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ConflitosQuénia

Quenianos temem agravamento do conflito no Médio Oriente

Andrew Wasike
7 de março de 2026

À medida que tensões aumentam na região do Médio Oriente, cresce o receio no Quénia de novos aumentos no preço dos combustíveis. Quenianos que trabalham nos países do Golfo temem perder os seus empregos.

Explosão no centro de Teerão, Irão
Quenianos que trabalham nos países do Golfo temem perder os seus empregos.Foto: Majid Asgaripour/WANA/REUTERS

Nas semanas que antecederam a guerra entre os EUA e Israel contra o Irão, o Presidente queniano William Ruto apelou à contenção e ao diálogo, instando à desaceleração do conflito. Agora, Ruto pronunciou-se contra a guerra.

"O Quénia condena veementemente os ataques aos Emirados Árabes Unidos, Catar, Arábia Saudita, Iraque, Omã, Kuwait, Jordânia e Bahrein no conflito em evolução no Médio Oriente", disse Ruto no início desta semana.

"É evidente que a regionalização deste conflito representa uma grave ameaça à paz e à segurança internacionais. O Quénia apela a um envolvimento urgente das várias partes interessadas para a desaceleração".

Ao mesmo tempo, o governo tem sido cuidadoso para não afastar os seus principais parceiros económicos e estratégicos na região. Milhares de quenianos trabalham nos países do Golfo, existindo laços comerciais significativos entre Nairobi e estes países.

Oposição entre cautela e críticas

Os líderes da oposição reagiram com uma mistura de cautela e críticas. Há opositores que questionaram se o governo está a fazer o suficiente para se preparar para possíveis repercussões económicas. Outros exigem uma comunicação mais clara sobre os planos de contingência para os quenianos no estrangeiro.

O Presidente William Ruto pronunciou-se esta semana contra a guerraFoto: Urs Flueeler/AFP

Analistas ouvidos pela DW notam que apesar de estar geograficamente distante do conflito, o Quénia mantém ligações económicas e sociais ao Médio Oriente.

Nas ruas de Nairobi, vários quenianos dizem já sentir repercussões do conflito.

"Já estamos a sentir a pressão", diz Vincent Kipngeno, que exporta produtos hortícolas para mercados da região do Golfo. À DW, o empresário nota que os preços dos combustíveis já estão a subir, o que, segundo ele, "aumenta imediatamente o custo de tudo o que fazemos, desde o transporte de mercadorias até à refrigeração e ao transporte aéreo de produtos hortícolas para os mercados do Golfo".

"Os nossos camiões, armazéns frigoríficos e voos dependem todos do combustível, por isso, quando os preços do petróleo sobem devido à guerra no Médio Oriente, as despesas aumentam. O que nos preocupa ainda mais é a incerteza", confessa.

Aisha Juma, vendedora de roupa no mercado Eastleigh de Nairobi, popularmente conhecido como Little Mogadishu, diz também que os comerciantes já estão a sentir os efeitos da guerra.

"O aumento dos custos de transporte obriga os fornecedores a aumentar os preços, tornando até mesmo os produtos básicos mais caros", diz Juma, acrescentando que: "muitas empresas aqui dependem de mercadorias que transitam pelas rotas comerciais do Golfo, por isso a instabilidade na região gera muita ansiedade".

Os interesses por trás da guerra no Irão

05:54

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Empregos no Golfo em risco?

Mais de 400 mil quenianos vivem e trabalham em países do Golfo, incluindo a Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos e o Catar – essencialmente nos setores da construção, hotelaria e aviação.

Esta região é também uma fonte importante de remessas para o Quénia - que contribuem significativamente para o rendimento das famílias e as reservas cambiais.

Por isso, à medida que as tensões aumentam, as famílias dizem-se mais preocupadas. Para alguns, o medo não é apenas em relação à segurança imediata, mas também à segurança no emprego, caso as empresas reduzam as suas operações ou as rotas de viagem sejam interrompidas.

"Muitos de nós acompanhamos as notícias todos os dias porque o que acontece aqui afeta os nossos meios de subsistência e a nossa segurança, pois estão a bombardear áreas residenciais onde vivemos e hotéis onde trabalhamos", disse Peter Otieno, um queniano que trabalha na construção civil na Arábia Saudita.

"Se as empresas começarem a diminuir os projetos ou os voos a ser interrompidos, os nossos contratos podem terminar. As nossas famílias dependem do dinheiro que enviamos. Isto cria-nos muita ansiedade", lamenta.

Vulnerabilidade energética

Os preços globais do petróleo são altamente sensíveis à instabilidade no Médio Oriente, uma região que representa uma parte significativa da produção e do transporte global de petróleo.

O Quénia importa a maior parte dos seus produtos petrolíferos. E mesmo que não importe diretamente destas zonas de conflito, os picos de preços globais podem traduzir-se em custos mais elevados.

Nos últimos anos, o Quénia tem sofrido com a volatilidade dos preços dos combustíveis ligada a choques globais, incluindo a guerra na Ucrânia e interrupções na cadeia de abastecimento.

Médio Oriente: O Irão poderá ser um novo Iraque?

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