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MédiaAlemanha

Rússia classifica a DW como "organização indesejável"

Redação DW África | Christian Walz
16 de dezembro de 2025

A Deutsche Welle foi classificada como "organização indesejável" pela Rússia. Para a diretora-geral da DW, a designação demonstra uma repressão contínua da liberdade de expressão, que não vai silenciar a emissora alemã.

Sede da Deutsche Welle em Bona
Colaborar com organizações consideradas indesejáveis é crime na RússiaFoto: Björn Kietzmann/DW

O Ministério Público da Rússia acaba de classificar a Deutsche Welle (DW) como uma "organização indesejável", segundo noticiou a comunicação social russa. A classificação já tinha sido solicitada pelo parlamento russo em agosto deste ano.

A designação "organização indesejada" representa um novo agravamento das medidas contra a DW, que em 2022 já tinha sido rotulada por Moscovo como um meio de comunicação que cumpre a função de "agente estrangeiro".

A DW junta-se, assim, a outros órgãos de comunicação social, organizações não-governamentais (ONG) e fundações que já receberam o rótulo de "indesejáveis", incluindo a Radio Free Europe/Radio Liberty, Bellingcat, CORRECTIV, Repórteres Sem Fronteiras e TV Rain.

O que significa a classificação?

Colaborar com organizações consideradas indesejáveis é crime na Rússia, que pode resultar em multas elevadas e, em casos extremos, prisão.

Até partilhar conteúdos de meios de comunicação considerados "organizações indesejáveis" é considerado ilegal – como por exemplo, partilhar artigos jornalísticos nas redes sociais.

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Para os cidadãos russos, a proibição de colaboração também se aplica fora do território russo. Por isso, os funcionários russos da DW são particularmente afetados por esta medida.

"Não nos vai dissuadir"

A diretora-geral da DW, Barbara Massing, diz que a decisão das autoridades russas é mais um sinal de que o Kremlin quer sufocar a liberdade de opinião no país.

"A Rússia pode classificar-nos como uma organização indesejável, mas isso não nos vai dissuadir. Esta recente tentativa de silenciar os meios de comunicação livres mostra o quanto o regime desvaloriza a liberdade de imprensa e o quanto teme a informação independente", declarou.

Barbara Massing: "Continuaremos a informar de forma independente"Foto: Fred Guerdin

A diretora-geral da DW garante que nada vai deter a emissora internacional alemã de continuar a informar: "Apesar da censura e do bloqueio dos nossos serviços pelo governo russo, a redação russa da DW alcança hoje mais pessoas do que nunca."

"Continuaremos a informar de forma independente – sobre a guerra de agressão contra a Ucrânia e outros temas sobre os quais há pouca informação disponível na Rússia, para que as pessoas possam formar a sua própria opinião", assegura Barbara Massing.

Aumento da pressão na Rússia

Nos últimos três anos, com o bloqueio dos canais e da página online, a DW tem sentido cada vez mais os efeitos da repressão do Kremlin.

A Deutsche Welle foi forçada a fechar os escritórios na capital russa e a página online foi bloqueada em toda a Rússia como retaliação ao bloqueio dos programas em alemão da emissora estatal russa RT na Alemanha.

Apesar de tudo, o serviço em russo alcançou cerca de 10 milhões de utilizadores semanais em 2025, principalmente através de conteúdos em vídeo, o que torna a DW em russo um dos 10 serviços mais utilizados da emissora. 

Desde março de 2024, a programação em russo da DW também foi incluída no pacote TV-Swoboda da organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF), que reúne cerca de 20 canais independentes de TV e rádio em russo, transmitidos via satélites Eutelsat-Hotbird.

Para contornar a censura das autoridades russas, a Deutsche Welle tem recorrido cada vez mais a plataformas digitais e disponibilizado ferramentas como o navegador Tor, o acesso via VPN e a app da DW.

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