Samia Suluhu Hassan toma posse como Presidente da Tanzânia
3 de novembro de 2025
Samia Suluhu Hassan foi declarada vencedora das eleições gerais realizadas a 29 de outubro, com 97,66% dos votos, numa votação marcada por protestos contra a exclusão dos principais partidos da oposição.
A oposição tanzaniana e organizações de defesa dos direitos humanos apontam para a morte de pelo menos 700 pessoas nos protestos que eclodiram nos últimos dias nas principais cidades do país. Por essa razão, apelam ao não reconhecimento dos resultados eleitorais.
O Chadema, principal força política da oposição na Tanzânia, rejeita a vitória de Samia Suluhu Hassan. Em entrevista à AFP, Deogratias Munishi, secretário internacional do Chadema reitera que "Samia Suluhu não foi eleita, porque não houve eleições na Tanzânia no dia 29. O que foi anunciado ontem é completamente ilegítimo e, por isso, Samia Suluhu Hassan é uma presidente ilegítima da Tanzânia."
Kivutha Kibwana, político queniano, diz-se preocupado com os acontecimentos na vizinha Tanzânia. "Dada a situação atual dos direitos humanos e da segurança na Tanzânia, é impossível afirmar que ocorreram eleições credíveis na quarta-feira, 29 de Outubro de 2025. Estamos no quinto dia de bloqueio da Internet, em meio a assassinatos em massa e um processo eleitoral fraudulento.”
Daniel Chapo participa na investidura
Apesar das críticas, o Presidente de Moçambique, Daniel Chapo, e outros líderes africanos, incluindo representantes da União Africana, felicitaram Samia Suluhu pela sua eleição. Daniel Chapo participa hoje na cerimónia de tomada de posse da Presidente tanzaniana.
O comunicado do gabinete de imprensa da Presidência moçambicana refere que Chapo vai assistir ao ato "na qualidade de Convidado de Honra", testemunhando "este importante ato político que marca a renovação do mandato presidencial e reforça os laços históricos de amizade, solidariedade e cooperação existentes entre os povos e governos de Moçambique e da Tanzânia".
Mas Deogratias Munishi, secretário internacional do Chadema, se opõe ao reconhecimento de Samia Suluhu como presidente e não só. "Os tanzanianos não votaram em nenhum deputado, e nenhum conselheiro. Neste momento, existe um vazio de liderança na Tanzânia", afirma.
Por seu turno, Martha Karua, advogada e ativista social queniana acrescenta: "Quem tenta legitimar o que aconteceu na Tanzânia não deseja o bem da Tanzânia, nem deseja o bem de África."
O padre Charles Kitima, secretário da Conferência Episcopal Católica em Dar es Salaam, afirma que a Tanzânia se tornou um "regime totalitário".
Uso excessivo de força policial
Relativamente às mortes nos protestos, a União Africana (UA) e as Nações Unidas (ONU) exigem uma investigação às denúncias de uso excessivo da força por parte das autoridades policiais contra os manifestantes. As autoridades tanzanianas negam os excessos e os números relativos às mortes.
A Presidente Samia Suluhu condenou os protestos no sábado, afirmando que "quando se trata da segurança nacional, não há alternativa senão empregar todas as medidas de defesa."
O Chadema apela à intervenção do Tribunal Penal Internacional (TPI) para responsabilizar os autores das atrocidades cometidas contra os manifestantes: "Não há nenhum outro órgão que possa intervir - nem a UA, nem a EAC, nem mesmo a SADC", disse Munishi.
"Apenas a ONU e o TPI podem estabelecer a verdade no terreno e é por isso que lhes pedimos que o façam sem demora. Se demorarem, isso significa que podem estar a facilitar a escalada da situação para algo que até eles próprios virão a lamentar", sublinhou.
O Papa Leão XIV apelou este domingo ao fim da violência na Tanzânia e ao diálogo como caminho para a resolução da crise eleitoral.