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PolíticaAlemanha

Sem maioria, AfD enfrenta dificuldades para formar governo

Hans Pfeifer
7 de setembro de 2026

Partido de extrema-direita alcançou resultado histórico nas eleições regionais da Saxónia-Anhalt, obtendo cerca de 44% dos votos. No entanto, não conseguiu alcançar uma maioria absoluta que lhe permita governar sozinha.

Sem maioria, AfD enfrenta dificuldades para formar governo liderado pelo seu candidato na Saxónia-Anhalt,  Ulrich Siegmund
Ulrich Siegmund, candidato da AfD para o governo da Saxónia-AnhaltFoto: Matthias Schrader/AP Photo/picture alliance

Como a Alternativa para a Alemanha (AfD) é classificada pelos serviços de informações internos alemães (Verfassungsschutz) da Saxónia-Anhalt como um partido de extrema-direita comprovada, todas as outras forças políticas tinham excluído, antes das eleições, qualquer coligação com o partido. Esta posição torna o processo de formação de governo particularmente complexo naquele estado federado do leste da Alemanha.

O cabeça de lista da AfD e principal vencedor da noite eleitoral, Ulrich Siegmund, declarou ao primeiro canal da televisão pública alemã ARD:

"Como democrata, estenderei a mão a todas as forças que queiram promover connosco uma mudança fundamental de rumo político."

Ao mesmo tempo, admitiu não ver atualmente nenhum parceiro político viável para uma governação conjunta.

Isolamento político

Entre os partidos excluídos por Siegmund está também a União Democrata-Cristã (CDU), que integra governos regionais em vários pontos da Alemanha e mesmo o governo federal. Tanto ele como a direção nacional da AfD consideram que a estratégia de isolamento político adotada pela CDU em relação ao partido fracassou.

Numa entrevista à ZDF, segundo canal da televisão pública alemã, a líder da AfD, Alice Weidel, criticou duramente o chamado "cordão sanitário" em torno da sua formação:

"A CDU não voltará a ganhar eleições, nem sequer eleições para o Parlamento alemão (Bundestag). Daí resulta claramente um mandato de governação para a AfD. Como democratas que somos, não erguemos muros políticos."

Siegmund fez igualmente questão de sublinhar que a aplicação do programa político da AfD é mais importante do que o acesso ao poder:

"Não haverá cedências da minha parte."

Antes das eleições, o político de 35 anos tinha repetidamente defendido que a AfD deveria governar sozinha para promover uma mudança política profunda na Alemanha. 

Programa de governação radical

O programa de governação da AfD tem alimentado intensos debates na Alemanha ao longo dos últimos meses.

O partido defende um endurecimento significativo da política de asilo e imigração, incluindo a aceleração das expulsões de requerentes de asilo em situação irregular e a introdução de uma obrigação geral de trabalho para outros candidatos a asilo.

A AfD pretende ainda tornar a Saxónia-Anhalt e a Alemanha menos atrativas para a imigração, defendendo uma "mudança de 180 graus na política migratória". Durante a campanha eleitoral, associou repetidamente a imigração ao aumento da criminalidade e à escassez de habitação.

Além da política migratória, o partido propõe mudanças profundas na organização da sociedade alemã. Entre as medidas defendidas estão a redução ou eliminação do financiamento dos meios de comunicação públicos, o corte de verbas para projetos democráticos, a criação de estruturas contra a imigração ilegal e o combate a políticas de diversidade social. Ulrich Siegmund salientou, em entrevista à ARD, que estes pontos não são negociáveis.

Governar sem maioria

Face à ausência de maioria absoluta, a AfD parece disposta a aguardar pela composição final do parlamento regional antes de definir uma estratégia de governação.

Dependendo da composição concreta do parlamento, o partido coloca em discussão diferentes modelos entre os quais está a possibilidade de um governo minoritário, que procuraria obter apoios parlamentares caso a caso para levar a cabo a sua política.

Alice Weidel sublinhou a missão governamental da AfD:

"Veremos quem acabará por liderar o governo, seja através de tolerância ou mesmo de uma coligação, isso ainda está veremos."

Por seu lado, a secretária-geral dos democratas-cristãos, Franziska Hoppermann, excluiu categoricamente uma coligação: "Não haverá qualquer cooperação com a extrema-esquerda nem com a extrema-direita." 

Terá um pequeno partido o poder de decisão?

Uma das grandes incógnitas neste jogo de poder é o papel da Aliança Sahra Wagenknecht (BSW), caso consiga entrar no novo parlamento regional.

Este pequeno partido destaca-se sobretudo pela sua política económica de esquerda e — à semelhança da AfD — pela exigência de uma política externa mais favorável à Rússia. No passado, a fundadora do partido e ex-membro do partido A Esquerda, Sahra Wagenknecht, mostrou-se repetidamente aberta a uma colaboração substantiva com a AfD.

No entanto, nos círculos da AfD, a BSW não é considerado um parceiro particularmente atraente por razões ideológicas.

AfD admite permanecer na oposição

Alguns políticos regionais da AfD anunciam, ainda antes do fim da contagem dos votos, que, em caso de dúvida, pretendem permanecer na oposição e pressionar os outros partidos até conseguirem uma maioria própria em eleições futuras.

É o caso, por exemplo, do copresidente do grupo parlamentar da AfD no Parlamento Regional da Saxónia-Anhalt, Oliver Kirchner: "Se ficarmos na oposição atrás da tribuna, isso será terrível para os outros", ameaçou.

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Resultados das urnas

Com a totalidade dos votos apurados, a AfD obteve 43,8% dos escrutínios, ficando a três assentos da maioria absoluta no parlamento regional. A União Democrata-Cristã (CDU), partido do atual governador da Saxónia-Anhalt, Sven Schulze, obteve 17,2% - cerca de metade dos votos obtidos em 2021.

Já o Partido Social-Democrata (SPD), obteve 9,3% dos votos, Os Verdes receberam 8,9% dos votos e os liberais do FDP, que faziam parte do governo de coligação de Schulze juntamente com o SPD, não entraram no parlamento, enquanto a BSW conseguiu entrar por uma margem mínima, com 5,3%.

Com a entrada da BSW no parlamento regional, a AfD afastou-se da maioria absoluta de 42 lugares. Mas a CDU, A Esquerda, Os Verdes e o SPD também não dispõem de maioria absoluta, pelo que os populistas de esquerda se tornam numa espécie de força decisiva no Parlamento regional.

 

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