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ConflitosRepública Democrática do Congo

Sob mediação de JLo, RDC e Ruanda acordam cessar-fogo

6 de julho de 2022

Após encontro com o Presidente angolano, João Lourenço, em Luanda, os líderes da RDC e do Ruanda concordaram em baixar as armas imediatamente no leste congolês. Também definiram um mecanismo de observação.

Foto: Arsene Mpiana/Michele Spatari/Ludovic Marin/AFP/Getty Images

A República Democrática do Congo (RDC) e o Ruanda concordaram esta quarta-feira (06.07) em criar um mecanismo de observação 'ad-hoc' e um cessar-fogo imediato, para aliviar as tensões entre os dois países, após um encontro mediado pelo Presidente angolano.

O Presidente da RDC, Félix Tshisekedi, e o seu homólogo do Ruanda, Paul Kagame, encontraram-se hoje em Luanda para uma cimeira tripartida mediada por João Lourenço para discutir uma solução para o conflito armado na fronteira leste da RDC, cuja responsabilidade as autoridades congolesas atribuem ao Ruanda.

Os três chefes de Estado fizeram curtas declarações aos jornalistas, sem direito a perguntas, após a reunião, que durou mais de duas horas, mostrando-se satisfeitos com os avanços conseguidos e os resultados "satisfatórios" do encontro.

O Presidente angolano ressaltou que o encontro teve "processos positivos".

"Acordamos o cessar-fogo, entre outras medidas do roteiro que acaba de ser apresentado, entre as quais decidimos pela criação de um mecanismo de observação 'ad-hoc', para além do existente a nível da Conferencia Internacional da Região dos Grandes Lados, portanto, a criação de um mecanismo que que terá à cabeça um oficial angolano", avançou João Lourenço numa curta comunicação após a reunião.

Aumento da violência na República Democrática do Congo

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"Restabelecer a confiança"

O Presidente da RDC, Félix Tshisekedi, começou por agradecer o empenho do seu homólogo angolano, reafirmando tudo fazer para a normalização das relações entre os Governos de Kinshasa e Kigali.

"O que eu posso dizer sobre o conteúdo de hoje é que houve a intenção de avançar nas negociações e pôr termo a esta crise. Também agradeço o Presidente Paul Kagame, por ter manifestado isso. Trata-se do restabelecimento da confiança e, sobretudo, os nossos dois povos. Uma confiança que, infelizmente, foi levada abaixo", disse Tshisekedi.

O PR congolês afirmou, por outro lado, que esta é uma situação vivida há longos anos e que, tão logo chegou ao poder, procurou pôr termo.

"Quando cheguei ao poder, tentei colocar termo às divergências entre os dois países, querendo enviar um sinal muito forte, não somente ao Ruanda, mas, também, aos outros países da região da minha intenção de ter relações viradas com trocas estáveis para o proveito das nossas duas populações, e também de olhar para o futuro e para o desenvolvimento desta região, que do meu ponto de vista é a mais rica de África", ressaltou.

Félix Tshisekedi (esq.) e Paul Kagame durante encontro bilateral, no ano passadoFoto: SIMON WOHLFAHRT/AFP/Getty Images

Esforços "incansáveis"

Paul Kagame, por seu turno, numa curta comunicação, agradeceu ao Presidente João Lourenço pelos esforços "incansáveis" pela paz na região.

"Agradeço ao Presidente João Lourenço pelos seus esforços incansáveis na busca pela paz na nossa região e a paz entre dois países irmãos", disse o líder de Kigali.

Kagame também falou diretamente ao seu homólogo congolês, agradecendo-lhe pelas suas contribuições para o fim das tensões.

Na próxima terça-feira, 12 de Julho, regressam a Luanda as conversações dos dois países, integradas pelas entidades governamentais e da segurança dos países beligerantes, que conta com mediação de Luanda.

Artigo atualizado às 20h53 de 06.07.22