Tanzânia: Eleições sem grandes partidos da oposição
27 de outubro de 2025
A maior força da oposição da Tanzânia, o Partido para a Democracia e o Progresso (Chadema), está a boicotar as eleições presidenciais da próxima quarta-feira (29.10), alegando a necessidade de reformas eleitorais.
Entretanto, Luhaga Mpina, candidato presidencial do segundo maior partido da oposição, a Aliança para a Mudança e Transparência (conhecido por ACT-Wazalendo), foi desqualificado pela Comissão Eleitoral Nacional Independente.
Existem partidos menores registados, mas dados históricos mostram que raramente obtêm mais de 5% dos votos.
Consequentemente, a competição política genuína parece estar no nível mais baixo, levantando questões sobre o futuro da oposição, bem como o caminho da democracia na Tanzânia.
De acordo com Luqman Maloto, analista político baseado em Dar es Salaam, "estas eleições são essencialmente uma disputa do Partido da Revolução (CMM da sigla em inglês), no poder, contra partidos muito mais fracos".
"O ambiente da campanha mostra que eles não estão a responder bem ao domínio do CCM. O partido no poder está efetivamente sem oposição porque os partidos que poderiam competir para a presidência, o Chademae o ACT-Wazalendo, estão ausentes," acrescenta.
Contesto político inédito
A ausência da principal oposição desencadeou um debate nacional sobre o seu papel. Nos anos anteriores, estes partidos foram cruciais para fortalecer os debates parlamentares, questionar o desempenho do governo e levantar argumentos políticos alternativos.
Khalifa Said, fundador da plataforma de comunicação social independente online The Chanzo, fala num contexto político inédito:
"Ninguém esperava que as eleições num país multipartidário fossem realizadas neste contexto atual, em que os dois principais partidos da oposição não apresentaram candidatos à presidência."
"Isso não é normal - priva os cidadãos do direito de eleger os líderes que desejam. Os partidos da oposição estão a lembrar aos tanzanianos que não era isso que os nossos fundadores pretendiam quando nos trouxeram um sistema político multipartidário," avalia.
Força da oposição
A força da oposição ficou evidente nas eleições de 2015, quando os partidos se uniram sob a Coalizão pela Constituição do Povo. No entanto, essa unidade revelou-se insustentável. Uma combinação de tensões políticas crescentes, um ambiente eleitoral restritivo e o enfraquecimento da concorrência política têm, desde então, corroído a posição da oposição.
Said reconhece que o partido governante CCM aproveitou os seus "poderes ilimitados na estrutura política" para manobrar o panorama político a seu favor, mas argumenta que isso não eliminou a ameaça subjacente representada pela oposição.
"Em 2015, quando [o ex-presidente John] Magufuli chegou ao poder, prometeu 'matar a oposição', proibiu comícios e perseguiu políticos. Mas o apoio ao Chadema não diminuiu, apesar de cinco anos enfrentando inúmeros desafios, incluindo a prisão e detenção de seus líderes. Na verdade, essas ações e essa repressão aproximaram o partido dos cidadãos, que passaram a sentir mais simpatia por ele," explica.
Tundu Lissu, o atual líder do Chadema, enfrenta agora acusações de traição relacionadas com a sua campanha "Sem Reformas, Sem Eleições", que o Governo alega ter como objetivo causar o caos. Lissu e o seu partido defendem que, apesar do novo nome do órgão eleitoral — Comissão Eleitoral Nacional Independente (INEC, na sigla em inglês) —, a nomeação dos líderes eleitorais e a condução das eleições continuam fortemente influenciadas pelo governo.
Campanhas de mobilização em massa estão a circular nas redes sociais, exortando a protestos no dia das eleições, 29 de outubro, para atender ao apelo de Lissu de "parar esta eleição". No entanto, alguns analistas políticos questionam se os tanzanianos se arriscarão a uma ação em massa, com base nas respostas do governo no passado.