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PolíticaSão Tomé e Príncipe

"Recebo essa indicação com humildade e responsabilidade"

Danilson Gomes | Cristiane Vieira Teixeira com Lusa
21 de julho de 2026

Em seu primeiro discurso após a divulgação dos resultados eleitorais preliminares, Presidente reeleito de São Tomé e Príncipe adotou tom conciliatório. Nito D’Abreu ainda não reconhece derrota.

Carlos Vila Nova foi reeleito Presidente de São Tomé e Príncipe, à primeira volta das eleições presidenciais, csegundo os resultados preliminares da Comissão Eleitoral Nacional
Foto: Hannah McKay/AP Photo/picture alliance

Carlos Vila Nova foi reeleito Presidente de São Tomé e Príncipe, à primeira volta das eleições presidenciais, com 55,94% dos votos, segundo os resultados preliminares divulgados pela Comissão Eleitoral Nacional (CEN).  O seu principal rival, Nito d'Abreu, arrecadou 41,42% dos votos. 

No seu discurso, Vila Nova escolheu um discurso conciliatório e falou de uma vitória coletiva:

"Recebo essa indicação com humildade e responsabilidade", afirmou.

"A maturidade do nosso povo voltou a demonstrar que São Tomé e Príncipe sabe resolver as suas diferenças pelo poder do voto e nunca pela força da violência. Recebo essa confiança como um compromisso renovado para continuar a servir o país com honestidade, independência, equilíbrio e respeito pela Constituição da República," acrescentou.

"Aos que fizeram uma escolha diferente, quero dirigir uma palavra muito especial. Não os vejo como adversários a vencer, mas como compatriotas com quem construiremos o futuro da nossa nação. A partir deste momento, não há vencedores nem vencidos. Existe apenas um único vencedor: São Tomé e Príncipe. O país precisa de virar definitivamente a página da divisão do ressentimento," disse.

Opositor não reconhece derrota

No entanto, a candidatura de Nito D'Abreu não reconhece ainda a vitória de Carlos Vila Nova.

"Não estamos aqui a dizer que podemos nos aproximar ou ter um resultado que venha a igualar ao que foi tornado público pela Comissão Eleitoral. Mas estamos a dizer que, como mandam as regras, de acordo com as nossas instruções aqui internamente, as nossas estratégias, não podemos já reconhecer que haja resultados que dão vitória a outro candidato."

"Clima pacífico, ordeiro e de tranquilidade"

A Rede dos Órgãos Jurisdicionais e de Administração Eleitoral dos Países de Língua Portuguesa (ROJAE-CPLP) afirmou hoje, no seu relatório preliminar, que as presidenciais são-tomenses decorreram num "clima pacífico, ordeiro e de tranquilidade".

A missão, chefiada pelo presidente da Comissão Nacional Eleitoral de Angola e líder também da ROJAE-CPLP, Manuel Pereira da Silva, sublinhou que as eleições foram "conduzidas, do ponto de vista organizacional e operacional, em conformidade com as regras legalmente estabelecidas no quadro jurídico-eleitoral" de São Tomé e Príncipe, "bem como com os princípios e padrões internacionais aplicáveis aos processos eleitorais em Estados de direito democráticos".

 A missão, contudo, recomenda "a inserção de mecanismos de simplificação dos procedimentos eleitorais", desde a orientação do local de voto do eleitor, assim como no processo de contagem, além do "aperfeiçoamento dos procedimentos logísticos relativos à entrega e recolha do material eleitoral".

Resultados preliminares

O Presidente de São Tomé e Príncipe, Carlos Vila Nova, foi reeleito domingo (19.07) com 55,94% dos votos, contra os 41,92% do principal adversário, Nito d'Abreu.

Os outros dois candidatos não chegaram aos 2%: Eugénio Tiny e Miques João arrecadaram, respetivamente, 1,07% e 1,58%. Voltaram a não contar com qualquer apoio partidário e a sua campanha eleitoral foi praticamente inexistente. 

Mais de 142 mil eleitores foram chamados a escolher o Presidente, numas eleições marcadas pela crispação política, mas sem registo de incidentes de maior.

 

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