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Protestos no Irão desafiam repressão

9 de janeiro de 2026

É a maior vaga de contestação dos últimos anos no Irão. Regime reprimiu com violência os protestos, que decorrem há quase duas semanas, e cortou a Internet.

Protestos no Irão
Protestos no Irão contra o regime no poder duram há quase duas semanasFoto: UGC

O líder supremo do Irão condenou veementemente os protestos antirregime em todo o país, alegando que estariam a ser instrumentalizados para servir interesses estrangeiros.

"Há pessoas cujo trabalho é a destruição", denunciou o aiatola Ali Khamenei. Elas "estão a destruir as próprias ruas apenas para agradar ao Presidente dos Estados Unidos", afirmou, referindo-se a Donald Trump.

O Presidente dos EUA tem ameaçado repetidamente a liderança iraniana com uma intervenção caso manifestantes pacíficos sejam mortos.

Protestos de ontem antecederam o corte da Internet

Na noite de ontem, o Irão viveu as maiores manifestações desde o início desta onda de protestos, que eclodiu no final de dezembro. Quando o relógio marcou 20h00, bairros de toda a cidade de Teerão explodiram em cânticos, segundo testemunhas.

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03:12

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Os gritos incluíam "Morte ao ditador!" e "Morte à República Islâmica!". Outros elogiavam o último xá, gritando: "Esta é a última batalha! Pahlavi vai regressar!" Nas redes sociais, espalharam-se imagens de milhares de pessoas em protesto nas ruas antes de todas as comunicações com o Irão serem cortadas.

O aparato de segurança iraniano bloqueou completamente a Internet para a população por mais de 14 horas.

"A República Islâmica não cederá àqueles que agem de forma destrutiva. Não tolera serviços mercenários para estrangeiros", afirmou o aiatola Khamenei, insinuando uma repressão severa por parte das forças de segurança.

Apesar de as autoridades terem cortado o acesso à Internet e às comunicações telefónicas internacionais, os protestos antigovernamentais no Irão prolongaram-se até à manhã de sexta-feira, depois de apelos à mobilização feitos pelo príncipe herdeiro exilado Reza Pahlavi, filho do último xá do Irão, deposto na Revolução Islâmica de 1979.

Relatos de mortes

Entretanto, aumentam os relatos de mortes, depois de as forças de segurança terem alegadamente aberto fogo contra manifestantes, na quinta-feira. Vídeos não verificados nas redes sociais mostram jovens ensanguentados no chão de um edifício num subúrbio perto de Teerão, após uma manifestação.

Forças de segurança iranianas foram acusadas de usar munições reais contra manifestantesFoto: Social Media/REUTERS

Segundo a ONG Direitos Humanos no Irão, sediada na Noruega, 45 manifestantes foram mortos pelas forças de segurança iranianas desde o início dos distúrbios, no final de Dezembro.

Outro relatório, da Agência norte-americana de Notícias dos Ativistas pelos Direitos Humanos, indica que mais de 2.200 pessoas foram detidas.

Os meios de comunicação estatais iranianos admitiram a existência de vítimas nos protestos, sem fornecer mais pormenores, acusando "agentes terroristas" apoiados pelos Estados Unidos e por Israel de incitarem à violência.

As manifestações começaram no mês passado com protestos na capital, Teerão, devido às dificuldades económicas do Irão e à forte desvalorização da moeda. Desde então, transformaram-se num movimento que desafia a legitimidade do governo islâmico no poder.

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