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Sudão: Encontro em Berlim para angariar mais de mil milhões

Redação DW África com AP, AFP, dpa
15 de abril de 2026

A capital alemã, Berlim, acolhe hoje uma conferência internacional para angariar fundos para ajudar pessoas afetadas pela guerra no Sudão, enquanto as atenções internacionais estão centradas noutros conflitos.

Johann Wadephul abriu a Conferência Internacional sobre o Sudão, em Berlim
Johann Wadephul, ministro dos Negócios Estrangeiros da Alemanha, discursa no início da Conferência Internacional sobre o Sudão, em BerlimFoto: Michael Kappeler/dpa/picture alliance

A conferência em Berlim tem como objetivo voltar a chamar a atenção para o conflito para ajudar a financiar projetos urgentes.

Esta quarta-feira (15.04) marca também o terceiro aniversário da guerra entre as forças armadas sudanesas, sob o comando de Abdel-Fattah Burhan, e as Forças de Apoio Rápido (RSF), um grupo paramilitar liderado por Mohamed Hamdan Dagalo.

Antes do início da conferência, o ministro alemão dos Negócios Estrangeiros, Johann Wadephul, disse estar esperançoso de que se consiga angariar mais de mil milhões de dólares (cerca de 850 milhões de euros). "Esta grave crise humanitária em África não pode ser esquecida", afirmou à emissora de rádio alemã Deutschlandfunk.

O que disse a Alemanha antes da conferência?

"Queremos alcançar mais do que conseguimos na última conferência em Londres, que foi de mil milhões de dólares", disse o chefe da diplomacia alemã esta manhã.

A ministra do Desenvolvimento, Reem Alabali Radovan, afirmou que a Alemanha disponibilizaria mais 20 milhões de euros, para além dos 155,4 milhões de euros que reservou para projetos no Sudão no final do ano passado.

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Wadephul afirmou que, apesar das restrições orçamentais apertadas, Berlim deve tentar colmatar o défice de financiamento deixado pelos cortes em massa na ajuda externa dos EUA levados a cabo pela administração Trump.

Afirmou ainda ter falado com o ministro alemão da Economia, Lars Klingbeil, à luz dos recentes cortes da própria Alemanha na ajuda, dizendo que não se tratava de uma "obrigação moral e ética", mas sim de uma forma de evitar que as pessoas tivessem de fugir do país.

Guerra sem fim à vista

As guerras no Irão e na Ucrânia desviaram a atenção internacional da guerra no Sudão, mas o impacto do conflito não diminuiu. Eis alguns números após três anos de guerra:

- Pelo menos 59 000 pessoas foram mortas, de acordo com a Organização de Localização de Conflitos Armados e Dados de Eventos (ACLED), embora o número real de mortos possa ser muito superior.

- Estima-se que cerca de 4.300 crianças estejam entre os mortos, de acordo com a UNICEF.

- 19 milhões de pessoas enfrentam fome aguda, de acordo com o Programa Alimentar Mundial (PAM)

- Cerca de 9 milhões de pessoas foram deslocadas internamente e 4,5 milhões fugiram para países vizinhos.

- Cerca de 217 instalações de saúde foram alvo de ataques confirmados, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Apenas 63 % das unidades de saúde do Sudão continuam em funcionamento após três anos de guerra Foto: Marco Simoncelli

O conflito surgiu na sequência da destituição, em 2019, do ditador Omar al-Bashir. A esperada transição foi prejudicada pelo conflito interno entre Burhan e Dagalo, seu vice na altura, enquanto procuravam preencher o vazio de poder.

O país encontra-se agora dividido entre as forças militares em Cartum, que controlam grande parte das regiões do norte, leste e centro - incluindo os portos do Mar Vermelho e as refinarias de petróleo do país -, e a RSF, que controla Darfur e partes da região de Kordofan, no sul e oeste do Sudão.

A guerra assumiu uma dimensão internacional devido ao interesse nos campos petrolíferos e nas minas de ouro do Sudão, com as forças armadas a receberem apoio principalmente do Egito e a RSF a ser apoiada, segundo provas cada vez mais evidentes, pelos Emirados Árabes Unidos, embora estes últimos neguem qualquer envolvimento.

Milhões de pessoas foram vítimas da violência, incluindo a violência sexual generalizada, sobretudo em Darfur, onde a RSF tem sido acusada de crimes de guerra e de crimes contra a humanidade.

"Este aniversário sombrio e humilhante marca mais um ano em que o mundo falhou no teste do Sudão", afirmou o chefe humanitário das Nações Unidas, Tom Fletcher.

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