Que futuro espera Umaro Sissoco Embaló?
6 de outubro de 2026
A decisão do Alto Comando Militar de bloquear o regresso de Umaro Sissoco Embaló à Guiné-Bissau continua a ser aplaudida por diversos setores da sociedade, que consideram o antigo Presidente da República "fonte" de instabilidade.
Na semana passada, militares fiéis a Umaro Sissoco Embaló, instalados na Presidência da República, foram desarmados e transferidos para outras unidades. Sissoco afirmou, nas redes sociais, que estava a "acompanhar" a situação e acabou por não regressar ao país a 4 de outubro, como tinha anunciado.
Antes de cancelar o regresso, Umaro Sissoco Embaló afirmara que tencionava candidatar-se às eleições presidenciais de dezembro. Mas o jornalista Bacar Camará diz que não vê um futuro "favorável" para o ex-chefe de Estado na cena política guineense.
"Ele teve uma Presidência bastante agitada, com vários registos de violência verbal e física", afirma Bacar Camará em declarações à DW. "Umaro Sissoco Embaló desperdiçou uma grande oportunidade, tal como o seu antecessor [na Presidência da República], José Mário Vaz, para conduzir o país a uma reconciliação, a um entendimento e à concórdia nacional".
Em Bissau, vários cidadãos mostram-se satisfeitos com o afastamento, para já, de Sissoco Embaló do cenário político guineense.
"Eu acho que é melhor ele ficar lá onde está e deixar o país andar, porque nós estamos cansados", confessou um morador. "Há problemas em todo lado. Na educação, na saúde e em quase tudo. Se Umaro Sissoco Embaló voltar, haverá mais problemas", alertou outra cidadã.
Reconciliação nacional
As autoridades guineenses não voltaram a pronunciar-se desde que anunciaram, na semana passada, que não estavam reunidas as "condições de segurança" para garantir o regresso do antigo Presidente da República.
O Alto Comando Militar avisava ainda que se mantém em vigor a proibição de manifestações ou aglomerações de cariz político, salientando que "qualquer ato de desacato ou incumprimento" destas normas seria "da inteira responsabilidade dos respetivos autores".
Partidos políticos e organizações da sociedade civil defendem que se aproveite este momento para iniciar um processo de "verdadeira" reconciliação nacional. Mas o jornalista Bacar Camará considera que qualquer processo de reconciliação devia abranger todos os cidadãos, incluindo Sissoco Embaló.
"A Guiné-Bissau precisa de todos os seus filhos, independentemente dos erros cometidos. Precisa de todos os que possam contribuir para que se encontre um caminho de desenvolvimento", afirmou.
As eleições legislativas e presidenciais estão agendadas para daqui a dois meses, na Guiné-Bissau. Os críticos acreditam, no entanto, que será impossível realizar o escrutínio na data marcada, 6 de dezembro, por falta de condições.