Benjamin Netanyahu nos EUA para debater acordo com o Irão
11 de fevereiro de 2026
"Nesta viagem, discutiremos várias questões: Gaza, a região, mas, claro, em primeiro lugar, as negociações com o Irão. Vou transmitir ao Presidente Trump o nosso ponto de vista quanto aos termos da negociação e os princípios que a meu ver são importantes, não só para Israel, mas para quem quer paz e segurança no Médio Oriente", anunciou Benjamin Netanyahu.
Em reação, o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irão alertou os Estados Unidos para que não permitam que Israel controle a "estrutura das negociações nucleares". Um apelo que já tinha sido feito também pelo porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, que diz que Washington não pode deixar que "pressões destrutivas" prejudiquem as negociações em curso.
Tanto o Irão como os Estados Unidos descreveram a reunião da semana passada em Omã, que está a servir de mediador, como "boa" e concordaram em voltar a reunir-se em breve. Ainda não há, no entanto, nem data nem local para o encontro.
Negociações sobre programa nuclear
Na esfera internacional, o Irão continua a enfrentar grandes desafios. Após ameaças do Presidente Donald Trump de uma intervenção militar no país, a que se seguiu o destacamento para o Golfo de uma frota naval norte-americana, Teerão e Washington retomaram, na semana passada, as negociações sobre o programa nuclear.
Em declarações, esta terça-feira (10.02), Donald Trump disse acreditar que o Irão está interessado em chegar a um acordo e que seria "uma tolice" se não o fizesse. "Como sabem, temos uma enorme frota a caminho do Irão. Vamos ver o que acontece. Acho que eles querem chegar a um acordo. Seria uma tolice da parte deles não o fazerem. Da última vez, destruímos várias instalações nucleares e vamos ter de ver se desta vez destruímos mais", avisou.
O Presidente iraniano, Massoud Pezeshkian, descreve estas negociações como "um passo em frente", mas deixa claro que Teerão não vai deixar cair o enriquecimento de urânio. "A nova ronda de negociações nucleares representa uma excelente oportunidade para resolver esta questão de forma justa, lógica, equitativa e mutuamente aceitável. Procuramos garantir os nossos direitos com base no Tratado de Não Proliferação, incluindo a questão do enriquecimento e o levantamento de sanções injustas", disse.
Já os Estados Unidos exigem um acordo mais amplo, que inclua a limitação das capacidades balísticas do país e o fim do apoio a grupos armados hostis a Israel.
47 anos da Revolução Islâmica
O Irão assinala hoje 47 anos da Revolução Islâmica de 1979. Mas haverá motivos para festejar? Como já é tradição, por ocasião desta data, o líder supremo do país, Ali Khamenei, concedeu ontem indultos e reduções de pena a mais de 2.000 reclusos. A clemência exclui qualquer pessoa envolvida nos recentes protestos contra o regime no país, que fizeram milhares de mortos.
Cerca de um mês passado desde que as autoridades impuseram um bloqueio total da Internet, para conter os protestos em massa, fazem-se conta aos prejuízos. Vários empresários queixam-se de perdas de milhões que vêm agravar a já abalada economia do país.
"Todo o nosso negócio depende da internet. Quando é cortada, a nossa receita cai para zero, os contratos são cancelados e o planeamento futuro torna-se impossível", conta o empresário Siavash Farahi. "A nossa rentabilidade praticamente pára durante esses períodos. Lutamos para sobreviver e torna-se muito difícil continuar", diz o web designer Artin.
A internet foi entretanto reposta, mas continua instável. Os recentes protestos, que começaram a 28 de dezembro, contra o aumento do custo de vida, evoluíram depois para manifestações antigovernamentais e foram os mais violentos desde a revolução de 1979.