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Raptos "abrandam" em Moçambique

15 de março de 2026

Empresário diz que promessa de Chapo está a ser cumprida. Já analista nota que abrandamento não é espelho da atuação do SERNIC e da polícia, alertando para redes que "atuam nas sombras" das autoridades.

Avenida Vladimir Lenine, em Maputo, Moçambique
Crimes de rapto em Moçambique têm vindo a registar um abrandamento desde outubro do ano passado. Foto: DW/R. da Silva

Dados do Ministério do Interior dão conta que a polícia moçambicana registou, de 2011 a março de 2024, 185 raptos. Só em 2025, há registo público de, pelo menos, seis casos de rapto de empresários em Maputo. Contudo, nos últimos meses,tem havido um abrandamento dos casos. 

Em declarações à DW, o empresário Paulo Oliveira diz que uma possível razão para este decréscimo no número de casos é o cumprimento da promessa do Presidente Daniel Chapo de combater este mal.

"A promessa política está a ser cumprida, porque efetivamente os raptos eram um alvo para terminar. Portanto, vemos de forma muito positiva ambas as situações e esperamos que isto seja para manter e que este flagelo termine".

Daniel Chapo prometeu "zero raptos” no paísFoto: Carlos Uqueio/AP Photo/picture alliance

Questionado sobre se esta calmaria nos raptos é suficiente para que os investidores que saíram do país voltem, o empresário responde:  "é necessário que tenhamos tempo de estabilidade e de tranquilidade para que as pessoas esqueçam e acreditem que é seguro investir em Moçambique".

SERNIC não apresenta mandantes

O Serviço de Investigação Criminal (SERNIC) não apresentou mandantes dos crimes de rapto, o que, acrescenta Paulo Oliveira, gera alguma preocupação: "Se não houver um nome e responsável, vamos ficar sempre preocupados porque, não conhecendo a raíz do problema, não sabemos se fica resolvido", nota.

Já o criminalista José Capassura considera que a não apresentação dos mandantes pode propiciar a continuidade do crime.

"Quando um executor é encontrado, seja em flagrante delito ou em detrimento das diligências de investigação, o mandante, como financiador, pode contratar outros grupos criminosos".

José Capassura vai mais longe e sublinha que, em muitos casos, os raptos partem de dentro das corporações. "Existe uma rede organizada que atua nas sombras, não só no SERNIC, como também a nível da polícia, e que faz chantagens aos empresários para não caírem nas malhas do crime".

Aos olhos do especialista, o recente abrandamento dos raptos não é resultado do trabalho das autoridades. E explica porquê: "o SERNIC pouco esclarece os crimes. Um dos empresários raptados nestes últimos dias foi devolvido ao convívio familiar e não resgatado do cativeiro, o que significa que não foi atuação, nem da polícia, nem do SERNIC", nota.

Recentemente, Paulo Chachine, ministro do Interior de Moçambique, admitiu que desmantelar a "teia de responsáveis" pelos raptosno país "não é fácil". No entanto, o governante garantiu que decorre um trabalho "profundo" para chegar aos "verdadeiros mandantes".

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