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ConflitosIsrael

Hamas segue ativo dois anos após 7 de outubro

Cathrin Schaer | Redação DW África
7 de outubro de 2025

A liderança militar do Hamas foi dizimada, e não está claro quantos combatentes o grupo ainda possui. Ainda assim, continua capaz de realizar ataques de guerrilha.

Hamas em Gaza
Hamas mostra resiliência apesar das perdas em GazaFoto: AP

Na última sexta-feira (07.10), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deu 48 horas para o Hamas aceitar o seu plano de paz para a Faixa de Gaza. Passado o prazo, o líder norte-americano avisou que o grupo islamita enfrentaria a “aniquilação total".

Segundo Trump, o acordo “ainda não está totalmente fechado”, mas o Hamas “aceitou alguns detalhes importantes”.

“Acho que fizemos um progresso tremendo. O povo de Israel quer que isso aconteça, especialmente as famílias dos reféns. Veem-se dezenas de milhares de pessoas em Israel que querem os reféns de volta e que tudo acabe. E acho que o Hamas agora tem estado bem, é tudo o que posso dizer. Espero que continue assim. Acho mesmo que vamos chegar a um acordo — e será um acordo duradouro”, afirmou Trump. 

À lupa: Como lidará Trump ou Harris com Israel e Gaza?

01:32

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Hamas enfraquecido, mas não derrotado

Dois anos após o início da campanha militar de Israel contra o grupo baseado em Gaza, observadores afirmam que o Hamas está enfraquecido, mas não derrotado — apesar do poder de fogo superior do exército israelita e da insistência dos seus líderes numa “vitória total”.

A investigadora Marina Miron, do Departamento de Estudos de Guerra do King’s College, em Londres, disse à DW que o Hamas “tem uma grande capacidade de se regenerar”.

“Há relatos diferentes sobre os pontos fortes do Hamas na cidade de Gaza. O grupo sofreu muitos reveses militares, mas ainda tem a capacidade de se reorganizar e mantém o comando e o controlo”, afirmou Miron. 

Perdas e recrutas

Antes da guerra — precedida pelo ataque do Hamas a Israel em 7 de outubro de 2023, que causou quase 1.200 mortes —, estimava-se que o grupo tivesse entre 25.000 e 30.000 combatentes.

Fontes de segurança israelitas afirmam ter eliminado entre 17.000 e 23.000 militantes desde então. Um relatório das Forças de Defesa de Israel, citado em outubro de 2024 pelo monitor ACLED (Armed Conflict Location & Event Data Project), contabilizou cerca de 8.500 mortes de combatentes. 

Médio Oriente: O que muda com a morte do líder do Hamas?

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Segundo o mesmo monitor, mais de 80% das mais de 65.000 pessoas mortas em Gaza são civis.

A ACLED também sugeriu que o Hamas pode ter recrutado entre 10.000 e 15.000 novos combatentes nos últimos dois anos.

A pesquisadora Leila Seurat, do Centro Árabe de Estudos e Políticas Públicas em Paris, escreveu na revista Relações Exteriores que “há indícios de que um número crescente de jovens palestinianos sem treino prévio tem-se juntado às Brigadas Al Qassam [ala militar do Hamas] e participado em ações de guerrilha”.

Ideologia e resistência

Especialistas como Hans-Jakob Schindler, do Centro Internacional de Contraterrorismo, acreditam que Israel dificilmente conseguirá eliminar totalmente o Hamas.

“O Hamas é uma ideologia. Não se pode destruir uma ideologia. Pode-se degradar as suas capacidades militares e terroristas”, disse Schindler.

Conflito interno em Gaza

O Hamas também enfrenta divisões internas crescentes. Relatos recentes indicam que Israel tem apoiado grupos anti-Hamas em Gaza, entre os quais se destacam as Forças Populares, envolvidas em contrabando e pilhagem de ajuda humanitária.

O líder dessa organização teria tentado coordenar outros grupos armados para enfrentar o Hamas, num novo capítulo da luta pelo controlo da Faixa de Gaza. 

Para quem vão os louros do cessar-fogo na Faixa de Gaza?

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