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PolíticaSudão

Sudão: Primeiro-ministro demite-se

Lusa
3 de janeiro de 2022

O primeiro-ministro do Sudão, Abdullah Hamdok, anunciou a sua demissão no domingo, 42 dias depois de ter alcançado um acordo com os militares para regressar ao cargo do qual foi deposto em outubro último.

Sudan Khartoum | Premierminister zurückgetreten | Abdalla Hamdok
Abdullah HamdokFoto: Mahmoud Hjaj/Anadolu Agency/picture alliance

Num discurso nacional, transmitido pela televisão no domingo (02.01), Hamdok apelou a um diálogo para se chegar a um acordo sobre uma "carta nacional" e para "traçar um roteiro" para completar a transição para a democracia, de acordo com o  documento constitucional de 2019, que rege o período de transição.

O primeiro-ministro disse que a sua demissão daria uma oportunidade a outra pessoa de liderar a nação e completar a sua transição para um "país civil, democrático''. Hamdok não nomeou um sucessor.

A renúncia de Hamdok surge no mesmo dia em que o país testemunhou uma nova jornada de manifestações contra o golpe de Estado de 25 de outubro e contra o acordo com o líder da junta militar, Abdel-Fattah al-Burhan.

Pelo menos três manifestantes foram mortos durante as manifestações de domingo (02.01), segundo o Comité dos Médicos do Sudão, um sindicato da oposição, tendo o total de vítimas mortais relacionadas com os protestos contra o golpe subido para 57.

Na sua comunicação, Hamdock declarou ter feito tudo o que foi possível para evitar a tal situação no país.

"Fiz tudo o que foi possível para evitar que o país deslizasse para o desastre quando atravessa uma perigosa viragem que ameaça a sua sobrevivência (...) face à fragmentação das forças políticas e aos conflitos entre os componentes (civil e militar) da transição (...). Apesar de tudo o que foi feito para se chegar a um consenso (...) isso não aconteceu", afirmou.

Hamdok, que falhou em nomear um governo, disse ser necessária uma mesa redonda para produzir um novo acordo para a transição política do Sudão para a democracia.

Protesto em CartumFoto: AFP/Getty Images

Protestos

O Sindicato dos Médicos do Sudão, que fornece o registo das vítimas mortais e feridos durante os protestos, anunciou através das redes sociais que pelo menos três manifestantes morreram durante as marchas que decorreram na capital do país, Cartum, e na cidade adjacente de Um Durman.

O balanço inicial dos protestos, também fornecido pela mesma fonte, dava conta de dois mortos.

Os protestos intensificaram-se neste país africano desde que o líder militar sudanês, o general Abdel-Fattah al-Burhan, e o primeiro-ministro Abdullah Hamdok, destituído no golpe de Estado de outubro, chegaram a um acordo, em finais de novembro, para repor o último em funções e estabelecer um novo roteiro para as eleições no país, previstas para 2023.

Milhares de pessoas saíram hoje para as ruas de Cartum e de outras cidades do país, num novo dia de protestos convocados pelos chamados comités de resistência.

Os manifestantes, agitando bandeiras, expressaram a sua rejeição do acordo político alcançado entre Abdel-Fattah al-Burhan e Abdullah Hamdok, gritando frases de ordem a favor de um Estado civil, de acordo com os relatos da agência noticiosa oficial sudanesa, SUNA.

Antes do início das manifestações, as autoridades sudanesas fecharam todas as vias e pontes que garantem os acessos a Cartum, exceto duas, enquanto os serviços telefónicos e de Internet foram cortados, medida frequente durante os dias de protestos.

Sudão: protestos contra os militares continuam

02:42

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