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PolíticaPortugal

Portugal: Subida do Chega inquieta sociedade civil

11 de março de 2024

Organizações mostram-se apreensivas quanto à ascensão do partido de extrema-direita e temem retrocessos nos direitos adquiridos pelas minorias - nomeadamente nas políticas de imigração.

André Ventura, líder do Chega
André Ventura, líder do ChegaFoto: Andre Dias Nobre/AFP/Getty Images

Vários analistas comentam que o Chega, liderado por André Ventura, foi o principal vencedor da noite eleitoral de domingo (10.03), em Portugal. O partido quadruplicou o número de deputados eleitos nas legislativas antecipadas, passando de 12 para 48 representantes no Parlamento.

Andredina Cardoso, da Associação de Saúde e Solidariedade da Diáspora Cabo-Verdiana, considera que, por norma, os partidos da extrema-direita florescem onde há desequilíbrios e lacunas.

"Naturalmente que estou bastante preocupada com esta situação", afirma. "Não posso dizer que estou surpreendida, porque não estou. É algo que é de interpelar a todos nós que pretendemos viver numa sociedade equilibrada: qual é o papel que cada um de nós aqui deve desempenhar?"

Com a subida do Chega, a dirigente associativa receia que "os direitos que já foram adquiridos [nomeadamente no que toca às políticas de imigração] possam encontrar-se em perigo de retrocesso".

Mais de um milhão de portugueses votaram no Chega, este domingoFoto: Patricia De Melo Moreira/AFP/Getty Images

Descontentamento com o PS

Para José Falcão, dirigente da SOS Racismo, os resultados destas eleições refletem o descontentamento de grande parte dos eleitores perante as políticas erradas dos sucessivos governos do Partido Socialista (PS). Falcão aponta também a visão errada, nomeadamente da extrema-direita, contra as minorias étnicas, sobretudo os cerca de 700 mil imigrantes que procuram uma vida melhor em Portugal.

"As políticas não têm em conta os problemas das pessoas, da habitação, da saúde, etc. Temos um índice de pobreza enorme", lamenta. "Estas pessoas que vêm para cá à procura de melhores condições são o fator de um desenvolvimento que seria muito pior se eles não estivessem cá."

O ativista considera que o crescimento do Chega resulta do "mal-estar" que se instalou na sociedade portuguesa em consequência de tais políticas que não respondem aos problemas da população: "O Chega cavalga esta crise e aproveita-se com propostas completamente estapafúrdias, quando ele é um dos principais fatores de que essas políticas tenham existido, tendo em conta aquilo que fez no Parlamento".

Imigrantes em Portugal temem perda de direitos com a ascensão do ChegaFoto: Bildagentur-online/McPhoto-Boyun/picture alliance

Debate e representatividade

Celso Soares, dirigente da Associação Cultural para o Desenvolvimento (CulturFace), diz que estas eleições abrem espaço para um novo paradigma e debate na sociedade. Diz que o crescimento do Chega era previsível, mas questiona qual foi o sentido de voto dos cidadãos de origem migrante com nacionalidade portuguesa: "Será que todos votaram?", pergunta.

Por outro lado, em nome da cidadania, chama a atenção dos partidos políticos sobre a representatividade nestas eleições. "Importa referir que os partidos tradicionais em Portugal deverão repensar esta matéria de representatividade, porque quanto mais representatividade houver, melhor será para todos nós", considera.

As eleições legislativas antecipadas de domingo em Portugal deram vitória à Aliança Democrática (AD), coligação entre o Partido Social Democrata (PSD), o partido do Centro Democrático Social - Partido Popular (CDS-PP) e o Partido Popular Monárquico (PPM).

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