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Ruanda: "Estamos prontos para deixar Moçambique"

15 de março de 2026

Kigali avisa que sem garantias de "financiamento sustentável" sai de Cabo Delgado. Esta foi a segunda posição oficial do Ruanda em menos de 24 horas. Chapo está em Bruxelas para pedir continuação do apoio da UE.

Tropas ruandesas em Cabo Delgado
Governo moçambicano assumiu "preocupação" pelo fim do apoio da União Europeia às Forças de Defesa do RuandaFoto: Camille Laffont/AFP/Getty Images

O ministro dos Negócios Estrangeiros do Ruanda, Olivier Nduhungirehe, avisou, este domingo (15.03), que o destacamento ruandês que combate o terrorismo em Cabo Delgado vai sair do norte de Moçambique caso não haja garantias de "financiamento sustentável" à operação. 

"Não se trata de o 'Ruanda poder retirar', mas sim de o 'Ruanda retirará' as suas tropas de Moçambique, caso não seja garantido financiamento sustentável para as suas operações antiterroristas em Cabo Delgado", disse o chefe da diplomacia ruandesa, numa mensagem na sua conta oficial na rede social X, a segunda posição oficial do Governo em menos de 24 horas

A posição surge quando se aproxima o fim do apoio financeiro da União Europeia (UE) à operação, em maio, ao fim dos 36 meses previstos e de desembolsos de 40 milhões de euros, e numa altura em que os Estados Unidos da América - que financiam o megaprojeto de Gás Natural Liquefeito (GNL) liderado pela francesa TotalEnergies em Cabo Delgado - aplicaram sanções às Forças de Defesa do Ruanda (RDF), devido ao conflito na República Democrática do Congo. 

"De facto, estamos prontos para deixar Moçambique, caso o nosso trabalho e as nossas conquistas não sejam reconhecidos", disse o MNE ruandêsFoto: Simon Wohlfahrt/AFP

"Não investimos centenas de milhões de dólares e os nossos soldados das RDF não fizeram o sacrifício supremo para estabilizar esta região, permitir que os deslocados internos regressassem a casa, as crianças regressassem à escola, as empresas reabrissem e os mega investimentos em GNL fossem retomados, apenas para ver os nossos valentes soldados a serem constantemente questionados, vilipendiados, criticados, culpados ou sancionados pelos mesmos países que beneficiam enormemente da nossa intervenção em Moçambique", avisou Nduhungirehe.  

"De facto, estamos prontos para deixar Moçambique, caso o nosso trabalho e as nossas conquistas não sejam reconhecidos", enfatizou na mensagem, publicada poucas horas depois de também a porta-voz do Governo ruandês, Yolande Makolo, ter comentado: "Caso o Comando das RDF avalie que o trabalho desenvolvido pelas Forças de Segurança Ruandesas em Cabo Delgado não é valorizado, terá razão em instar o Governo a pôr fim a este acordo bilateral de combate ao terrorismo e a retirar-se da região". 

O apoio às forças do Ruanda que combatem o terrorismo em Cabo Delgado termina em maio, não havendo negociações para a sua continuidade, disse na sexta-feira fonte da delegação da UE em Moçambique: "Até ao momento, não estão previstas medidas adicionais no âmbito deste mecanismo para além deste período". 

Daniel Chapo em Bruxelas

De visita à União Europeia, desde ontem, Maria Lucas, ministra dos Negócios Estrangeiros e Cooperação de Moçambique, afirmou que Maputo pretende continuar a ser prioridade da União Europeia em investimentos de ajuda ao desenvolvimento e a receber apoio deste organismo no combate ao terrorismo no norte do país.

"Nós queríamos ver se continuávamos a ser o país prioritário na lista das prioridades da União Europeia com relação à ajuda ao desenvolvimento", disse Maria Lucas, que acompanha o Presidente moçambicano na visita a Bruxelas. 

Segundo a governante, durante encontros entre o Presidente moçambicano e os líderes da União Europeia, o país pretende pedir também a continuação da missão que capacita as Forças de Defesa e Segurança (FDS) no combate ao terrorismo em Cabo Delgado. 

"É o sítio certo para sua excelência estar neste momento, sobretudo porque temos que pedir o apoio da União para a continuação da missão", disse a ministra, acrescentando que há, até então, indicação da continuação de apoio para Moçambique. 

Chapo relegou combate ao terrorismo para segundo plano?

34:57

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