente quantos mísseis balísticos e drones o Irão realmente possui", disse à DW um especialista em armamento, que pediu para não ser identificado.
Logística e produção de mísseis e drones
No início da guerra, no sábado, as forças armadas israelitas estimavam que o Irão tivesse cerca de 2.500 mísseis balísticos. Mas é provável que o stock tenha diminuído significativamente desde então, não só devido ao Irão ter disparado mísseis contra alvos em toda a região, mas também porque os ataques dos EUA e de Israel visaram muitos locais de armazenamento de bombas.
"Também estamos a ver que os lançadores de mísseis estão a ser perseguidos com grande vigor", disse o especialista em armas. "O que era muito difícil há cinco anos é agora possível graças aos avanços tecnológicos. Ainda assim, permanece a questão de quantos desses sistemas foram realmente destruídos".
Não é claro quantos mísseis foram removidos desses locais e dispersos por todo o país antes da guerra, e quantos lançadores de mísseis funcionais o Irão ainda possui.
Acredita-se também que o Irão tenha a capacidade de aumentar rapidamente a produção de drones. De acordo com documentos russos que vazaram, Teerão pode produzir cerca de 5.000 drones por mês.
Os drones são lançados a partir de um andaime simples que pode ser construído em apenas algumas horas.
A produção de um destes drones, chamado Shahed, custa ao Irão vários milhares de dólares. Por outro lado, cada míssil interceptor Patriot fabricado nos EUA custa cerca de 3 milhões de dólares.
De acordo com uma análise do New York Times baseada em imagens de satélite e vídeos verificados, o Irão utilizou os seus mísseis de curto alcance e drones durante o fim de semana e na segunda-feira para danificar estruturas que fazem parte dos sistemas de comunicação e radar em ou perto de pelo menos sete bases militares dos EUA no Médio Oriente.
A infraestrutura de comunicações das forças armadas dos EUA é mantida em sigilo absoluto, o que torna difícil determinar exatamente que sistemas podem ter sido afetados. Mas os ataques a esses locais sugerem que o Irão queria perturbar as capacidades de comunicação e coordenação dos EUA.
Consequências para a população e região
"O Irão tentará prolongar a guerra e está a ganhar tempo", disse Fawaz Gerges, professor de relações internacionais da London School of Economics, à DW.
"A liderança iraniana teve tempo para planear e coordenar as suas ações. Acho que eles estão a preparar-se para uma longa guerra", acrescentou, salientando que o objetivo primordial do regime iraniano é a resiliência - a capacidade de perseverar, absorver os golpes e continuar a lutar.
Entretanto, o custo da guerra é suportado principalmente pela população em geral no Irão, que se encontra indefesa contra os ataques.
Embora os EUA e Israel afirmem estar a realizar ataques direcionados, os elevados níveis de danos colaterais são quase inevitáveis em cidades densamente povoadas.
De acordo com fontes iranianas, uma escola primária na cidade de Minab, no sul do país, foi atingida no primeiro dia do conflito. Na terça-feira, os meios de comunicação estatais iranianos mostraram imagens dos funerais das 168 crianças e professores que terão morridos nos ataques.
As Nações Unidas descreveram o incidente como "absolutamente chocante" e apelaram a uma investigação.
Israel negou ter atacado a escola de Minab, que fica a cerca de 40 quilómetros do Golfo de Omã. Os EUA, que têm dois grupos de ataque de porta-aviões, negaram o ataque.