RDC e Ruanda prometem manter acordo de paz mediado por Trump
5 de dezembro de 2025
Descrevendo este acordo de paz como "um milagre" e não poupando elogios a si próprio, o Presidente norte-americano Donald Trump enalteceu o trabalho e coragem de Félix Tshisekedi e Paul Kagame.
"Estes são dois homens que estão a fazer um excelente trabalho. São muito respeitados pelo que estão a fazer hoje. Veremos como tudo vai acabar, mas acho que vai acabar muito bem. Eles querem encontrar outras formas de vida para os seus povos. E são grandes líderes", salientou.
O acordo contempla um cessar-fogo permanente, o desarmamento das forças não-estatais, o regresso dos refugiados e a responsabilização daqueles que cometeram atrocidades.
Concede ainda aos Estados Unidos da América (EUA) acesso preferencial a minerais estratégicos da região, como explicou o próprio Donald Trump.
"Hoje, os Estados Unidos também estão a assinar acordos bilaterais com a RDC e o Ruanda, que abrirão novas oportunidades para acedermos a minerais críticos que proporcionarão benefícios económicos para todos", disse.
Elogios a Trump
Na mesma ocasião, o chefe de Estado ruandês Paul Kagame agradeceu os esforços de mediação de Donald Trump. "Ninguém pediu ao Presidente Trump para assumir esta tarefa. A nossa região está longe das manchetes. Mas quando o Presidente viu a oportunidade de contribuir para a paz, aproveitou. Este conflito dura há 30 anos. Vimos inúmeras mediações e esforços, mas nenhum conseguiu uma solução. O Presidente Trump trouxe um dinamismo novo e eficaz", elogiou.
Já o chefe de Estado congolês, Félix Tshisekedi, frisou que "este dia é o início de um novo caminho, um caminho exigente, bastante difícil, mas um caminho em que a paz não será apenas um desejo e uma aspiração, mas um ponto de viragem."
"Permaneceremos atentos, vigilantes, mas não pessimistas. Estes acordos de Washington para a paz devem ser para os nossos povos um símbolo de um compromisso irreversível que abre uma nova era de cooperação e paz sustentável em toda a região", acresentou Tshisekedi.
Presente na assinatura do acordo esteve também o Presidente de Angola, João Lourenço, que lembrou que o conflito que se arrasta há mais de trinta anos no leste da RDC tem prejudicado o desenvolvimento de África.
"Um conflito entre irmãos, países vizinhos e irmãos, que se deviam dar bem, mas que, por razões de diversa ordem, têm vindo a se digladiar ao longo dos anos, com pesadas consequências, quer para as populações de ambos os países, quer também para as respectivas economias", disse.
Combates intensificam-se
No entanto, há quem não esteja tão otimista. Especialistas alertam que, face à situação no terreno, onde os combates se têm vindo a intensificar, o acordo pode não ter grande expressão. "Ao mesmo tempo que discutimos a assinatura de um acordo, os combates continuam", disse à Associated Press o analista político Christian Moleka.
"Para muitos, na RDC, existe uma discrepância entre as alegadas vitórias diplomáticas e a realidade no terreno. O processo de Doha, com o M23, - que não está diretamente relacionado com o acordo de hoje - não resultou num acordo de paz. Por isso, há um certo pessimismo ou ceticismo em relação à realidade no terreno", lembrou.
O conflito no leste congolês arrasta-se desde 1998. A crise agravou-se no final de janeiro quando os rebeldes do M23, apoiados pelo Ruanda.