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ConflitosRepública Democrática do Congo

RDC e Ruanda prometem manter acordo de paz mediado por Trump

5 de dezembro de 2025

Os presidentes da República Democrática do Congo (RDC) e do Ruanda assinaram quinta-feira, em Washington, um acordo de paz, mediado pelos EUA e descrito por Trump como "um milagre", para pôr fim a um conflito de décadas.

O Presidente Donald Trump (à esquerda) recebeu o Presidente ruandês Paul Kagame (ao centro) e o Presidente da República Democrática do Congo Felix Tshisekedi (à direita) no Instituto Donald J. Trump para a Paz, em Washington, em 4 de dezembro de 2025,
O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao lado do Presidente do Ruanda, Paul Kagame, e do seu homólogo da República Democrática do Congo, Félix TshisekediFoto: Chip Somodevilla/Getty Images/AFP

Descrevendo este acordo de paz como "um milagre" e não poupando elogios a si próprio, o Presidente norte-americano Donald Trump enalteceu o trabalho e coragem de Félix Tshisekedi e Paul Kagame.

"Estes são dois homens que estão a fazer um excelente trabalho. São muito respeitados pelo que estão a fazer hoje. Veremos como tudo vai acabar, mas acho que vai acabar muito bem. Eles querem encontrar outras formas de vida para os seus povos. E são grandes líderes", salientou.

O acordo contempla um cessar-fogo permanente, o desarmamento das forças não-estatais, o regresso dos refugiados e a responsabilização daqueles que cometeram atrocidades.

Concede ainda aos Estados Unidos da América (EUA) acesso preferencial a minerais estratégicos da região, como explicou o próprio Donald Trump.

"Hoje, os Estados Unidos também estão a assinar acordos bilaterais com a RDC e o Ruanda, que abrirão novas oportunidades para acedermos a minerais críticos que proporcionarão benefícios económicos para todos", disse.

À lupa: E agora, o que se segue ao acordo RDC-Ruanda?

02:16

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Elogios a Trump

Na mesma ocasião, o chefe de Estado ruandês Paul Kagame agradeceu os esforços de mediação de Donald Trump. "Ninguém pediu ao Presidente Trump para assumir esta tarefa. A nossa região está longe das manchetes. Mas quando o Presidente viu a oportunidade de contribuir para a paz, aproveitou. Este conflito dura há 30 anos. Vimos inúmeras mediações e esforços, mas nenhum conseguiu uma solução. O Presidente Trump trouxe um dinamismo novo e eficaz", elogiou.

Já o chefe de Estado congolês, Félix Tshisekedi, frisou que "este dia é o início de um novo caminho, um caminho exigente, bastante difícil, mas um caminho em que a paz não será apenas um desejo e uma aspiração, mas um ponto de viragem."

"Permaneceremos atentos, vigilantes, mas não pessimistas. Estes acordos de Washington para a paz devem ser para os nossos povos um símbolo de um compromisso irreversível que abre uma nova era de cooperação e paz sustentável em toda a região", acresentou Tshisekedi.

O Presidente de Angola, João Lourenço (ao centro), lembrou que o conflito tem prejudicado o desenvolvimento do continente africanoFoto: Chip Somodevilla/Getty Images/AFP

Presente na assinatura do acordo esteve também o Presidente de Angola, João Lourenço, que lembrou que o conflito que se arrasta há mais de trinta anos no leste da RDC tem prejudicado o desenvolvimento de África.

"Um conflito entre irmãos, países vizinhos e irmãos, que se deviam dar bem, mas que, por razões de diversa ordem, têm vindo a se digladiar ao longo dos anos, com pesadas consequências, quer para as populações de ambos os países, quer também para as respectivas economias", disse.

Combates intensificam-se

No entanto, há quem não esteja tão otimista. Especialistas alertam que, face à situação no terreno, onde os combates se têm vindo a intensificar, o acordo pode não ter grande expressão. "Ao mesmo tempo que discutimos a assinatura de um acordo, os combates continuam", disse à Associated Press o analista político Christian Moleka.

"Para muitos, na RDC, existe uma discrepância entre as alegadas vitórias diplomáticas e a realidade no terreno. O processo de Doha, com o M23, - que não está diretamente relacionado com o acordo de hoje - não resultou num acordo de paz. Por isso, há um certo pessimismo ou ceticismo em relação à realidade no terreno", lembrou.

O conflito no leste congolês arrasta-se desde 1998. A crise agravou-se no final de janeiro quando os rebeldes do M23, apoiados pelo Ruanda. 

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