Combustíveis: Oposição moçambicana teme "sufoco brutal"
28 de maio de 2026
Os preços dos combustíveis poderão aumentar já em junho ou julho, de acordo com a imprensa moçambicana. O "aviso à navegação" foi feito pelo Governo na terça-feira (26.05)
"Estamos de sobreaviso. Moçambique não é uma ilha. Em função dos condicionamentos, teremos de reagir de alguma forma", disse o porta-voz do Governo, Inocêncio Impissa.
"Penso que ou vai sempre subir ou vai sempre descer, mas é sempre em coordenação com o que está a acontecer em todo mundo e Moçambique não é um país isolado desta realidade", acrescentoi Impissa.
Automobilistas e jovens preocupados
O alerta para uma eventual subida dos preços dos combustíveis em Moçambique está a gerar preocupação entre automobilistas e jovens que dependem do transporte informal para garantir o sustento diário.
Operadores de mototáxis, txopelas e transporte privado temem um novo aumento dos custos e a redução das margens de lucro.
Muitos admitem que poderão ser obrigados a rever as tarifas para continuar a operar, mas receiam perder clientes numa altura em que o custo de vida já é elevado.
PODEMOS sugere alternativas
O Banco Central alertou também para a possibilidade de subida da inflação nos próximos tempos. Como é que a oposição reage a estes desenvolvimentos e que alternativas políticas tem para evitar mais um aumento dos preços de combustíveis?
"Recebemos esta informação de forma extremamente triste, uma vez que nós, partido PODEMOS, propomos junto do governo algumas formas de mitigar esta situação, uma delas é diminuir até o valor do IVA de 16% para 10% a 12% e outras medidas para que pudesse aliviar um pouco o preço do combustível", respondeu à DW Duclésio Chico, porta-voz do PODEMOS, o maior partido da oposição parlamentar moçambicana.
No setor dos combustíveis, o MDM sugere como forma de aliviar a situação "que o subsídio agora anunciado pelo governo não fosse para os transportadores, porque isto não vai trazer uma lufada de ar fresco para o consumidor fina que vai lidar com a compra dos produtos básicos para a sua alimentação."
E qual seria a alternativa? "Uma delas é a eliminação do IVA para os produtos da cesta básica e também outras medidas, como a questão da redução das taxas e custos administrativos ligados ao manuseamento portuário, armazenamento e logística de produção e também a revisão das margens excessivas de intermediação e distribuição no setor, bem como a implementação de incentivos à produção nacional, ao transporte coletivo, reduzindo a dependência estrutural da economia em relação aos custos dos combustíveis", sugere Duclésio Chico.
O porta-voz do MDM defende ainda que "o governo devia criar condições para que os moçambicanos não sofressem mais do que já estão a sofrer", com "a questão da aquisição principalmente dos produtos e também do transporte a nível nacional."
MDM propõe "um único importador"
"O país não comporta um outro aumento acima deste que estamos a viver hoje", considera também o Movimento Democrático de Moçambique (MDM). "Um aumento de combustível a esta altura do campeonato seria brutal para as classes baixas de Moçambique, para as famílias vulneráveis, para aquelas pessoas que já estão a viver na precariedade, com baixos salários, sem rendimentos, para o setor informal. Isto seria dramático para o cenário económico e social que o país atravessa", disse à DW Ismael Nhacucue, porta-voz do MDM.
Para o MDM, que alternativas ou soluções que o governo deveria adotar para evitar mais um aumento dos preços dos combustíveis? "Existem várias alternativas. Nós temos dito que era importante que houvesse um único importador até para aproveitar-se o efeito de escala que este único importador podia conseguir, do ponto de vista de capacidade de negociação de preços, exatamente pelo volume de negócio", sugere o porta-voz.
E, de facto, "o governo fez isso", reconhece o partido da oposição , "mas o que não fez foi dotar esta entidade de capacidade de ir buscar cada vez mais combustíveis a preços mais competitivos do mercado. Enquanto partido da oposição, estamos convictos de que o que fragiliza o país, mais do que o impacto aos choques internacionais, são as políticas implementadas pelo governo", afirma Ismael Nhacucue
"Há um conjunto de más políticas públicas e má gestão do erário público. Continuamos a ter uma estrutura governativa extremamente grande, continuamos a ter níveis de gastos do governo extremamente excessivos", critica ainda o porta-voz do MDM.